terça-feira, 30 de março de 2010

Aniversários: Goya, Paul Verlaine, Vincent van Gogh, Eric Clapton, Tracy Chapman, Celine Dion

Belíssima paleta de sentimentos a que Don Mclean oferece a Vincent Van Gogh, na sua composição "Vincent" (quer na letra, quer na música). Aqui ficam registadas ambas...




VINCENT

Starry starry night..

Paint your palet blue and grey
look out on a summer's day
with eyes that know the darkness in my soul


Shadows on the hills
Sketch the trees and the daffodiles

catch the breeze and the winter chills
in colours on the snowy linen land


Now I understand
what you tried to say to me
and how you suffered for your sanity
and how you tried to set them free
they would not listen they did not know how
perhaps they'll listen now.


Starry starry night

Flaming flowers that brightly blaze
swirling clouds in violet haze
reflect in Vincent's eyes of china blue
colours changing hue
morning fields of amber grain
weathered faces lined in pain
are soothed beneth the artist's loving hand


Now I understand
what you tried to say to me
and how you suffered for your sanity
and how you tried to set them free
they would not listen they did not know how
perhaps they'll listen now
For they could not love you
but still your love was true
and when no hope was left inside
on that starry starry night


You took your life as lover's often do
But I could have told you,

Vincent,
this world was never ment for one as beautiful as you


Starry starry night

Portraits hung in empty halls

framless heads on nameless walls
with eyes that watch the world and can't forget
like the strangers that you've met


The ragged men in ragged clothes
a silver thorn
a bloody rose
lie crushed and broken on the virgin snow
now I think I know
what you tried to say to me
and how you suffered for your sanity
and how you tried to set them free
they would now listen
they're not listening still


Perhaps they never will

Don Mclean

sexta-feira, 26 de março de 2010

Dia do Livro Português / Dia Nacional do Utente de Saúde / Aniversários: Joseph Campbell

O 1º livro impresso em Portugal, Sacramental, aqui, numa edição recente.

Vendo bem, por essa idade eu também preferia ser índia no jogo infantil dos "índios e cow-boys"!... E lá acabei por me encontrar com Joseph Campbell, bastantes anos mais tarde, para estudar os índios e outras culturas "nativas e ancestrais"... Gostei muito!
"Joe's earliest years were largely unremarkable; but then, when he was seven years old, his father took him and his younger brother, Charlie, to see Buffalo Bill's Wild West show. The evening was a high-point in Joe's life; for, although the cowboys were clearly the show's stars, as Joe would later write he "became fascinated, seized, obsessed, by the figure of a naked American Indian with his ear to the ground, a bow and arrow in his hand, and a look of special knowledge in his eyes.” »

quarta-feira, 24 de março de 2010

Dia Nacional do Estudante / Dia Mundial da Tuberculose / Aniversários:

É da condição humana ser aluno. Para a vida.
Ser "ignorante" para Sebastião da Gama é como ser "guardador de rebanhos" para Alberto Caeiro: nunca o foram, mas é como se o fossem. Porque quiseram (precisaram) aprender tudo de novo e/ou de outra maneira. Continuaram estudantes.

(Sem Título)



Nasci p'ra ser ignorante
Mas os parentes teimaram
(e dali não arrancaram)
em fazer de mim estudante.


Que remédio? Obedeci.
Há já três lustros que estudo.
Aprender, aprendi tudo,
mas tudo desaprendi.


Perdi o nome às Estrelas,
aos nossos rios e aos de fora.
Confundo fauna com flora.
Atrapalham-me as parcelas.

Mas passo dias inteiros
a ver um rio passar.
Com aves e ondas do Mar
tenho amores verdadeiros.

Rebrilha sempre uma Estrela
por sobre o meu parapeito;
pois não sou eu que me deito
sem ter falado com ela.


Conheço mais de mil flores.
Elas conhecem-me a mim.
Só não sei como em latim
as crismaram os doutores.

No entanto sou promovido,
mal haja lugar aberto,
a mestre: julgam-me esperto,
inteligente e sabido.

O pior é se um director
espreita p'la fechadura:
lá se vai licenciatura
se ouve as lições do doutor.


Lá se vai o ordenado
de tuta e meia por mês,
Lá fico eu de uma vez
um Poeta desempregado.

Se me não lograr o fado,
porém, com tais directores,
e de rios, aves e flores
somente for vigiado.

