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sábado, 6 de novembro de 2010

Dia Internacional para a Prevenção da Exploração do Meio Ambiente em Tempos de Guerra e Conflito Armado/ Aniversário de Sophia de Mello Breyner A.

 "Convém tornar claro o coração do homem"
Sophia, "Ressurgiremos"


Segundo declarações da ONU, "desde que a guerra existe, o ambiente e os recursos naturais têm sido suas vítimas silenciosas. As colheitas são incendiadas, os poços de água poluídos, os solos envenenados e os animais mortos. Os objectivos têm variado: obter uma vantagem estratégica, desmoralizar as populações locais, vencer a resistência ou simplesmente alimentar os soldados. Mas, mesmo quando não são intencionais, as consequências são sempre catastróficas. Temos assistido a actos de destruição pura e simples, concretamente, a liberação de poluentes e de substâncias perigosas".
in http://blogdosdias.blogs.sapo.pt/1689.html

É sempre melhor ouvir a  Poetisa... nela há  um Silêncio (pre)claro e justo.
(Parabéns, querida Poetisa: Voz de tantos silêncios nossos.)

«Sempre a poesia foi para mim uma perseguição do real. Um poema foi sempre um círculo traçado à roda duma coisa, um círculo onde o pássaro do real fica preso. E se a minha poesia, tendo partido do ar, do mar e da luz, evoluiu, evoluiu sempre dessa busca atenta. Quem procura uma relação justa com a pedra, com a árvore, com o rio, é necessariamente levado, pelo espírito de verdade que o anima, a procurar uma relação justa com o homem. Aquele que vê o espantoso esplendor do mundo é logicamente levado a ver o espantoso sofrimento do mundo. Aquele que vê o fenómeno quer ver todo o fenómeno. É apenas uma questão de atenção, de sequência e de rigor."
in http://www.triplov.com/sophia/grades.html



ESTE É O TEMPO

Este é o tempo
Da selva mais obscura
Até o ar azul se tornou grades
E a luz do sol se tornou impura

Esta é a noite
Densa de chacais
Pesada de amargura
Este é o tempo em que os homens renunciam


DATA

Tempo de solidão e de incerteza
Tempo de medo e tempo de traição
Tempo de injustiça e de vileza
Tempo de negação

Tempo de covardia e tempo de ira
Tempo de mascarada e de mentira
Tempo que mata quem o denuncia
Tempo de escravidão.

Sophia, in Grades


sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Dia Internacional para a Prevenção da Exploração do Meio Ambiente em Tempos de Guerra e Conflito Armado

A Guerra que Aflige com seus Esquadrões
A guerra, que aflige com os seus esquadrões o Mundo,
É o tipo perfeito do erro da filosofia.

A guerra, como tudo humano, quer alterar.
Mas a guerra, mais do que tudo, quer alterar e alterar muito
E alterar depressa.

Mas a guerra inflige a morte.
E a morte é o desprezo do Universo por nós.
Tendo por consequência a morte, a guerra prova que é falsa.
Sendo falsa, prova que é falso todo o querer-alterar.

Deixemos o universo exterior e os outros homens onde a Natureza os pôs.

Tudo é orgulho e inconsciência.
Tudo é querer mexer-se, fazer coisas, deixar rasto.
Para o coração e o comandante dos esquadrões
Regressa aos bocados o universo exterior.

A química directa da Natureza
Não deixa lugar vago para o pensamento.

A humanidade é uma revolta de escravos.
A humanidade é um governo usurpado pelo povo.
Existe porque usurpou, mas erra porque usurpar é não ter direito.

Deixai existir o mundo exterior e a humanidade natural!
Paz a todas as coisas pré-humanas, mesmo no homem,
Paz à essência inteiramente exterior do Universo!

Alberto Caeiro,Poemas Inconjuntos