E NÃO HÁ-DE HAVER UMA CEGONHA QUE NOS TRAGA DE NOVO O JOSÉ MARIA?...
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Aniversário de Eça de Queirós
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Aniversário de António Gedeão
Não pode Amor por mais que as falas mudeexprimir quanto pesa ou quanto mede.
Se acaso a comoção falar concede
é tão mesquinho o tom que o desilude.
Busca no rosto a cor que mais o ajude,
magoado parecer aos olhos pede,
pois quando a fala a tudo o mais excede
não pode ser Amor com tal virtude.
Também eu das palavras me arreceio,
também sofro do mal sem saber onde
busque a expressão maior do meu anseio.
E acaso perde, o Amor que a fala esconde,
em verdade, em beleza, em doce enleio?
Olha bem os meus olhos, e responde.
António Gedeão, in “Poesias Completas”
O poema que o poeta propositadamente escreveu
só para falar de amor,
de amor,
de amor,
de amor,
para repetir muitas vezes amor,
amor,
amor,
amor.
Para que um dia, quando o Cérebro Electrónico
contar as palavras que o poeta escreveu,
tantos que,
tantos se,
tantos lhe,
tantos tu,
tantos ela,
tantos eu,
conclua que a palavra que o poeta mais vezes escreveu
foi amor,
amor,
amor.
Este é o poema do amor.
António Gedeão
Imagem: Rick Clement
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Dia do Professor
O Professor como Mestre
Não me basta o professor honesto e cumpridor dos seus deveres; a sua norma é burocrática e vejo-o como pouco mais fazendo do que exercer a sua profissão; estou pronto a conceder-lhe todas as qualidades, uma relativa inteligência e aquele saber que lhe assegura superioridade ante a classe; acho-o digno dos louvores oficiais e das atenções das pessoas mais sérias; creio mesmo que tal distinção foi expressamente criada para ele e seus pares. De resto, é sempre possível a comparação com tipos inferiores de humanidade; e ante eles o professor exemplar aparece cheio de mérito. Simplesmente, notaremos que o ser mestre não é de modo algum um emprego e que a sua actividade se não pode aferir pelos métodos correntes; ganhar a vida é no professor um acréscimo e não o alvo; e o que importa, no seu juízo final, não é a ideia que fazem dele os homens do tempo; o que verdadeiramente há-de pesar na balança é a pedra que lançou para os alicerces do futuro.
A sua contribuição terá sido mínima se o não moveu a tomar o caminho de mestre um imenso amor da humanidade e a clara inteligência dos destinos a que o espírito o chama; errou o que se fez professor e desconfia dos homens, se defende deles, evita ir ao seu encontro de coração aberto, paga falta com falta e se mantém na moral da luta; esse jamais tornará melhores os seus alunos; poderão ser excelentes as palavras que profere; mas o moço que o escuta vai rindo por dentro porque só o exemplo o abala. Outros há que fazem da marcha do homem sobre a Terra uma estranha concepção; vêem-no girando perpetuamente nos batidos caminhos; e, julgando o mundo por si, não descobrem em volta mais que uma eterna condenação à maldade, à cegueira e à miséria; bem no fundo da alma nenhuma luz que os alumie e solicite; porque não acreditam em progresso nenhuma vontade de melhorar; são os que troçam daquilo a que chamam «a pedagogia moderna»; são os que se riem de certos loucos que pensam o contrário.
Ora o mestre não se fez para rir; é de facto um mestre aquele de que os outros se riem, aquele de que troçam todos os prudentes e todos os bem estabelecidos; pertence-lhe ser extravagante, defender os ideais absurdos, acreditar num futuro de generosidade e de justiça, despojar-se ele próprio de comodidades e de bens, viver incerta vida, ser junto dos irmãos homens e da irmã Natureza inteligência e piedade; a ninguém terá rancor, saberá compreender todas as cóleras e todos os desprezos, pagará o mal com o bem, num esforço obstinado para que o ódio desapareça do mundo; não verá no aluno um inimigo natural, mas o mais belo dom que lhe poderiam conceder; perante ele e os outros nenhum desejo de domínio; o mestre é o homem que não manda; aconselha e canaliza, apazigua e abranda; não é a palavra que incendeia, é a palavra que faz renascer o canto alegre do pastor depois da tempestade; não o interessa vencer, nem ficar em boa posição; tornar alguém melhor — eis todo o seu programa; para si mesmo, a dádiva contínua, a humildade e o amor do próximo.
Agostinho da Silva, in 'Considerações'
in o citador
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Aniversário de Bocage
Excessivo... explosivo... monumental na dor, no amor e nos afectos... na forma da escrita e no empolamento das paixões... temível e, às vezes, burlesco... "Eis Bocage em quem luz algum talento", dizia ele... Muito talento, acho eu...
Fica um poema satírico, onde o calão é arma de arremesso social e grito de humor e dor.
"A Água"
Meus senhores eu sou a água
que lava a cara, que lava os olhos
que lava a rata e os entrefolhos
que lava a nabiça e os agriões
que lava a piça e os colhões
que lava as damas e o que está vago
pois lava as mamas e por onde cago.
Meus senhores aqui está a água
que rega a salsa e o rabanete
que lava a língua a quem faz minete
que lava o chibo mesmo da raspa
tira o cheiro a bacalhau rasca
que bebe o homem, que bebe o cão
que lava a cona e o berbigão.
Meus senhores aqui está a água
que lava os olhos e os grelinhos
que lava a cona e os paninhos
que lava o sangue das grandes lutas
que lava sérias e lava putas
apaga o lume e o borralho
e que lava as guelras ao caralho
Meus senhores aqui está a água
que rega rosas e manjericos
que lava o bidé, que lava penicos
tira mau cheiro das algibeiras
dá de beber ás fressureiras
lava a tromba a qualquer fantoche e
lava a boca depois de um broche.
Manuel Maria Barbosa du Bocage
Vídeo: "Bocage por detrás da história", making off
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
terça-feira, 26 de julho de 2011
Dia dos Avós
Os avós sabem do milagre da Vida... por isso, a avó Direjná quando grigrila (canta), faz brotar a água para os seus netos e eles são felizes até que e se...
Vale muito a pena ver esta belíssima animação sobre uma lenda boliviana... pelo amor aos avós (à terra, à Natureza, à Vida)...
Esta é uma história que é contada milenarmente pelo povo Ayoreo, da Bolívia. Dizem eles que no principio havia uma avó, que era um grilo chamado Direjná. Esta avózinha era a dona da água e por onde quer que ela passasse com seu canto de amor, a água brotava. Um dia, os netos pediram que ela fosse embora e ela partiu, triste. Mas, na medida em que ia sumindo, também a água ia embora. Neste vídeo, a história se atualiza e na sua viagem para lugar nenhum a avó é encontrada pelos empresários que a aprisionam e fazem com que ela faça a água cair apenas nos seus caminhões pipa. Então, eles vendem a água. O povo passa necessidade e sofre. A avózinha também sofre. Até que um dia, o povo entende que é preciso lutar. Então….