Enquanto as aulas correrem
não sentirei calafrios,
que flores, aves e rios
ignorante é que me querem.

Sebastião da Gama
(in http://www.azeitao.net/Sebastiao/novo/poemas.htm)

terça-feira, 23 de março de 2010

Dia Mundial da Meteorologia / Aniversários: Calouste Gulbenkian, Erich Fromm, Joan Crawford, Akira Kurosawa

Meteorologia (interior)
Morparia, A Menina e a Chuva, 2008, World Press Cartoon)


Devo a Calouste Gulbenkian muita da minha formação como pessoa: nas Bibliotecas Itinerantes, nos Museus, nos espectáculos, nas suas publicações, nos passeios pelos jardins, no concerto de rãs no lago, no stress dos trabalhos e no dolce fare niente porque sim... Um verdadeiro Ministério da Educação, a sua Fundação, para mim... Faz hoje 141 anos alguém que se conservou menino no amor ao futuro.




Rever
Para ver.

Sempre.

(com Kurosawa, que faz hoje 100 anos,  apetece o silêncio).



(desenho de Van Gogh por Akira Kurosawa, in http://www.escrevercinema.com/KuorosawaSonhos.htm)


http://www.imdb.com/name/nm0000041/

domingo, 21 de março de 2010

Dia Mundial da Floresta / Dia Mundial da Árvore/ Dia Mundial da Poesia / Dia Internacional da Eliminação da Discriminação Racial / Aniversários: Bach, Rafael Bordallo Pinheiro, Dinis Machado, Ayrton Senna

Se assumíssemos na nossa Educação que "a beleza está nos olhos de quem vê", teríamos mais Saúde e Justiça no olhar (e este dia internacional da elimininação da discriminação racial não seria necessário)... Sempre é melhor ouvir o Guerra Junqueiro, com a sua "Musa em Férias" a fazer o elogio das "violetas" ( que são "umas pretas") e da sua "rosa morena" ( "linda flor" do seu olhar)...

Morena


Não negues, confessa
Que tens certa pena
Que as mais raparigas
Te chamem morena.
Pois eu não gostava,
Parece-me a mim,
De ver o teu rosto
Da cor do jasmim.
Eu não... mas enfim
É fraca a razão,
Pois pouco te importa
Que eu goste ou que não.

Mas olha as violetas
Que, sendo umas pretas,
O cheiro que têm!
Vê lá que seria,
Se Deus as fizesse
Morenas também!

Tu és a mais rara
De todas as rosas;
E as coisas mais raras
São mais preciosas.

Há rosas dobradas
E há-as singelas;
Mas são todas elas
Azuis, amarelas,
De cor de açucenas,
De muita outra cor;
Mas rosas morenas,
Só tu, linda flor.

E olha que foram
Morenas e bem
As moças mais lindas
De Jerusalém.
E a Virgem Maria
Não sei... mas seria
Morena também.

Moreno era Cristo.
Vê lá depois disto
Se ainda tens pena
Que as mais raparigas
Te chamem morena!

Guerra Junqueiro, A Musa em Férias

E como hoje é o 1º dia de Primavera e esta canção tem andado como brisa dançando no meu ouvido , acabei por lhe dar consistência, trazendo-a para aqui. Porquê? Bem, "the answer, my friend, is blowing in the wind... the answer is blowing in the wind..."

sábado, 20 de março de 2010

Dia da Agricultura / Aniversários: Ovídio, Holderlin, Gogol, Ibsen, Ilse Losa

Ummmhhhh!... Faz-me lembrar o Eça de Queirós e o seu Jacinto em "A Cidade e as Serras"... O. K.! Fica na imagem...

"(...) O espaço natural da grande cidade tem de ser muito maior do que antes. A dimensão urbana tem que incluir a circulação da água, da matéria orgânica, da vida silvestre porque senão se torna num monstro. Em Lisboa já não temos o campo à porta.
 Por exemplo, Paris está com culturas de milho dentro da cidade. E a interligação em Portugal tem de ser desse género. Aqui todos os vazios têm de ser preenchidos como está bem patente no Plano Director Municipal de Lisboa. Os vazios estão simplificados em áreas de oportunidade. Isto é um escândalo. Será que ninguém repara? O que não é construído é uma área de oportunidade. Em França, a agricultura é exercida por urbanos (30 por cento) e não agricultores. Tudo por causa das novas tecnologias. É muito vulgar um médico possuir uma exploração agrícola que fica a 200 ou 300 quilómetros da sua residência. Não é o mesmo que comprar um monte no Alentejo, colocar lá um relvado e uma piscina.", Gonçalo Ribeiro Telles in
 
 http://o-planeta-diario.weblog.com.pt/2005/10/goncalo_ribeiro_telles_tece_fo.html
 
