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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Dia Mundial da Terceira Idade

Como se Morre de Velhice

Como se morre de velhice
ou de acidente ou de doença,
morro, Senhor, de indiferença.

Da indiferença deste mundo
onde o que se sente e se pensa
não tem eco, na ausência imensa.

Na ausência, areia movediça
onde se escreve igual sentença
para o que é vencido e o que vença.

Salva-me, Senhor, do horizonte
sem estímulo ou recompensa
onde o amor equivale à ofensa.

De boca amarga e de alma triste
sinto a minha própria presença
num céu de loucura suspensa.

(Já não se morre de velhice
nem de acidente nem de doença,
mas, Senhor, só de indiferença.)

Cecília Meireles, in Poemas (1957)

sábado, 21 de março de 2009

Dia da Poesia/Dia da Floresta/Dia da Árvore/Dia do Sono/Dia da Eliminação da Discriminação Racial/Aniversário de J. S. Bach e R. Bordalo Pinheiro

O dia 21 de Março sempre foi, para mim, o dia da Primavera: o da menina que corria os campos a colher flores, o das cabriolices sobre os barrocos despenhados sobre a Rua da Quelha , o das cegonhas na torre mais alta do Mosteiro de Santo António, o das andorinhas volteando loquazes rumo a qualquer mapa e lindas, lindas, lindas... Fico por isso muito contente por hoje se celebrarem tantas efemérides:

ele é arvores,


é florestas,


é soninho descansado,

ele é encontro de cores,
e ele é a poesia e é mais aquele dia daqueles que fazem anos:
a andorinha do Rafael ( Bordalo Pinheiro)

e a música do João Sebastião (Bach)

e...

... e como a poesia é a linguagem da surpresa, aqui ficam momentos de encontro do homem com a sua infância: em estado de poesia, portanto (" sentir? Sinta, quem lê!", F. Pessoa)