Vale a pena ver essa beleza de desenho animado, que representa a poderosa luta dos povos originários contra a mercantilização da natureza.
A produção foi feita na Dinamarca, por The Animation Workshop, Nicobis, Escorzo, e pela Comunidade de Animadores Bolivianos. O trabalho de desenho foi realizado por oito animadores bolivianos, dirigido por um francês, com música da embaixadora da Bolívia na França, e a ajuda de um mexicano e uma alemã. Todo juntos na defesa dos recursos naturais.
Elaine Tavares, in http://www.brasildefato.com.br/node/4499
Vale muito a pena ver esta belíssima animação sobre uma lenda boliviana... pelo amor aos avós (à terra, à Natureza, à Vida)...
Esta é uma história que é contada milenarmente pelo povo Ayoreo, da Bolívia. Dizem eles que no principio havia uma avó, que era um grilo chamado Direjná. Esta avózinha era a dona da água e por onde quer que ela passasse com seu canto de amor, a água brotava. Um dia, os netos pediram que ela fosse embora e ela partiu, triste. Mas, na medida em que ia sumindo, também a água ia embora. Neste vídeo, a história se atualiza e na sua viagem para lugar nenhum a avó é encontrada pelos empresários que a aprisionam e fazem com que ela faça a água cair apenas nos seus caminhões pipa. Então, eles vendem a água. O povo passa necessidade e sofre. A avózinha também sofre. Até que um dia, o povo entende que é preciso lutar. Então….
Vale a pena ver essa beleza de desenho animado, que representa a poderosa luta dos povos originários contra a mercantilização da natureza.
A produção foi feita na Dinamarca, por The Animation Workshop, Nicobis, Escorzo, e pela Comunidade de Animadores Bolivianos. O trabalho de desenho foi realizado por oito animadores bolivianos, dirigido por um francês, com música da embaixadora da Bolívia na França, e a ajuda de um mexicano e uma alemã. Todo juntos na defesa dos recursos naturais.
Elaine Tavares, in http://www.brasildefato.com.br/node/4499
segunda-feira, 18 de julho de 2011
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Dia Mundial das Redes Sociais
(de Almada Negreiros, Lá vem a Nau Catrineta)
Aqui, como na vida. É igual.
BARCA BELA
Pescador da barca bela,
Onde vás pescar com ela,
Que é tão bela,
Ó pescador?
Não vês que a última estrela
No céu nublado se vela?
Colhe a vela,
Ó pescador!
Deita o lanço com cautela,
Que a sereia canta bela ...
Mas cautela,
Ó pescador!
Não se enrede a rede nela,
Que perdido é remo e vela
Só de vê-la,
Ó pescador.
Pescador da barca bela,
Inda é tempo, foge dela,
Foge dela,
Ó pescador!
Almeida Garrett, Folhas Caídas
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Dia de Santo António / Aniversário de Fernando Pessoa
ROMANCE
Estava Santo António
um sermão a decorar,
quando o Menino Jesus
no livro lhe foi poisar,
tão bonito e tão alegre
que era mesmo de pasmar.
-Menino, olhe que amanhã
tenho muito que pregar,
andam as almas perdidas;
anda o demónio a tentar,
para vencer o demónio
tenho muito que estudar.
-António, tanta leitura
vai os teus olhos cansar,
nunca levantas a cabeça,
nunca vais apanhar ar;
leva-me em cima do livro,
vamos os dois passear.
-Mas, meu Menino, amanhã
tenho muito que pregar,
se me não ouvirem homens,
oiçam-me os peixes do mar;
as almas perdem-se todas
e eu todas lhe quero dar.
-António, as almas perdidas,
sempre as havemos de achar;
o dia está tão bonito,
estão os cravos a cheirar;
se me não levas ao colo,
co'os teus papeis vou brincar!
Afonso Lopes Vieira
"A quadra é um vaso de flores que o Povo põe à janela da sua alma. Da órbita triste do vaso escuro a graça exilada das flores atreve o seu olhar de alegria. Quem faz quadras portuguesas comunga a alma do povo, humildemente de todos nós e errante dentro de si próprio. Ser intensamente patriótico é, primeiro, valorizar em nós o indivíduo que somos, e fazer o possível por que se valorizem os nossos compatriotas, para que assim a Nação que é a suma viva dos indivíduos que a compõem, e não o amontoado de pedras e areia que compõem o seu território, ou a coleção de palavras separadas ou ligadas de que forma o seu léxico ou a sua gramática — possa orgulhar-se de nós que, porque ela nos criou, somos seus filhos, e seus pais, porque a vamos criando", Fernando Pessoa
Então, para o menino Fernando que também é Pessoa, hoje mandamos umas quadras para ele pôr no seu manjerico:
O Santo António é tão crido
e querido por nós todos
que até nos dá o menino
p'ra andarmos com ele ao colo.
É certo que este Menino
já nos deu colo a nós todos...
mas esta é uma lei da vida
que nos dá grande consolo.
Hoje, o colo é do Fernando,
que só não foi de Bulhões,
enviamos-lhe estas quadras,
que nos saem dos corações.
Foi forte, belo e sadio,
pensou por ele e por nós
e com o seu desafio,
já fez de nós bons avós.
Como Pessoa o ouvimos,
com o seu silêncio sonhamos,
às vezes é um menino,
ao colo de quem amamos;
é Fernando, talvez Pessoa
ou de Bulhões seja ele...
Gostamos do Santo António
e celebramos-lhes o treze
(de Junho, claro!...)
Oh meu querido Fernando,
foste de bulha e bulhões,
por fora Fernando António,
sonhaste-nos os alçapões.
Tanta cabeça da gente
por dentro da tua, sonhada;
depois do perigo ingente,
saímos de alma elevada.
Acho que foi Santo António
que te foi pegando ao colo
e que tocando o harmónio,
nos foste embalando a todos...
Agradece-lhe por nós
as quadras com que nos brindas
e pede-lhe que nos dê voz
p'ra lhe dar as boas-vindas
no próximo 13 de junho
do ano que se aproxima...
Bem haja ele para nós
que é o que a Vida nos destina.
(E, então, até p'ró ano... Parabéns!...)
Estava Santo António
um sermão a decorar,
quando o Menino Jesus
no livro lhe foi poisar,
tão bonito e tão alegre
que era mesmo de pasmar.