 
 "A consciência tranquila ri-se das mentiras da fama.", Fastos, Ovídio

"A abundância tornou-me pobre.", Ovídio

"O homem é um deus quando sonha e um mendigo quando pensa.", Holderlin

"Sim! O antigo permanece, cresce e a madurece. / Nada do que vive e ama esquece a fidelidade.", Holderlin

"Quanto mais sublimes forem as verdades mais prudência exige o seu uso; senão, de um dia para o outro, transformam-se em lugares comuns e as pessoas nunca mais acreditam nelas.", Correspondência, Nicolau Gogol

"Digo que quando se tem espírito demais é pior do que não ter nenhum.", O Inspector Geral, Nicolau Gogol

"A felicidade é antes de tudo, o sentimento tranquilo, contente e seguro da inocência.", Henrik Ibsen

"Com o dinheiro podemos comprar muitas coisas, mas não o essencial para nós. Proporciona-nos comida, mas não apetite; remédios, mas não saúde; dias alegres, mas não a felicidade.", Henrik Ibsen

"Finge ignorar os teus inimigos; não caias na vulgaridade de defender-te." , H. Ibsen

"Se não podes ser o que és, sê com sinceridade o que podes.", H. Ibsen

http://www.leme.pt/biografias/80mulheres/losa.html
http://www.mulheres-ps20.ipp.pt/Ilse%20Losa%20.htm

quinta-feira, 18 de março de 2010

Aniversários: Madame de Lafayette, Mallarmé, Augusto Abelaira



http://patachonf.free.fr/musique/debussy/mallarme.php
 (para consultar o poema  "L'après-midi d'un faune" de Mallarmé, que serviu de inspiração à obra  musical homónima de Debussy, coreografada por Nijinsky - para quem foi elaborado o cartaz que nos serve de imagem - e que ontem foi "postada" na interpretação de Nureyev.)

http://cvc.instituto-camoes.pt/figuras/augustoabelaira.html

quarta-feira, 17 de março de 2010

Dia Internacional da Marinha / Aniversários: Nat King Cole, Rudolf Nureyev, Elis Regina

Do tempo do Infante D. Henrique, ficou a divisa francesa "talent de bien faire" (vontade de fazer bem / o bem?)... É um bonito logotipo, o da Marinha Portuguesa... ("Já no largo oceano navegavam / as inquietas ondas apartando..." ... com um pouco de sorte, ouve-se Camões)





(Hoje, tenho 3 aniversariantes "de peso" na minha formação, desde a adolescência: Nat King Cole, com 91 anos; Rudolf Nureyev, com 72 e Elis Regina, com 65... 3 sorrisos lindos, para eles também...)



Nureyev foi, talvez, dos ícones da minha geração aquele de quem fui ( e sou) realmente "fã", porque ganhou o estatuto de símbolo: de uma beleza agreste e meio selvagem, esculpido num corpo entalhado para o voo,  belíssimo na entrega que o transfigura em palco e o faz ser profunda e sinceramente o que do que interpreta... Faz hoje 72 anos.

http://www.nureyev.org/ (página oficial da fundação Rudolf Nureyev)

Quando os símbolos dançam ou  Ícone dançando o símbolo
ou
Bravo!...



http://www.youtube.com/watch?v=ImgjMRodFn8 (o 1º de 7 vídeos no youtube, com o percurso de Rudolf Nureyev... interessantes!)

Belíssimas: composição e  interpretação... de Tom Jobim e Elis Regina...


terça-feira, 16 de março de 2010

Aniversários: Camilo Castelo Branco, Teresa Berganza, Bernardo Bertolucci, Isabelle Huppert

Não sei quem é o autor deste excelente desenho de Camilo, que surge na capa de Eusébio Macário, editado pela Ulisseia. Ainda assim, não resisti e trouxe-o para o dia do seu aniversário.
A Queda de um Anjo é um dos livros que mais gargalhadas me arrancou à primeira. Talvez por não estar à espera, por ninguém mo ter aconselhado, por não ser obrigatório, por ser adolescente, por o ter encontrado na altura exacta para me "debulhar" de riso com a espalhafatosa linguagem utilizada pelos Deputados da Nação, via Camilo... É uma crítica acérrima e bem-disposta aqueles que nos governam no Parlamento e, pela caricatura, "ridendo, castigat mores"... Ai os Calistos Elói da nossa praça!... À custa de A Queda de um Anjo comecei a gostar de Camilo... Parabéns a você e... muitos anos de vida (que já cá  / lá cantam 185...)!...

