... E como hoje também é o "Dia nacional do Empresário", já aqui ficam algumas ideias para "Grandes Empresas" (que "lucros" há muitos: tantos quantos os "Serviços" prestados à Comunidade)... e, como inspiração, uma imagem que bem podia ser ilustrativa da nossa "Empresa dos Descobrimentos"...
(se a jovem Senhora em terra é uma triste viúva de vivos embarcados ou uma bela e divina deusa da Ilha dos Amores de cada um... a cada um caberá sonhá-la e vê-la nas "formas invisíveis da imprecisa distância", como dizia Pessoa...)
Segundo declarações da ONU, "desde que a guerra existe, o ambiente e os recursos naturais têm sido suas vítimas silenciosas. As colheitas são incendiadas, os poços de água poluídos, os solos envenenados e os animais mortos. Os objectivos têm variado: obter uma vantagem estratégica, desmoralizar as populações locais, vencer a resistência ou simplesmente alimentar os soldados. Mas, mesmo quando não são intencionais, as consequências são sempre catastróficas. Temos assistido a actos de destruição pura e simples, concretamente, a liberação de poluentes e de substâncias perigosas".
in http://blogdosdias.blogs.sapo.pt/1689.html
É sempre melhor ouvir a Poetisa... nela há um Silêncio (pre)claro e justo. (Parabéns, querida Poetisa: Voz de tantos silêncios nossos.)
«Sempre a poesia foi para mim uma perseguição do real. Um poema foi sempre um círculo traçado à roda duma coisa, um círculo onde o pássaro do real fica preso. E se a minha poesia, tendo partido do ar, do mar e da luz, evoluiu, evoluiu sempre dessa busca atenta. Quem procura uma relação justa com a pedra, com a árvore, com o rio, é necessariamente levado, pelo espírito de verdade que o anima, a procurar uma relação justa com o homem. Aquele que vê o espantoso esplendor do mundo é logicamente levado a ver o espantoso sofrimento do mundo. Aquele que vê o fenómeno quer ver todo o fenómeno. É apenas uma questão de atenção, de sequência e de rigor."
in http://www.triplov.com/sophia/grades.html
ESTE É O TEMPO
Este é o tempo
Da selva mais obscura
Até o ar azul se tornou grades
Há cerca de 2500 anos, na antiga Grécia, Sócrates, acusado de corromper a juventude, é condenado à pena de morte por envenenamento com cicuta: (cada sociedade, cada código penal...)... Consta que o filósofo do "conhece-te a ti mesmo" teria afirmado poder evitar a sua condenação, caso renunciasse à sua "vida justa" ou, após a condenação, ter recorrido à influência dos seus amigos na "pólis". Não quis.
Há cerca de 500 anos, na antiga Florença, Galileu Galilei, acusado de heresia (por defender que era o Sol a girar à volta da Terra e não o contrário), é condenado pelo Tribunal do Santo Ofício à pena de morte, posteriormente comutada com o auxílio de amigos para a pena de "confinamento" ("preso em casa"). E é nessa condição que morre anos mais tarde.
Giuseppe Verdi faz hoje 197 anos. Aos 27 anos, perde a mulher e filhos, fracassa a sua 2ª ópera e decide então abandonar a composição musical, o que acaba por não acontecer, já que um seu amigo, director do La Scalla, o convence a estudar a peça de teatro Nabucco, sobre a qual acaba por compor uma das suas mais afamadas e aclamadas óperas. A ária "Va, pensiero" parece fazer eco desse período de "luto" pessoal do grande compositor, acabando por também dar voz, simbolicamente, ao sentimento de escravidão do povo italiano, à época reprimido por franceses e austríacos, da mesma maneira que o povo Hebreu o fora por Nabucodonosor.E é ao "Pensamento"- amigo, confidente e último refúgio - que todos se dirigem e só a ele confidenciam, numa toada nostálgica e melancolicamente digna as suas memórias de tristeza e de saudade de todo um passado glorioso e feliz...
Bendito amigo que tratou da "saúde mental" de Verdi, benditos amigos que preservaram a "saúde mental" de Galileu nos últimos anos da sua vida e, pena foi, que ao grande filósofo do "Conhece-te a ti mesmo" não tenha sido possível dar idêntico final feliz: para seu próprio bem e bem de nós todos, em vias a uma sociedade mais justa, responsável e com mais saúde (com melhor conhecimento de si)...