-Menino, olhe que amanhã
tenho muito que pregar,
andam as almas perdidas;
anda o demónio a tentar,
para vencer o demónio
tenho muito que estudar.
-António, tanta leitura
vai os teus olhos cansar,
nunca levantas a cabeça,
nunca vais apanhar ar;
leva-me em cima do livro,
vamos os dois passear.
-Mas, meu Menino, amanhã
tenho muito que pregar,
se me não ouvirem homens,
oiçam-me os peixes do mar;
as almas perdem-se todas
e eu todas lhe quero dar.
-António, as almas perdidas,
sempre as havemos de achar;
o dia está tão bonito,
estão os cravos a cheirar;
se me não levas ao colo,
co'os teus papeis vou brincar!
Afonso Lopes Vieira
"A quadra é um vaso de flores que o Povo põe à janela da sua alma. Da órbita triste do vaso escuro a graça exilada das flores atreve o seu olhar de alegria. Quem faz quadras portuguesas comunga a alma do povo, humildemente de todos nós e errante dentro de si próprio. Ser intensamente patriótico é, primeiro, valorizar em nós o indivíduo que somos, e fazer o possível por que se valorizem os nossos compatriotas, para que assim a Nação que é a suma viva dos indivíduos que a compõem, e não o amontoado de pedras e areia que compõem o seu território, ou a coleção de palavras separadas ou ligadas de que forma o seu léxico ou a sua gramática — possa orgulhar-se de nós que, porque ela nos criou, somos seus filhos, e seus pais, porque a vamos criando", Fernando Pessoa
Então, para o menino Fernando que também é Pessoa, hoje mandamos umas quadras para ele pôr no seu manjerico:
O Santo António é tão crido
e querido por nós todos
que até nos dá o menino
p'ra andarmos com ele ao colo.
É certo que este Menino
já nos deu colo a nós todos...
mas esta é uma lei da vida
que nos dá grande consolo.
Hoje, o colo é do Fernando,
que só não foi de Bulhões,
enviamos-lhe estas quadras,
que nos saem dos corações.
Foi forte, belo e sadio,
pensou por ele e por nós
e com o seu desafio,
já fez de nós bons avós.
Como Pessoa o ouvimos,
com o seu silêncio sonhamos,
às vezes é um menino,
ao colo de quem amamos;
é Fernando, talvez Pessoa
ou de Bulhões seja ele...
Gostamos do Santo António
e celebramos-lhes o treze
(de Junho, claro!...)
Oh meu querido Fernando,
foste de bulha e bulhões,
por fora Fernando António,
sonhaste-nos os alçapões.
Tanta cabeça da gente
por dentro da tua, sonhada;
depois do perigo ingente,
saímos de alma elevada.
Acho que foi Santo António
que te foi pegando ao colo
e que tocando o harmónio,
nos foste embalando a todos...
Agradece-lhe por nós
as quadras com que nos brindas
e pede-lhe que nos dê voz
p'ra lhe dar as boas-vindas
no próximo 13 de junho
do ano que se aproxima...
Bem haja ele para nós
que é o que a Vida nos destina.
(E, então, até p'ró ano... Parabéns!...)
domingo, 22 de maio de 2011
Dia Internacional da Biodiversidade / Dia do Autor Português
Há tantos cães, gatos e pássaros como chapéus...: MUITOS!...
Andam à nossa volta, partilham o nosso espaço... e cuidam de nós...
Hoje, que é "Dia do Autor Português", trouxe um apontamento de cor da paleta de dois autores portugueses mais conotados com a infância e juventude... Ora vejam lá se esta paleta de cores tem idade!?... Gostaram? Eu, muito... Até nasceu um arco-íris aqui no meu bloguinho, só de os ler!...
Andam à nossa volta, partilham o nosso espaço... e cuidam de nós...
Hoje, que é "Dia do Autor Português", trouxe um apontamento de cor da paleta de dois autores portugueses mais conotados com a infância e juventude... Ora vejam lá se esta paleta de cores tem idade!?... Gostaram? Eu, muito... Até nasceu um arco-íris aqui no meu bloguinho, só de os ler!...
Onde nasce o arco-íris?
Quem inventou as cores?
Como esquecer o azul?
Ao que sabe o laranja?
Ao que soa o violeta?
Quem vai contar ao verde
a cor que o verde tem?
O que sobra do vermelho?
Gota a gota, donde veio o anil?
Para onde fogem as cores
quando a noite vem?
E todas juntas
que sabem elas do branco?
(...)
in Mª Alberta Memeres e António Torrado (1983), O Livro das 7 Cores
sexta-feira, 13 de maio de 2011
sexta-feira, 22 de abril de 2011
Dia Mundial da Terra
PASTORAL
Não há, não,
duas folhas iguais em toda a criação.
Ou nervura a menos, ou célula a mais,
não há de certeza, duas folhas iguais.
Limbo, todas têm,
que é próprio das folhas;
pecíolo algumas;
baínha nem todas.
Umas são fendidas,
crenadas, lobadas,
inteiras, partidas,
singelas, dobradas.
Outras acerosas,
redondas, agudas,
macias, viscosas,
fibrosas, carnudas.
Nas formas presentes,
nos actos distantes,
mesmo semelhantes
são sempre diferentes.
Umas vão e caem no charco cinzento,
e lançam apelo nas ondas que fazem;
outras vão e jazem
sem mais movimento.
Mas outras não jazem,
nem caem, nem gritam,
apenas volitam
nas dobras do vento.
É dessas que eu sou.
António Gedeão
N. B.: a ilustração foi retirada de art's, belíssimo site com trabalhos sobre folhas secas, entre outras "obras de arte"... e tudo começou com uma história de amor entre um rapaz chinês que encontrou a folha exacta para declarar o seu amor à mulher amada... O amor é a melhor escolha... verdade!!!...
Não há, não,
duas folhas iguais em toda a criação.
Ou nervura a menos, ou célula a mais,
não há de certeza, duas folhas iguais.
Limbo, todas têm,
que é próprio das folhas;
pecíolo algumas;
baínha nem todas.
Umas são fendidas,
crenadas, lobadas,
inteiras, partidas,
singelas, dobradas.
Outras acerosas,
redondas, agudas,
macias, viscosas,
fibrosas, carnudas.
Nas formas presentes,
nos actos distantes,
mesmo semelhantes
são sempre diferentes.
Umas vão e caem no charco cinzento,
e lançam apelo nas ondas que fazem;
outras vão e jazem
sem mais movimento.
Mas outras não jazem,
nem caem, nem gritam,
apenas volitam
nas dobras do vento.
É dessas que eu sou.
