Três mulheres
Três gestos de fazer florir
a poesia.
Sapho
(s. VII a. c., Grécia)
(s. VII a. c., Grécia)
"O Belo e o Bom"
Quem é belo
é belo aos olhos
- e basta.
Mas quem é bom
é subitamente belo.
Safo, Líricas em Fragmentos, Vega, 1991.
Marie de France
(s. XII, França)
(s. XII, França)
" Lai de Chèvrefeuille "
O Lai da madressilva
Ambos eram dois,
tal qual a madressilva
que se enlaça à avelaneira:
quando estão enleadas e presas
e todo o caule de uma envolvido pela outra,
unidas podem por longo tempo viver;
mas se há quem as queira apartar,
a avelaneira morre em pouco tempo,
e a madressilva também.
"Bela amiga, assim somos nós:
nem vós sem mim, nem eu sem vós "
nem vós sem mim, nem eu sem vós "
( "Bele amie si est de nus
ne vus sanz mei, ne jeo sanz vus"
(versos 68-78)
tradução de Orlando Nunes de Amorim, in http://olhar.ufscar.br/index.php/olhar/article/view/33/28
Sophia de Mello Breyner Andresen
(s. XX, Portugal)
Mulheres à beira-mar
Confundindo os seus cabelos com os cabelos do vento,
têm o corpo feliz de ser tão seu e tão denso em plena liberdade.
Lançam os braços pela praia fora
e a brancura dos pulsos penetra nas espumas.
Passam aves de asas agudas e a curva dos seus olhos
prolonga o interminável rastro no céu branco.
Com a boca colada ao horizonte aspiram longamente
a virgindade de um mundo que nasceu.
O extremo dos seus dedos toca o cimo de delícia
e vertigem onde o ar acaba e começa.
E aos seus ombros cola-se uma alga, feliz de ser tão verde.



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