(Frágil, frágil, a nossa saúde mental, que um ligeiro "pensiero" pode fragilizar ainda mais ou fortalecer para a eternidade. "Voa, pensamento: pousa, perfuma, cumprimenta, reacende , traduz...".
Pela saúde mental, contra a pena de morte, com Verdi e com todos os artistas que nos ensinam a esperar e transformar em beleza os nossos melhores anseios de futuro).
"Voa, pensamento
Voa, pensamento, com tuas asas douradas; voa, pousa-te nas encostas e no topo das colinas, onde perfumam mornas e macias
as brisas doces do solo natal!
Cumprimenta as margens do rio Jordão, as torres derrubadas de Jerusalém... Oh minha pátria tão bela e perdida! Oh lembrança tão cara e fatal!
Harpa dourada dos grandes poetas, porque agora estás muda? Reacende as memórias no nosso peito, fala-nos do bom tempo que foi!
Como Sólima fez com o destino traduz em música o nosso sofrimento, deixa-te inspirar pelo Senhor"
tradução da ária "Va, pensiero " da ópera Nabucco de Verdi, aqui
Seguem 2 cartas de amor...
Que levem, a quem as ler, tão boas notícias como a mim me trouxeram...
NAMORO
Mandei-lhe uma carta em papel perfumado
e com letra bonita eu disse ela tinha um sorrir luminoso tão quente e gaiato como o sol de Novembro brincando de artista nas acácias floridas espalhando diamantes na fímbria do mar e dando calor ao sumo das mangas Sua pele macia era sumaúma Sua pele macia, da cor do jambo, cheirando a rosas sua pele macia guardava as doçuras do corpo rijo tão rijo e tão doce como o maboque Seus seios, laranjas laranjas do Loje seus dentes marfim Mandei-lhe essa carta e ela disse que não. Mandei-lhe um cartão que o amigo Maninho tipografou: Por ti sofre o meu coração Num canto SIM, noutro canto NÃO E ela o canto do NÃO dobrou
Mandei-lhe um recado pela Zefa do Sete pedindo, rogando de joelhos no chão pela Senhora do Cabo, pela Santa Ifigenia, me desse a ventura do seu namoro E ela disse que não. Levei à Avo Chica, quimbanda de fama à areia da marca que o seu pé deixou para que fizesse um feitiço forte e seguro que nela nascesse um amor como o meu E o feitiço falhou.
Esperei-a de tarde, à porta da fabrica, ofertei-lhe um colar e um anel e um broche, paguei-lhe doces na calçada da Missão, ficamos num banco do largo da Estátua, afaguei-lhe as mãos falei-lhe de amor e ela disse que não. Andei barbudo, sujo e descalço, como um mona-ngamba. Procuraram por mim
-Não viu(ai não viu? ) não viu Benjamim? E perdido me deram no morro da Samba. Para me distrair levaram-me ao baile do Sô Januario mas ela lá estava num canto a rir contando o meu caso às moças mais lindas do Bairro Operário. Tocaram uma rumba dancei com ela e num passo maluco voámos na sala qual uma estrela riscando o céu! E a malta gritou: Aí Benjamim ! Olhei-a nos olhos sorriu para mim pedi-lhe um beijo e ela disse que sim.
Viriato Cruz (de Angola)
"Carta de Direitos das Gerações Futuras" de Jacques Costeau, base do projeto de uma política oceânica global que o cientista encaminhou à Assembléia Geral das Nações Unidas. Os cinco artigos resumiram as preocupações e advertências e normas que devem ser respeitadas, com a cooperação de todas as nações do mundo, para preservar as condições naturais e de sobrevivência do ecossistema planetário com toda sua fauna e flora.
"Conscientes das determinações proclamadas pelos povos do mundo nas Nações Unidas, no sentido de reafirmar a fé na dignidade e no valor da pessoa humana, e para promover o progresso social e melhorar padrões de vida e maior liberdade;
Reconhecendo, entre estas, o propósito das Nações Unidas em ativar a cooperação internacional para resolver problemas mundiais e ser um centro para harmonizar a ação das nações na busca deste fim;
Reconhecendo que, para primeira vez na história, os direitos das futuras gerações exercitarem opções com respeito à continuidade da vida e ao enriquecimento de seu meio ambiente físico e mental são seriamente consdierados;
Acreditando que a preservação e promoção desses direitos têm ressonância na consciência de todas as pessoas e de todas as nações;
Convencidos que cada geração tem os direitos herdados para determinar seu próprio destino, e a correspondente responsabilidade de concordar com similares direitos para as futuras gerações, como uma extensão do direito à vida.