António Gedeão
N. B.: a ilustração foi retirada de art's, belíssimo site com trabalhos sobre folhas secas, entre outras "obras de arte"... e tudo começou com uma história de amor entre um rapaz chinês que encontrou a folha exacta para declarar o seu amor à mulher amada... O amor é a melhor escolha... verdade!!!...
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Aniversário de Leonardo da Vinci
“Temos, pois, que na Renascença, a idade dos artistas, havia efectivamente artistas, isto é, indivíduos enciclopédicos, indivíduos de perfeito conhecimento geral. É sobretudo isto: indivíduos libertos das grades de cada profissão porque são mestres de todas. Isto quer dizer: artistas”.
in http://www.fcsh.unl.pt/docentes/gvideiralopes/index_ficheiros/olhar_do_pintor.pdf
http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/seminario/davinci/index.htm (site com informação e bibliografia interessantes...)
terça-feira, 12 de abril de 2011
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Aniversário de Almada Negreiros / Dia nacional dos Moínhos
"O preço de uma pessoa vê-se na maneira como gosta de utilizar as palavras. Lê-se nos olhos das pessoas. As palavras dançam nos olhos das pessoas conforme o palco dos olhos de cada um."
Almada Negreiros, Poesia Impressão Digital
... E do MOINHO, "Palco dos olhos de cada um" (com desenho inciso de Almada Negreiros no pórtico da Faculdade de Letras de Lisboa) e palavras de António Gedeão, passamos para o site da "Rede Nacional de Moinhos"... a visitar aqui .
Os meus olhos são uns olhos,
e é com esses olhos uns
que eu vejo no mundo escolhos,
onde outros, com outros olhos,
não vêem escolhos nenhuns.
Quem diz escolhos, diz flores!
De tudo o mesmo se diz!
Onde uns vêem luto e dores,
uns outros descobrem cores
do mais formoso matiz.
Pelas ruas e estradas
onde passa tanta gente,
uns vêem pedras pisadas,
mas outros gnomos e fadas
num halo resplandecente!!
Inútil seguir vizinhos,
querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos!
Onde Sancho vê moinhos,
D.Quixote vê gigantes.
Vê moinhos? São moinhos!
Vê gigantes? São gigantes!
António Gedeão, in Movimento Perpétuo
... E do MOINHO, "Palco dos olhos de cada um" (com desenho inciso de Almada Negreiros no pórtico da Faculdade de Letras de Lisboa) e palavras de António Gedeão, passamos para o site da "Rede Nacional de Moinhos"... a visitar aqui .
sexta-feira, 25 de março de 2011
Dia Internacional da Recordação das Vítimas de Escravatura e Tráfico de Escravos / Aniversário de Aretha Franklin
Perguntei ao vento
Onde foi encontrar
Mago sopro encanto
Nau da vela em cruz
Foi nas ondas do mar
Do mundo inteiro
Terras da perdição
Parco império mil almas
Por pau de canela e mazagão
Pata de negreiro
Tira e foge à morte
Que a sorte é de quem
A terra amou
E no peito guardou
Cheiro da mata eterna
Laranja luanda
Sempre em flor.
Vitorino Salomé
Happy birthday, Ms Aretha Franklin!...
quarta-feira, 23 de março de 2011
Dia da Meteorologia / Aniversários: Calouste Gulbenkian, Akira Kurosawa
Para o "Dia da Meteorologia", que tal uns provérbios?... Escolhi este para "arranjar clima"...
"Março marçagão, de manhã cara de cão, ao meio-dia de rainha e à noite de fuinha."
in http://www.lusolingua.com/proverbios_meses.html
Inolvidável filme de Akira Kurosawa: "Sonhos"...
Nós é que ficámos de parabéns... Desta vez fica um pouco do Museu da Fundação (saudades de Guardi e Lalique)...
in http://www.lusolingua.com/proverbios_meses.html
Inolvidável filme de Akira Kurosawa: "Sonhos"...
Nós é que ficámos de parabéns... Desta vez fica um pouco do Museu da Fundação (saudades de Guardi e Lalique)...
terça-feira, 22 de março de 2011
Dia Mundial da Água / Dia do Teatro Amador / Aniversário: Marcel Marceau
A história de uma pocinha de Água (animação)...
A história do filósofo Epicteto por uma companhia de teatro amador de Aveiro...
Marcel Marceau ou O Corpo que Fala...
(no início faz lembrar Michael Jackson?... É que este se inspirou em Marceau...)
http://www.youtube.com/watch?v=D8brJ1S3VXk
A história do filósofo Epicteto por uma companhia de teatro amador de Aveiro...
Marcel Marceau ou O Corpo que Fala...
(no início faz lembrar Michael Jackson?... É que este se inspirou em Marceau...)
http://www.youtube.com/watch?v=D8brJ1S3VXk
segunda-feira, 21 de março de 2011
Dia Mundial da Árvore/ Dia Mundial do Sono / Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial / Dia Mundial da Poesia / Aniversários: Bach, Rafael Bordallo Pinheiro
Conheço árvores de todas as cores que os meus olhos já viram
por dentro e por fora das cores e das árvores que realmente viram.
E conheço também árvores e nações com as mesmas cores
das árvores que já vi...
porque o sol é bom e gosta de pintar os dias dos homens e das nações
com o seu vário espreguiçar-se pelas horas, dias e estações que já sabemos.
E é por isso que as pessoas têm cores diferentes... e as árvores... e as nações...
e os bichos do Bordallo Pinheiro e as partituras de Bach
(que poderemos ver, a seguir, em vídeo)...
Como quem não quer a coisa, pedi ao Paul Klee se podería amanhecer o seu "Ar sério" com um pouco deste sol menino que nasce para todos... Ele deixou e olha no que resultou: um "Klee feliz" (aqui em cima). É que o sol gosta de "cativar" o barco que as pessoas são...
(Ah! E, já agora, de que cor é o Klee?...)
por dentro e por fora das cores e das árvores que realmente viram.
E conheço também árvores e nações com as mesmas cores
das árvores que já vi...
porque o sol é bom e gosta de pintar os dias dos homens e das nações
com o seu vário espreguiçar-se pelas horas, dias e estações que já sabemos.
E é por isso que as pessoas têm cores diferentes... e as árvores... e as nações...
e os bichos do Bordallo Pinheiro e as partituras de Bach
(que poderemos ver, a seguir, em vídeo)...
Como quem não quer a coisa, pedi ao Paul Klee se podería amanhecer o seu "Ar sério" com um pouco deste sol menino que nasce para todos... Ele deixou e olha no que resultou: um "Klee feliz" (aqui em cima). É que o sol gosta de "cativar" o barco que as pessoas são...