"Uma lição de linguagens latinas para nos advertir que a lei não legisla para a mulher!... (§XXXIV1) Teremos ainda de assistir à repetição do concílio em que haveremos de averiguar se a mulher é da espécie humana? (§ XXXIV4) Se os srs. drs. Aires ou Libório, alguma vez, dirigirem os negócios judiciários e eclesiásticos em Portugal, receio que os legisladores excluam a mulher das penas codificadas, e que os bispos lusitanos as excluam da espécie humana!... (§ XXXIV5) E pior será se algum destes ministros, no intento de puni-las, as classificam nas aves, e nomeadamente nas galinhas!" in http://web.letras.up.pt/srodrigues/pdfs/artigo3.pdf
Ver também:

Gosto muito de Bertolucci. Mais que das histórias, vou lembrando ambiências, luzes, cores e perplexidades dos seus filmes... Fica um pouco de "O Último Imperador".

domingo, 14 de março de 2010

Aniversário de Albert Einstein

"Nem tudo o que pode ser contado conta, e nem tudo o que conta pode ser contado ."

"O meu ideal político é a democracia, para que todo o homem seja respeitado como indivíduo e nenhum venerado."

"Uma pessoa inteligente resolve um problema, um sábio previne-o."



sexta-feira, 12 de março de 2010

Aniversários: Berkeley, Raul Brandão, Liza Minelli

Muito visual, plástico... gosto deste Raul Brandão dos poentes (que bom o entardecer na praia )...

"Pores do Sol
(...) Agora é prata, daqui a pouco é oiro, e quando o Sol desaparecer de todo, ainda o horizonte fica por muito tempo iluminado. Oiro desvanecido e pó de água que ascende do mar. Um pouco de névoa e dois jactos projectados no céu – verde e oiro, oiro e verde. (...)"
Raul Brandão in http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/rbrandao.htm

http://cvc.instituto-camoes.pt/figuras/rbrandao.html

quinta-feira, 11 de março de 2010

Dia Internacional das Vítimas do terrorismo / Aniversários: Torquato Tasso, Astor Piazzolla, Nina Hagen

Na Terra
Raiada de poente, há quem nela afogue os sonhos de Humanidade.

(Sem título, Ylia Katz, world press photos)

"O que o mundo chama de mérito e valor / são ídolos que têm apenas nome, mas nenhuma essência. / A fama que vos encanta, vós altivos mortais, / com um doce som, e que parece tão bela / é um eco, um sonho, melhor que um sonho, uma sombra, / que a cada sopro de vento se dispersa e desaparece."

Torquato Tasso, Jerusalém Libertada

(Contemporâneo de Camões, a quem dedicou o poema que se segue, Torquato Tasso dá-nos do "mérito" e do "valor" humanos, o mesmo sentido de "aqueles que por obras valorosas / se vão da lei da morte libertando"... Humanismo...)


(Adoro...)



(Diferente, pelo menos...acho que se parece muito com ela...)


 

quarta-feira, 10 de março de 2010

Aniversários: Boris Vian, Dórdio Guimarães, António Pedro Vasconcelos, Sharon Stone

http://static.publico.clix.pt/docs/cmf3/escritores/73-BorisVian/biografia.htm

Escritor e músico, entre outros afazeres e responsabilidades, Boris "vian" hoje... com o seu alegre "Chachacha", interpretação festiva e brincalhona da "marcha Turca" de Mozart. Ouvi-lo interpretá-la é também imaginar Mozart, "un gosse à perruque blanche", que todos imaginamos feliz de animação e sonoras gargalhadas, espinoteando as teclas do piano e divertindo as "nuits de gala" nos "temps des dorur's et des falbalas"... Muito divertido! (E é este Boris Vian que também escreveu e cantou  o fasto "Le Déserteur"...)