Solenemente proclamamos a necessidade de garantir o reconhecimento universal destes direitos e destas responsabilidades, e, com este fim,
DECLARAMOS QUE:
Artigo 1º - As futuras gerações têm direito a uma terra incontaminada e sem danos, e a uma participação na base da história humana, da cultura e das normas sociais que fazem de cada geração e de cada indivíduo, um membro da família humana.
Artigo 2º - Cada geração, no uso e na herança da Terra, é depositária da confiança das futuras gerações, e tem o dever de prevenir danos irreversíveis e irreparáveis para a vida na Terra e para a liberdade e dignidade humanas.
Artigo 3º - É, entretanto, da maior responsabilidade de cada geração, manter-se constantemente vigilante e prudente em relação aos distúrbios e modificações tecnológicas que afetem adversamente a vida na Terra, o equilíbrio das natureza e a evolução da humanidade, no sentido de proteger os direitos das futuras gerações.
Artigo 4º - Todas as medidas apropriadas, inclusive educação, pesquisa e legislação, devem ser tomadas para garantir estes direitos e assegurar que eles não serão sacrificados por expedientes e conveniências do momento.
Artigo 5º - Governos, organizações não governamentais e indivíduos são solicitados, assim, a promover imaginativamente estes princípios, como se estivessem realmente na presença destas futuras gerações, cujos direitos buscamos estabelecer e perpetuar".
O meu professor de Português era o Padre António Vieira dos sermões da Semana Santa na Beira Baixa... Foi ele que me explicou que aquilo de "fazer chorar as mulheres e levar os homens às lágrimas" fazia parte de uma disciplina chamada Retórica, que também vivia da capacidade de representação dramática do orador: teatro, portanto... e um alívio para mim que, tremendo, contava os meus dias de miúda na católica quaresma, para que o "Sermão do Encontro" e o da "Descida da Cruz" passassem rápido e com o mínimo de sofrimento possível! (Ainda hoje não entendo bem aquela coisa da "catarse" da tragédia clássica: faz bem, porquê? Descarga de adrenalina e fica tudo mais calmo... Ainda bem que é com os outros e não comigo?... Ná!... que eu saiba, comigo não funciona ou funciona mal: cuidado, cuidado, cuidado, medo, medo, medo, às vezes terror)...
A verdade é que desde aquela aula ("hoje é que vos vou explicar como é que eu faço chorar as mulheres nos Sermões da Semana Santa") em que o Padre Fatela nos levou às lágrimas de tanta gargalhada ao parodiar os seus próprios sermões, as suas técnicas de retórica ("eu começo sempre assim: Desde os mais altos picos das montanhas dos Himalaias e o seu cume do Evereste até às abissais profundezas da Fossa do Mindanau..."), os seus conhecimentos de Psicologia Colectiva ("e eu já não dizia nada... choravam homens, choravam mulheres, choravam crianças e eu só gritava em desespero para onde se não ouvia ainda o choro da tragédia de Cristo Nosso Senhor: AAAAAAArrrrrrgggghhhhhh!... e todos choravam...."), foi desde essa aula, dizia eu, que percebi que o meu Professor - orador era um sábio, um cientista da língua, um arquitecto de linguagens, um feroz Mestre e um Homem gentil, sensível e com grande sentido e saber de Humor (1).
Recordo-o com muita ternura e reconhecimento por tudo o que ele (consciente ou inconscientemente) fez por mim. Talvez ser professor seja só um acto de amor.
"Olha, minha filha, um dia hás-de ser escritora!", sonhou-me ele.
E acabei em professora de Português.
Como ele.
(BEM haja, professor querido. Hoje, também é o seu dia, sim?...)
Ilustração:(a partir da animação italiana do conto de Luís Sepúlveda, História de uma gaivota e do Gato que a ensinou a Voar)
(1) O meu primeiro professor de Inglês, então muito jovem, e colega do Padre Fatela contou-me uma anedota que este lhe contou numa reunião-festa de professores, a propósito dos "Cigarros Kart... dão kilómetros de prazer!" /(...)/ Palavra puxa palavra, cigarro puxa cigarro e, a páginas tantas, o padre volta-se para mim e pergunta: "Sabe porque é que o Kart é o cigarro dos padres?!" Francamente lhe respondi que ignorava a razão do fato, e aguardei a explicação! Chegando-se mais a mim, segredou-me ao ouvido: "É porque é o cigarro que dá kilómetros de prazer aos que não podem ter o prazer dos centímetros!..."