(Ah! E, já agora, de que cor é o Klee?...)
domingo, 20 de março de 2011
Dia da Agricultura / Aniversários: Ovídio, Hölderlin, Gogol, Ibsen, Ilse Losa, Alice Vieira
A agricultura, como outras actividades de subsistência humana, também tem os seus mitos fundadores... Geralmente, é a uma entidade feminina que cabe essa dádiva de amor ao humano. Encontrei no youtube (oh abençoada videoteca virtual!...) um pequeno filme de animação que nos conta desse amor ao humano na tribo índia dos Krahô... Belíssimo mito, belíssimos desenhos, belíssima animação... e com uma D. Coruja, tão bela, sábia e didáctica nas suas lições sobre "agricultura biológica" (hoje, chamamos-lhe assim!...), que tornam o filmezinho quase mítico (para mim, claro!)... Ora, vamos lá ver então "O Mito de Catxêkwyj"...
sábado, 19 de março de 2011
quinta-feira, 17 de março de 2011
Dia Internacional da Marinha / Aniversário de Rudolf Nureyev
Por mares nunca dantes navegados... TALENT DE BIEN FAIRE
Está em italiano, mas percebe-se bem... Muito belo, Nureyev!...
Está em italiano, mas percebe-se bem... Muito belo, Nureyev!...
terça-feira, 15 de março de 2011
Dia Mundial dos Direitos do Consumidor
Marketing
Aqui a meu lado o bom cidadão
escolheu Sagres
que é tudo tudo cerveja
a pausa que refresca
a longa pausa de um longo cigarro King Size.
atenção ao marketing.
Eu não gosto de cerveja
mas tenho de gostar que os outros gostem de cerveja
sobretudo da Sagres
para não contrariar os fabricantes de cerveja.
atenção ao marketing.
ninguém contraria os fabricantes da Opel e da Super Silver
nem os fabricantes de alcatifas para panaceias
nem as panaceias nem os códigos e os édredons macios
nem as mensagens de natal dos estadistas
nem os negociantes de armas da Suíça
nem o homem da capa negra que virou costas ao Palmolive.
Está tudo perfeito e deito-me no conforto de um Lusospuma
a ver as procissões a passar mesmo sem anjos mesmo sem anjos
que são agora selvagens e voam numa Harley.
Deito-me e obedeço aos fabricantes do Clarim
que é uma alta onda ou uma onda alta
sem esquecer as fitas do John Wayne e a chama viva do Butagás
e se calhar sentir fome terei toda a frescura serrana
numa fatia de pão.
atenção ao marketing.
Vitonizo-me desodorizo-me atravesso as ruas nas passagens de peões
louvo quem me dizem para louvar e desconfio dos negros americanos
e dos blousons noirs que não usam Lux
e não compram um frigorífico a prestações
e com o meu escudo invisível
protejo-me dos vírus subversivos
sou um bom cidadão sou um bom cidadão
obedeço ao marketing à General Motors e ao Pentágono.
Dantes tinha problemas era o odor corporal
e eu não o sabia até me higienizar seis vezes ao dia com o sabonete das estrelas
e as paradas marciais e os 5-3 do Eusébio à Coreia
e o talco Cadum que ama demoradamente roucamente tepidamente
os corpos que merecem ser amados…
Obedeço ao marketing não contrario.
Ninguém contraria os fabricantes das ideias e os fabricantes do Fula
que é o da cor do sol
ninguém pisa os riscos brancos do tráfego
nem chama os bombeiros sem concorrer ao sorteio
concorro concorro e vejo nos sinaleiros o pai natal vestido de Scotchgard
ninguém sai do emprego antes de assinar o ponto a horas fixas
e gastar o dinheiro da semana sábado à tarde
no Dardo que é tudo a prestações e é mesmo em frente da Música no Coração.
Fazendo Portugal mais alegre com o folclore da TV e a tinta Robbialac
não contrario obedeço obedeço e meto os meninos na cama
quando me dizem vamos dormir.
atenção ao marketing.
Sagres é uma boa cerveja
e eu acabarei por gostar da Sagres
como gosto do Rexina.
Sagres é a pausa que refresca e tem vitaminas
todas as bebidas da televisão têm vitaminas
mesmo as do programa literário que é detergente
e eu uso-as e sou um cidadão perfeito
e até já consigo adormecer com hipnóticos
depois de tomar o Tofa descafeinado
e no Verão visto calções de banho de fibras sintéticas
para me banhar na Torralta
cidadão perfeito perfeitamente bronzeado com o Ambre Solaire.
Também vou arear as caçarolas e os nervos e os miolos
com um pó azul de que não me lembra o nome
não me lembra mas a culpa já não é minha
porque na mesma noite
massajado com Aqua Velva
fiz a barba com Gillette e Schick e Nacet
e fui não sei aonde com a mesma lâmina
e oito dias depois (eu era actor ou toureiro?)
a lâmina ainda me escanhoou mais uma barba
antes de eu descer no aeroporto
onde me esperava um agente de marketing.
Os produtores viram-se à descida do avião
primeiro julgaram que era o filho da Sophia Loren
ou o Onassis mas era eu
e gostaram da minha barba bem feita.
(Da barba bem feita
ou do casaco Dralon que não se amarrotara
durante a viagem da Polinésia para Lisboa?)
Confesso que já não me lembra mas a culpa não é minha
pois na mesma noite
fui o homem de não sei quê que marca o rumo
por vestir regras ou camisas ou calças que não se enrugam
e fartei-me de assistir a discursos e a inaugurações
e fartei-me de comer chocolates Regina e pescada congelada
e de lavar a roupa com Ajax e com o Rino
e de me banhar com Omo ou seja uma onda de brancura
e fiz-me mecânico de automóveis
só para que o cavaleiro da armadura branca
me tocasse com a sua lança mágica
e me pusesse branco branco branco
três vezes branco como as páginas do Reader's
de cérebro irrepreensivelmente lexivizado
pelos locutores da televisão pela oratória dos políticos
e passado a ferro com um ferro eléctrico automático
pelos locutores da televisão pela oratória dos políticos
e passado a ferro com um ferro eléctrico automático
que talvez fosse — ou não? — uma enceradora Philips.
Tudo coisas admiráveis e desesperadamente necessárias
que eu devo ao marketing
e me são cozinhadas num abrir e fechar de olhos
nas panelas de pressão
de todo o bom cidadão.
E no intervalo bebi café puro o do gostinho especial
Sical Sical que é um luxo verdadeiro
por pouco dinheiro.
Vitonizado esterilizado comprando e concorrendo
esqueci-me de amar do amor das árvores e do rio
esqueci-me de mim tão entretido estava a admirar a Lisnave
esqueci-me do rio e dos barcos
e da saudade de pedra do Fernando Pessoa
e esqueci-me de sonhar que era marinheiro.