Au temps des dorur' et des falbalas
Les marquis frivol' et les marquis' au frais minois
Pour un menuet timide
Esquissaient trois petits pas
Grâces envolées, vieux airs du passé
Clavecin fragile aux résonances d'autrefois
Un gosse à perruque blanche
A fait danser tous ces gens-là
Cha cha cha, cha cha cha, non tu n'existais pas encore
Cha cha cha, cha cha cha, le Brésil n'en était pas là

Douce mélodie qui fit cent fois le tour du monde
Et que Mozart a négligé d'agrémenter de quelques cha cha cha
Sur ton rythme gai dansez les brunes et les blond'
En oubliant le temps bien proche où pianotaient vos petits doigts
Cha cha cha, cha cha cha, c'est votre vieille Marche Turque
Cha cha cha, cha cha cha, venez marquise, écouter ça!

Tout près d'Istambul, sous les pergolas
Tous les jeunes Turcs s'en vont danser le cha cha cha
Et la fraîche odeur des roses
Vient parfumer leurs ébats
Sous le ciel troublant des nuits de gala
Quand un beau danseur serre un fille entre ses bras
Dans les yeux de sa compagne
Il sait ce qu'il trouvera
Cha cha cha, cha cha cha, ce gai refrain qui nous enivre
Cha cha cha, cha cha cha, et qui jamais ne finira

Que ce soit Rio, Paris, New York, les Dardanelles
On ne peut résister longtemps quand on entend venir le cha chacha
Rythme tropical aux senteurs d'ambre et de cannelle
Emporte-nous bien loin de tout dans l'allégresse et dans la joie
Cha cha cha, cha cha cha, nuits étoilées sur le Bosphore
Cha cha cha, cha cha cha, drôl' de truc turc que cetruc-là
Cha cha cha, cha cha cha, ah non vraiment, on n'est pas forts
Cha cha cha, cha cha cha, Mozart ne méritait pas ça
Mais faut bien vi-i-ivre

Boris Vian

http://acpc.bn.pt/deposito_autores/d10_guimaraes_dordio.html (sobre Dórdio Guimarães...)
http://nescritas.com/poetasapaixonados/listapoesiasdeamor2/1987/11/ (sobre Dórdio Guimarães, poeta)

(apesar da chatice da publicidade, lá "postei"... até ver...)

terça-feira, 9 de março de 2010

Aniversários: João Vaz, Yuri gagarin, Ornela Mutti, Juliette Binoche

"A TERRA É AZUL!...", Yuri Gagarin, 12 de Abril de 1961
http://www.publico.pt/Cultura/documentos-ineditos-escritos-pelo-cosmonauta-russo-iuri-gagarin-vao-ser-leiloados_1346930

(o sorriso menino de Gagarin, de que gosto especialmente, contrasta um pouco com o tom "valquiriano" da música que acompanha este vídeo, mas, de facto, tem algumas imagens muito interessantes...

Gostar, gostar mesmo é da imagem que encontrei na net e que se chama: "Etude pour Yuri Gagarin", de Pablo Picasso. Aqui, sim, está  Yuri Gagarin como  o tenho imaginado: nos olhos de pomba, um sorriso; líquidos, parecem beber ainda das fímbrias de azul, verde e violeta com que delicadamente nos foi emprestando o seu olhar de ave, planando...)

segunda-feira, 8 de março de 2010

Dia Internacional da Mulher / Aniversários: João de Deus, Ruy Cinatti

Sempre me desgostou que tenha havido necessidade de criar um dia dedicado à Mulher, pelas razões que o foi... Mas enfim, também não gosto de quotas e "que las hay, las hay"...com o tempo, a gente habitua-se e vai-lhe transmutando o significado... É um dia de homenagem, não é? E a verdade é que sempre as houve e belíssimas. Para hoje, escolhemos o José Luís Peixoto e o Noronha da Costa... e faço tudo para caber nestas homenagens...

A Mulher Mais Bonita do Mundo

estás tão bonita hoje. quando digo que nasceram
flores novas na terra do jardim, quero dizer
que estás bonita.

entro na casa, entro no quarto, abro o armário,
abro uma gaveta, abro uma caixa onde está o teu fio
de ouro.

entre os dedos, seguro o teu fino fio de ouro, como
se tocasse a pele do teu pescoço.

há o céu, a casa, o quarto, e tu estás dentro de mim.

estás tão bonita hoje.
os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios.

estás dentro de algo que está dentro de todas as
coisas, a minha voz nomeia-te para descrever
a beleza.

os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios.
de encontro ao silêncio, dentro do mundo,
estás tão bonita é aquilo que quero dizer.

