quarta-feira, 3 de março de 2010

Aniversários de D. João II, Bulhão Pato, Alexander Bell, Roger Caillois

É curioso!... Hoje, faz anos "El-rei D. João II" e, amanhã, o seu tio-avô e "pai" das nossas Descobertas (ou "Achamentos"), o Infante D. Henrique... Dirão (talvez) os astrólogos que o seu destino era o mar: dois peixes astrológicos que nos navegaram que nem golfinhos: não lhes resistimos (eu, pelo menos, não...)
Segue o "Mostrengo" de Fernando Pessoa, com um refrão para a eternidade: "El-rei D. João II"



Pato de pai, Brandy de mãe, o poeta Bulhão Pato foi também excelente gastrónomo: eu sou fã das suas amêijoas!... Encontrei a obra dele com download livre, no link mais abaixo. De lá retirei este "Brinde" em "Improviso": Quem me dera ser sua comensal...

UM BRINDE

(Improviso)

Amigos, á formosura
Que nos cerca neste instante,
Erga-se a taça escumante
De purpurino licor.
Vivo enthusiasmo rebente
Agora de nossas almas,
Caiam palmas sobre palmas
Cada vez com mais ardor!

Aqui floresce na horta
A viçosa laranjeira,
Corre o Champanhe e o Madeira
Que offertara nivea mão,
Aqui não chegam as garras
De tanta velha leôa
Que esfaimada por Lisboa
Se atira a tanto leão.

Aqui livre em nosso peitos
Pula impaciente alegria,
Porque ao sol de um bello dia
Tudo vemos reflorir!
Que importa pois que os ministros
Resonem no parlamento,
E que os homens de São Bento
Nem sequer nos façam rir?

Para nós sorri-se o mundo,
Para nós a vida é esta,
Hoje festa, amanhã festa,
Gloria, encantos, illusões!
Junto a nós temos as bellas
Mais fragrantes do que as rosas,
Longe... o mundo das preciosas,
E o mundo dos papellões!

Eia pois! á formosura
Que me cerca neste instante
Erga-se a taça escumante
De purpurino licor.
Vivo enthusiasmo rebente
Agora de nossas almas,
Caiam palmas sobre palmas
Cada vez com mais ardor!

Abril de 1859.
Bulhão Pato

(in: http://www.gutenberg.org/files/25840/25840-h/25840-h.htm ) e-book de poesia de Bulhão Pato

Jingle bells,

jingle bells...

to...

Mr. Bell...


Ringle bells

to

him...




"Todo o poder provém duma disciplina e corrompe-se a partir do momento em que se descuram os constrangimentos." Roger Caillois in O Citador

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