Concorra concorra foi por isso que não reparei
que uma rapariga cortou as veias
talvez fosse com uma Diplomatic
que tem o fio e o silvo de uma espada a degolar avestruzes.
No programa só havia bombeiros
nem uma rapariga a cortar as veias (não não era a Caprília)
nem o rio nem o amor nem a raiva da Venezuela.
Se mágoa sentia era a de ter esquecido
dar murros no espião da Missão Impossível
(atenção ao marketing)
e já não saí de casa para ver o rio
só pelo gosto de me aquecer com uma Ignis.
E na mesma noite noite boa noite branca
fumei Estoril Valetes Kayakes e bebi Compal
depois da Salus e da Schweppes
fumei quilómetros e quilómetros de prazer
quilómetros e mais quilómetros — há um Ford no meu futuro —
mais facturas mais fomes mais prazer
e agora já não sei qual dos cigarros com filtro
me soube melhor.
Foram todos foram todos de certeza
pois se me dizem que preciso do Omo
do Ajax do Estoril do Dralon
do esquentador e das alcatifas sem nódoas
não me preocupo não te preocupes
o Meraklon não preocupa ninguém
mando para o diabo o amor e o rio e a rapariga que cortou as veias
não me preocupo não me preocupo
digo pois pois ao Jota Pimenta e ao Escort
e hei-de virar-me do avesso para os possuir.
Os corpos que merecem ser amados merecem o talco Cadum.
Numa onda de brancura obedeço ao marketing. Sou um bom cidadão.
E na mesma noite
vi umas bombas que caíam muito ao longe
numa lonjura mais longe que a Lua
onde as pessoas podiam estar quietas a fumas Marialvas
e a lavarem-se com Rino que lava lava lava
lava três vezes mais lava ou mata que se farta
e me ajuda a ser bom cidadão.
atenção ao marketing.
Vi uns homens a inaugurarem estátuas
e vi fardas e paradas e conferências
e crianças a sorrir
para os homens sorridentes que inaguravam estátuas
e vi homens que falavam e pensavam por mim
a escolherem por mim o bom e o mau
de modo a que eu não possa ser tentado
a confundir o mau com o bom ou vice-versa ou vice-versa.
Deitado no conforto de um Lusospuma
vi os porcalhões dos hippies nas ruas de Estocolmo
bem longe nas ruas de Estocolmo
mesmo a pedirem uns safanões
dos homens que acariciam crianças
e têm todas as verdades na mão
só para que eu seja um bom cidadão.
É isto: marco o rumo. As minhas cuecas marcam o rumo.
Preciso e gosto de uma data de coisas
e só agora o sei.
Menos da Sagres. Mas acabarei por gostar.
Ninguém contraria o marketing por muito tempo.
Ninguém contraria os fabricantes de bem fazer
o bom cidadão.
E tudo graças ao marketing.
Fernando Namora
segunda-feira, 14 de março de 2011
Aniversário de Einstein
1 (Ein) + Pedra (Stein) preciosa
com música dentro...
"Einstein tinha pela música um amor profundo, que raiava o espiritual. Hans Byland recorda ter tocado sonatas de Mozart com o jovem Einstein, então com 17 anos: «Quando ele começou a tocar violino, a sala pareceu amplificar-se. Eu estava a ouvir o verdadeiro Mozart pela primeira vez em toda a beleza grega da limpidez das suas linhas, ora graciosas ora magnificamente poderosas. Aquilo é divinal, dizia ele, temos de tocar outra vez. Que alma na forma como tocava! Eu não o reconhecia.» Os compositores preferidos de Einstein eram Bach, Mozart e Schubert, (...)." in http://anapaulasenabelo.blogspot.com/2007/06/einstein-e-msica.html
terça-feira, 8 de março de 2011
Dia Internacional da Mulher
Três mulheres
Três gestos de fazer florir
a poesia.
Sapho
(s. VII a. c., Grécia)
(s. VII a. c., Grécia)
"O Belo e o Bom"
Quem é belo
é belo aos olhos
- e basta.
Mas quem é bom
é subitamente belo.
Safo, Líricas em Fragmentos, Vega, 1991.
Marie de France
(s. XII, França)
(s. XII, França)
" Lai de Chèvrefeuille "
O Lai da madressilva
Ambos eram dois,
tal qual a madressilva
que se enlaça à avelaneira:
quando estão enleadas e presas
e todo o caule de uma envolvido pela outra,
unidas podem por longo tempo viver;
mas se há quem as queira apartar,
a avelaneira morre em pouco tempo,
e a madressilva também.
"Bela amiga, assim somos nós:
nem vós sem mim, nem eu sem vós "
nem vós sem mim, nem eu sem vós "
( "Bele amie si est de nus
ne vus sanz mei, ne jeo sanz vus"
(versos 68-78)
tradução de Orlando Nunes de Amorim, in http://olhar.ufscar.br/index.php/olhar/article/view/33/28
Sophia de Mello Breyner Andresen
(s. XX, Portugal)
Mulheres à beira-mar
Confundindo os seus cabelos com os cabelos do vento,
têm o corpo feliz de ser tão seu e tão denso em plena liberdade.
Lançam os braços pela praia fora
e a brancura dos pulsos penetra nas espumas.
Passam aves de asas agudas e a curva dos seus olhos
prolonga o interminável rastro no céu branco.
Com a boca colada ao horizonte aspiram longamente
a virgindade de um mundo que nasceu.
O extremo dos seus dedos toca o cimo de delícia
e vertigem onde o ar acaba e começa.
E aos seus ombros cola-se uma alga, feliz de ser tão verde.
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Sophia de Mello Breyner A
segunda-feira, 7 de março de 2011
domingo, 6 de março de 2011
sábado, 5 de março de 2011
sexta-feira, 4 de março de 2011
Aniversários: Infante D. Henrique, Antonio Vivaldi, Eugénio de Castro, Georges Dumézil, Jan Garbarek
Um homem em estado de sonho:
http://www.youtube.com/watch?v=b8VOC0Uvosc (parte 2)
http://www.youtube.com/watch?v=6TepD0U9XNE (parte 3)
http://www.youtube.com/watch?v=sGoBMm6Ams0 (parte 4)
http://www.youtube.com/watch?v=eIfoJR0dZvQ (parte 5)
Um músico para as 4 estações do ano...
Um poeta da música das palavras...