José Luís Peixoto, in "A Casa, a Escuridão"

Ao invés da corrente, eu aprecio a fluidez do verso de João de Deus e a sua terna e ligeira forma de expressão. Não me admira que tenha feito a "Cartilha Maternal" e agrada-me pensar que olharia o universo com um sorriso de espanto por cada manhã. Ainda é assim que eu o leio (e faz-me lembrar a "Barca Bela" de Garrett, que eu adoro)... Às vezes, dá a sensação de um verso de raiz ancestral, popular e/ou popularizado, ao longo da nossa história cultural: como se a água de que vivemos rodeados emprestasse o seu ritmo a uma forma lírica de nos dizer Portugal...

A Vida

A vida é o dia de hoje,
A vida é ai que mal soa,
A vida é sombra que foge,
A vida é nuvem que voa;

A vida é sonho tão leve
Que se desfaz como a neve
E como o fumo se esvai:
A vida dura um momento,
Mais leve que o pensamento,
A vida leva-a o vento,
A vida é folha que cai!


A vida é flor na corrente,
A vida é sopro suave,
A vida é estrela cadente,
Voa mais leve que a ave:
Nuvem que o vento nos ares,
Onda que o vento nos mares,
Uma após outra lançou,
A vida - pena caída
Da asa da ave ferida
De vale em vale impelida
A vida o vento levou!

João de Deus, Campo de Flores

Quem pode impedir a Primavera

Quem pode impedir a Primavera
Se as árvores se vão cobrir de flores
E o homem se sentiu sorrir à Vida?

Quem pode impedir a surda guerra
Que vai nos campos deslocando as pedras
- Mudas comparsas no ritmo das estações -
E da terra inerte ergueu milhares de lanças
Que a tremer avançam, cintilantes, para o limite
Em que a luz aquosa se derrama
Como um mar infinito onde o arado
Abre caminho misterioso à seiva inquieta!

Quem pode impedir a Primavera
Se estamos em Maio e uma ternura
Nos faz abrir a porta aos viandantes
E o amor se abriga em cada um dos nossos gestos.

Quem?...
Se os sonhos maus do Inverno dão lugar à Primavera!

Ruy Cinatti

domingo, 7 de março de 2010

Aniversários: Papa Clemente XIII, Ribeiro Sanches, Mondrian, Maurice Ravel

"Que importa, oh Sanches, que hajas escrutado

Do Numen de Epidauro altos segredos

Se has-de toccar (um pouco mais tardio)

A meta inevitável?"

Filinto Elísio

"Penamacor era, na altura, uma vila propícia, com guarnição militar e um castelo fernandino a lembrar a sua importância como fortaleza arraiana.

A minha família tem sangue judaico - meus pais são Simão Nunes e Ana Nunes Ribeiro, abastados comerciantes da região, cristãos-novos descendentes de outro grande médico Francisco Sanches (1551-1623).
Quando eu nasci já a fogueira da Santa Inquisição fazia arder corpos e almas no Rossio de Lisboa e de Évora, assim como nos Paços de Coimbra e Goa.
A débil constituição física, aliada a um perfil hipocondríaco, não irá alterar a minha dedicação ao estudo e à pesquisa, devido em parte ao meu espírito diligente e curioso, apesar dos caprichos dos tempos e do Homem.(...)"
António Nunes Ribeiro sanches

“… Além disso o povo não faz boas nem más acções e raríssimas vezes se move por sistema nem por reflexão: será cortês ou grosseiro, sisudo ou ralhador, pacífico ou insultador, conforme for tratado pelo seu cura, pelo seu juiz, pelo escudeiro ou lavrador honrado. O povo imita as acções dos seus maiores. A gente das vilas imita o trato das cidades à roda; as cidades o trato da capital; e a capital o da corte. Deste modo, que a mocidade plebeia tenha ou não mestre, os costumes, (leia-se cultura) que tiver serão sempre a imitação dos que virem nos seus maiores, e não do ensino que tiveram nas escolas …”. Cartas Sobre a Educação da Mocidade
(in http://www.vidaslusofonas.pt/ribeiro_sanches.htm)

http://www.cm-penamacor.pt/ex800/017.html

Mondrian é um dos meus pintores preferidos: é ele que me filtra a luz no corredor (à falta de dinheiro para vitral, mandei fazer uma transparência auto-colante para a grande janela...) e já esteve para me oferecer a elegância de um vestido, o conforto de uma carpete, a decoração das paredes da sala e nem me atrevo a dizer o resto... Gosto da força, alegria, pujança e singeleza das cores, bem como da sobriedade e segurança arquitectónica que elas me constroem. Cores fortes e puras, sintetizando uma forma de ser e estar na vida (aquela que se me vai desenhando e colorindo o dia-a-dia).
(na imagem, um designer gráfico sobrepõe Audrey Hepburn a um quadro de Mondrian: um miminho!)