Um sábio investigador... um sábio... Georges Dumézil
http://www.youtube.com/watch?v=s22TDsiBv3Q (1/6)...
e mais um músico, compositor... de jazz
http://www.youtube.com/watch?v=b8VOC0Uvosc (parte 2)
http://www.youtube.com/watch?v=6TepD0U9XNE (parte 3)
http://www.youtube.com/watch?v=sGoBMm6Ams0 (parte 4)
http://www.youtube.com/watch?v=eIfoJR0dZvQ (parte 5)
Um músico para as 4 estações do ano...
Um poeta da música das palavras...
Um sábio investigador... um sábio... Georges Dumézil
http://www.youtube.com/watch?v=s22TDsiBv3Q (1/6)...
e mais um músico, compositor... de jazz
terça-feira, 1 de março de 2011
Aniversários: Sandro Boticelli, Chopin, Rui de Carvalho, S. João de Brito, Eurico da Fonseca
Um actor..
Um investigador científico...
Um Santo...
~
Um pintor...
Um músico...
Um investigador científico...
Um Santo...
~
Um pintor...
Um músico...
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Aniversários: David Mourão- Ferreira, Pablo Milanès, Rosalía de Castro
O GRITO
Cedros, abetos,
pinheiros novos.
O que há no tecto
do céu deserto,
além do grito?
Tudo que é nosso.
São os teus olhos
desmesurados,
lagos enormes,
mas concentrados
nos meus sentidos.
Tudo o que é nosso
E a minha boca,
de tão rasgada,
corre-te o corpo
de pólo a pólo,
desfaz-te o colo
de espádua a espádua,
são os teus olhos,
depois o grito.
Cedros, abetos,
pinheiros novos.
É o regresso.
É no silêncio
de outro extremo
desta cidade
a tua casa.
É no teu quarto
de novo o grito.
E mais nocturna
do que nunca
a envergadura
das nossas asas.
Punhal de vento,
rosa de espuma:
morre o desejo,
nasce a ternura.
Mas que silêncio
na tua casa.
David Mourão Ferreira
CANTAR DE EMIGRAÇÃO
Este parte, aquele parte
e todos, todos se vão
Galiza ficas sem homens
que possam cortar teu pão
Tens em troca
órfãos e órfãs
tens campos de solidão
tens mães que não têm filhos
filhos que não têm pai
Coração
que tens e sofre
longas ausências mortais
viúvas de vivos mortos
que ninguém consolará
Este parte, aquele parte
e todos, todos se vão
Galiza ficas sem homens
que possam cortar teu pão
Rosalía de Castro
- Cantan os galos pra o día
érguete, meu ben, e vaite.
- ¿Cómo me hei de ir,
cómo me hei de ir e deixarte?
- Deses teus olliños negros
como doas relumbrantes,
hastra as nosas maus unidas
as bágoas ardentes caen.
¿Cómo me hei de ir
si ca lengua me desbotas
e co corasón me atraes?
Nun corruncho do teu leito
cariñosa me abrigaches;
co teu manso caloriño
os fríos pes me quentastes;
e de aquí xuntos miramos
por antre o verde ramaxe
cál iba correndo a lúa
por enriba dos pinares.
¿Cómo queres que te deixe?
¿Cómo, que de ti me aparte
si máis que a mel eres
e máis que as froles soave?
- Meiguiño, meiguiño, meigo,
meigo que me namoraste,
vaite de onda min, meiguiño,
antes que o sol se levante.
- Ainda dorme, queridiña,
antre as ondiñas do mare;
dorme porque me acariñes
e porque amante me chames,
que sólo onda ti, meniña,
podo contento folgare.
- Xa cantan os paxariños.
Érguete, meu ben, que é tarde.
- Deixa que canten, Marica;
Marica, deixa que canten...
Si ti sintes que me vaia,
eu relouco por quedarme.
- Conmigo, meu queridiño,
mitá da noite pasaches.
- Mais en tanto ti dormías,
contentéime con mirarte,
que así, sorrindo entre soños
coidaba que eras un ánxel,
e non con tanta purea
e non con tanta pureza
ó pe dun ánxel velase.
- Así te quero, meu ben,
como un santo dos altares;
mais fuxe..., que o sol dourado
por riba dos montes saie.
- Iréi; mais dame un biquiño
antes que de ti me aparte,
que eses labiños de rosa
inda non sei cómo saben.
- Con mil amores cho dera;
mais teño que cofesarme,
e moita vergonza fora
ter un pecado tan grande.
- Pois confésate, Marica,
que, cando casar nos casen,
non che han de valer, meniña,
nin confesores nin frades.
¡Adiós, cariña de rosa!
- ¡Raparigo, Dios te garde!
Rosalía de Castro
Cedros, abetos,
pinheiros novos.
O que há no tecto
do céu deserto,
além do grito?
Tudo que é nosso.
São os teus olhos
desmesurados,
lagos enormes,
mas concentrados
nos meus sentidos.
Tudo o que é nosso
é excessivo.
E a minha boca,
de tão rasgada,
corre-te o corpo
de pólo a pólo,
desfaz-te o colo
de espádua a espádua,
são os teus olhos,
depois o grito.
Cedros, abetos,
pinheiros novos.
É o regresso.
É no silêncio
de outro extremo
desta cidade
a tua casa.
É no teu quarto
de novo o grito.
E mais nocturna
do que nunca
a envergadura
das nossas asas.
Punhal de vento,
rosa de espuma:
morre o desejo,
nasce a ternura.
Mas que silêncio
na tua casa.
David Mourão Ferreira
CANTAR DE EMIGRAÇÃO
Este parte, aquele parte
e todos, todos se vão
Galiza ficas sem homens
que possam cortar teu pão
Tens em troca
órfãos e órfãs
tens campos de solidão
tens mães que não têm filhos
filhos que não têm pai
Coração
que tens e sofre
longas ausências mortais
viúvas de vivos mortos
que ninguém consolará
Este parte, aquele parte
e todos, todos se vão
Galiza ficas sem homens
que possam cortar teu pão
Rosalía de Castro
- Cantan os galos pra o día
érguete, meu ben, e vaite.
- ¿Cómo me hei de ir,
cómo me hei de ir e deixarte?
- Deses teus olliños negros
como doas relumbrantes,
hastra as nosas maus unidas
as bágoas ardentes caen.
¿Cómo me hei de ir
si ca lengua me desbotas
e co corasón me atraes?
Nun corruncho do teu leito
cariñosa me abrigaches;
co teu manso caloriño
os fríos pes me quentastes;
e de aquí xuntos miramos
por antre o verde ramaxe
cál iba correndo a lúa
por enriba dos pinares.
¿Cómo queres que te deixe?
¿Cómo, que de ti me aparte
si máis que a mel eres
e máis que as froles soave?
- Meiguiño, meiguiño, meigo,
meigo que me namoraste,
vaite de onda min, meiguiño,
antes que o sol se levante.