http://olhandoacor.web.simplesnet.pt/significado_das_cores.htm
....
Quem resiste ao Boléro" de Maurice Ravel? Eu, não... (aqui encenado por Maurice Béjart)

sábado, 6 de março de 2010

Aniversários: Miguel Ângelo, Miguel Bombarda, Valentina Tereshkova

Escultor, pintor, arquitecto, poeta, pensador... Miguel Ângelo Buonarroti foi um dos meus  "ídolos" de adolescente. Foi  ele que me ensinou a olhar para  "ver" e a desbastar no universo de símbolos a forma (ou fórmula) da beleza (física, espiritual, anímica)... E depois a cor... e depois a estrutura... e depois...

"Como faço uma escultura? Simplesmente retiro do bloco de mármore tudo o que não é necessário.", Miguel Ângelo


"O amor é a asa veloz que Deus deu à alma para que ela voe até ao céu."Miguel Ângelo

"Observei o anjo gravado no mármore, até que eu o libertasse."Miguel Ângelo

(vale a pena consultar o youtube e ver os vídeos de homenagem a Michelangelo...)


“O Sr. Dr. Miguel Bombarda, no Hospital de S. José, antes da operação para a extracção das quatro balas com que o feriu o seu antigo cliente o tenente Aparício Rebello e que causaram a morte do ilustre democrata”.

Para a história ficaram as últimas palavras de Miguel Bombarda, que mostram, mesmo próximo da morte, não só informação como compaixão:
- “Não lhe façam mal. Ele é um doente!”
in http://dererummundi.blogspot.com/2007/08/miguel-bombarda-mdico-filsofo-e-poltico.html

Eu era pequenita, mas vibrei por dentro por "uma mulher" ser "astronauta"!... Não, eu nunca quis ser astronauta, sempre adorei astronautas e uma mulher ser astronauta para mim era astronáutico (do outro mundo, do outro mundo, do outro mundo!...)... e ela foi: Valentina Tereshkova (engraçado, que me lembro de estranhar por ninguém "refilar" por ela ser "russa"... e depois digam que as crianças são pequeninas, não percebem, ainda não têm idade...)

sexta-feira, 5 de março de 2010

Dia da Música Clássica / Aniversários: José Relvas, Pasolini, Lindley Cintra

"Va, pensiero", da ópera Nabucco de Verdi, continua a ser uma das minhas composições preferidas. Aqui, belíssima!...



A "Casa dos Patudos" de José Relvas é belíssima e só por nos ter legado aquele património já merece o seu ex-ilustre proprietário que aqui lhe deixe os parabéns... É uma casa-museu de dimensão humana, onde deve ter sido bom conviver e viver. Fotógrafo também, José Relvas tinha muitos "pontos de vista" privilegiados para captar a beleza
do quotidiano e a distribuir pelos seus comensais e visitas. (Do Republicano pouco sei, mas deve ter sido empenhado e sonhador, tendo em conta a casa que sonhou...)
http://www.cm-alpiarca.pt/alpiarca/Concelho/LocaisInteresse/Casa+Patudos.htm

Perturbador Pasolini... sensível, esteta, mas demasiado "borderline" para me oferecer sorrisos. "Pathos" é a melhor palavra que ainda tenho para o evocar. Faz-me lembrar o "Jardim das Delícias" de Bosch: de  um misticismo provocatório, mas místico, reconheço. Ainda assim e talvez também por isso, assustador.


(Adolescente, Bosch chegou a ser o meu pintor preferido e Pasolini, mais tarde, uma espécie de Ieronimus Bosch do cinema... Isso no tempo em que estudava o "monstro", a "máscara" e outras manifestações antropológicas afins...)


O professor  Lindley Cintra acabou por ser meu professor,  não o sendo (oficialmente). A minha vontade de continuar sua aluna permaneceu. Ainda olho para o ALPI como "um cais de pedra" à espera que eu embarque...

http://cvc.instituto-camoes.pt/figuras/lcintra.html

quinta-feira, 4 de março de 2010

Aniversários: Infante D. Henrique, Vivaldi, Eugénio de Castro, Georges Dumézil, Jan Garbarek

Não conheço melhor homenagem literária ao Infante D. Henrique, que "O Infante" no poema-epopeia (?) Mensagem, de Fernando Pessoa:

O INFANTE
Deus quer, o homem sonha, a obra nasce
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!

Fernando Pessoa, Mensagem

... e quanto a homenagem musical, lembro-me sempre do excelente "Por este rio acima" de Fausto que,  baseado na Peregrinação de Fernão Mendes Pinto, constrói uma também epopeia das nossas "Descobertas" (Fernão Mendes é o português embarcado nas naus do Infante...)
(no vídeo, a interpretação de Teresa Salgueiro; não melhor que a de Fausto, quanto a mim)



... e para ouvir o ano inteiro, uma oferta de António Vivaldi à eternidade (aqui, também num bonito vídeo...)



e, a propósito de música, um bocadinho da "música das vogais" do nosso Eugénio de Castro (aqui, todo em "E"), que alguma influência deve ter tido no nosso Fernando Pessoa da "Saudade Dada" (aqui, mais para o "I" e "A"...)

Um Sonho
Na messe, que enlourece, estremece a quermesse...
O sol, o celestial girassol, esmorece...
E as cantilenas de serenos sons amenos
Fogem fluidas, fluindo à fina flor dos fenos...
(...)
Eugénio de Castro, Oaristos

Saudade Dada Em horas inda louras, lindas
Clorindas e Belindas, brandas,
Brincam no tempo das berlindas,
As vindas vendo das varandas.
De onde ouvem vir a rir as vindas
Fitam a fio as frias bandas.
(...)
Fernando Pessoa

quarta-feira, 3 de março de 2010

Aniversários de D. João II, Bulhão Pato, Alexander Bell, Roger Caillois

É curioso!... Hoje, faz anos "El-rei D. João II" e, amanhã, o seu tio-avô e "pai" das nossas Descobertas (ou "Achamentos"), o Infante D. Henrique... Dirão (talvez) os astrólogos que o seu destino era o mar: dois peixes astrológicos que nos navegaram que nem golfinhos: não lhes resistimos (eu, pelo menos, não...)
Segue o "Mostrengo" de Fernando Pessoa, com um refrão para a eternidade: "El-rei D. João II"



Pato de pai, Brandy de mãe, o poeta Bulhão Pato foi também excelente gastrónomo: eu sou fã das suas amêijoas!... Encontrei a obra dele com download livre, no link mais abaixo. De lá retirei este "Brinde" em "Improviso": Quem me dera ser sua comensal...

UM BRINDE

(Improviso)

Amigos, á formosura
Que nos cerca neste instante,
Erga-se a taça escumante
De purpurino licor.
Vivo enthusiasmo rebente
Agora de nossas almas,
Caiam palmas sobre palmas
Cada vez com mais ardor!

Aqui floresce na horta
A viçosa laranjeira,
Corre o Champanhe e o Madeira
Que offertara nivea mão,
Aqui não chegam as garras
De tanta velha leôa
Que esfaimada por Lisboa
Se atira a tanto leão.

Aqui livre em nosso peitos
Pula impaciente alegria,
Porque ao sol de um bello dia
Tudo vemos reflorir!
Que importa pois que os ministros
Resonem no parlamento,
E que os homens de São Bento
Nem sequer nos façam rir?

Para nós sorri-se o mundo,
Para nós a vida é esta,
Hoje festa, amanhã festa,
Gloria, encantos, illusões!
Junto a nós temos as bellas
Mais fragrantes do que as rosas,
Longe... o mundo das preciosas,
E o mundo dos papellões!

Eia pois! á formosura
Que me cerca neste instante
Erga-se a taça escumante
De purpurino licor.
Vivo enthusiasmo rebente
Agora de nossas almas,
Caiam palmas sobre palmas
Cada vez com mais ardor!

Abril de 1859.
Bulhão Pato

(in: http://www.gutenberg.org/files/25840/25840-h/25840-h.htm ) e-book de poesia de Bulhão Pato

Jingle bells,

jingle bells...

to...

Mr. Bell...


Ringle bells

to

him...




"Todo o poder provém duma disciplina e corrompe-se a partir do momento em que se descuram os constrangimentos." Roger Caillois in O Citador