- Ainda dorme, queridiña,
antre as ondiñas do mare;
dorme porque me acariñes
e porque amante me chames,
que sólo onda ti, meniña,
podo contento folgare.
- Xa cantan os paxariños.
Érguete, meu ben, que é tarde.
- Deixa que canten, Marica;
Marica, deixa que canten...
Si ti sintes que me vaia,
eu relouco por quedarme.
- Conmigo, meu queridiño,
mitá da noite pasaches.
- Mais en tanto ti dormías,
contentéime con mirarte,
que así, sorrindo entre soños
coidaba que eras un ánxel,
e non con tanta purea
e non con tanta pureza
ó pe dun ánxel velase.
- Así te quero, meu ben,
como un santo dos altares;
mais fuxe..., que o sol dourado
por riba dos montes saie.
- Iréi; mais dame un biquiño
antes que de ti me aparte,
que eses labiños de rosa
inda non sei cómo saben.
- Con mil amores cho dera;
mais teño que cofesarme,
e moita vergonza fora
ter un pecado tan grande.
- Pois confésate, Marica,
que, cando casar nos casen,
non che han de valer, meniña,
nin confesores nin frades.
¡Adiós, cariña de rosa!
- ¡Raparigo, Dios te garde!
Rosalía de Castro
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Dia Internacional da Língua Materna / Aniversários: Raínha Santa Isabel, Andrès Segovia, Nina Simone, Anaïs Nin
(História da Língua Portuguesa, I)
http://www.youtube.com/watch?v=bYd9HrqsbyI (História da Língua Portuguesa, II)
(Andrès Segovia)
("Raínha Santa" por Alfredo Marceneiro)
http://www.youtube.com/watch?v=bYd9HrqsbyI (História da Língua Portuguesa, II)
(Andrès Segovia)
("Raínha Santa" por Alfredo Marceneiro)
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Nina Simone
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Aniversários: António Aleixo
Os Vendilhões do Templo
Deus disse: faz todo o bem
Neste mundo, e, se puderes,
Acode a toda a desgraça
E não faças a ninguém
Aquilo que tu não queres
Que, por mal, alguém te faça.
Fazer bem não é só dar
Pão aos que dele carecem
E à caridade o imploram,
É também aliviar
As mágoas dos que padecem,
Dos que sofrem, dos que choram.
E o mundo só pode ser
Menos mau, menos atroz,
Se conseguirmos fazer
Mais p'los outros que por nós.
Quem desmente, por exemplo,
Tudo o que Cristo ensinou.
São os vendilhões do templo
Que do templo ele expulsou.
E o povo nada conhece...
Obedece ao seu vigário,
Porque julga que obedece
A Cristo — o bom doutrinário.
António Aleixo, in "Este Livro que Vos Deixo..." in o citador
Tu, que tanto prometeste
Enquanto nada podias,
Hoje que podes – esqueceste
Tudo quanto prometias…
Os que bons conselhos dão
Às vezes fazem-me rir,
- Por ver que eles próprios são
Incapazes de os seguir.
P'ra a mentira ser segura
e atingir profundidade,
tem de trazer à mistura
qualquer coisa de verdade.
Que importa perder a vida
em luta contra a traição,
se a razão, mesmo vencida
não deixa de ser Razão.
Embora os meus olhos sejam
os mais pequenos do Mundo,
o que importa é que eles vejam
o que os homens são no fundo
in http://hojehaconquilhas.blogs.sapo.pt/2009/11/
Deus disse: faz todo o bem
Neste mundo, e, se puderes,
Acode a toda a desgraça
E não faças a ninguém
Aquilo que tu não queres
Que, por mal, alguém te faça.
Fazer bem não é só dar
Pão aos que dele carecem
E à caridade o imploram,
É também aliviar
As mágoas dos que padecem,
Dos que sofrem, dos que choram.
E o mundo só pode ser
Menos mau, menos atroz,
Se conseguirmos fazer
Mais p'los outros que por nós.
Quem desmente, por exemplo,
Tudo o que Cristo ensinou.
São os vendilhões do templo
Que do templo ele expulsou.
E o povo nada conhece...
Obedece ao seu vigário,
Porque julga que obedece
A Cristo — o bom doutrinário.
António Aleixo, in "Este Livro que Vos Deixo..." in o citador
Tu, que tanto prometeste
Enquanto nada podias,
Hoje que podes – esqueceste
Tudo quanto prometias…
Os que bons conselhos dão
Às vezes fazem-me rir,
- Por ver que eles próprios são
Incapazes de os seguir.
P'ra a mentira ser segura
e atingir profundidade,
tem de trazer à mistura
qualquer coisa de verdade.
Que importa perder a vida
em luta contra a traição,
se a razão, mesmo vencida
não deixa de ser Razão.
Embora os meus olhos sejam
os mais pequenos do Mundo,
o que importa é que eles vejam
o que os homens são no fundo
in http://hojehaconquilhas.blogs.sapo.pt/2009/11/
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Aniversário de Carlos Paredes
GUITARRA (Carlos Paredes)
"A palavra por dentro da guitarra
a guitarra por dentro da palavra.
Ou talvez esta mão que se desgarra
(com garra com garra)
esta mão que nos busca e nos agarra
e nos rasga e nos lavra
com seu fio de mágoa e cimitarra.
Asa e navalha. E campo de Batalha.
E nau charrua e praça e rua.
(E também lua e também lua).
Pode ser fogo pode ser vento
(ou só lamento ou só lamento).
Esta mão de meseta
voltada para o mar
esta garra por dentro da tristeza.
Ei-la a voar ei-la a subir
ei-la a voltar de Alcácer Quibir.
Ó mão cigarra
mão cigana
guitarra guitarra
lusitana.”
Manuel Alegre
in http://www.pavilhaocentroportugal.net/encontrosGuitarra.aspx
Despertar para
~
o dia: movimento perpétuo
e, com uma Canção de Embalar, adormecer...
Obrigada, por nos continuar a sonhar os dias, Carlos Paredes!...
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Dia dos Namorados
O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.
Alberto Caeiro, O Pastor Amoroso
in http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/vo000006.pdfDiz-me, oh tu, a quem o meu coração ama,
para onde conduzes as tuas ovelhas,
onde as levas a repousar ao meio-dia,
para que eu não ande
tresmalhada
por aí
errando
por entre os rebanhos dos teus amigos.
Salomão, Cântico dos Cânticos, (tradução livre)
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Dia Internacional contra a Utilização de Crianças-soldados / Aniversários: Abraham Lincoln, Darwin
Hoje, pedi a cartoonistas do World Press Cartoon (2009 e 2010) para serem eles a comemorar as efemérides que aqui registei...
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