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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Dia Mundial das Redes Sociais

(de Almada Negreiros, Lá vem a Nau Catrineta)

É rápido, prático e, muitas vezes, eficaz... Substitui o "e-mail", encontram-se pessoas com gostos idênticos, outras de quem gostamos e já não vemos há muito, mas, como é óbvio, "Nem tudo o que vem à rede é peixe", "Nem tudo o que luz é ouro", " "Quem vê caras não vê corações" e "Fia-te na Virgem e não corras, logo vês o trambolhão que levas"  etc. e tal... e como "Cuidado e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém, eu sou um pouco "Pescador da Barca Bela" quanto a redes de aplicações,  jogos e outras seduções ...
Aqui, como na vida. É igual.


BARCA BELA

Pescador da barca bela,
Onde vás pescar com ela,
Que é tão bela,
Ó pescador?

Não vês que a última estrela
No céu nublado se vela?
Colhe a vela,
Ó pescador!

Deita o lanço com cautela,
Que a sereia canta bela ...
Mas cautela,
Ó pescador!

Não se enrede a rede nela,
Que perdido é remo e vela
Só de vê-la,
Ó pescador.

Pescador da barca bela,
Inda é tempo, foge dela,
Foge dela,
Ó pescador!
 Almeida Garrett, Folhas Caídas





sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Aniversário de Almeida Garrett

Eu acho que gosto do Garrett todo, até daquele daqueles dias do mês... assim dos de "Folhas Caídas" e "Flores sem Fruto", em que a gente sofre ay Deus e hu é e sofre e sofre Pede o desejo, Dama, que vos veja e sofre e não te amo, quero-te, o amor vem de alma... e eu na alma tenho a calma, a calma do jazigo... Ai, não te amo não...
É fácil viajar com ele e é quase sempre muito agradável... vamos fazendo as Viagens na Minha Terra, relembramos o Romanceiro tradicional, os dramas da Nação sem rei e do Homem sem identidade: Quem és tu, romeiro, quem és tu? - ... Ninguém e vemo-nos todos Ninguém no auge do sofrimento sem rei nem lei nem paz nem guerra... e é Portugal a entristecer (quer dizer, nós com ele).
Não, não vou consultar nenhum dos poemas que o Garrett me ofereceu nesta Viagem à roda dos seus anos, não vou rever os textos, porque ele merece ter dia de anos e que a gente viaje por ele em paz e só me é permitido confirmar a BARCA BELA, que aqui vou deixar... e como eu também sou pescador e tenho uma barca bela sempre pronta e aparelhada para ir pela barra fora, é melhor me precaver. Vou ouvir os conselhos do João Baptista, escrevendo-os ritmadamente, como se  barca bela a navegar (-me)...
(Ah!... e quando eu não quiser ouvir os conselhos dele, baloiço-me ao ritmo da sua barca bela e durmo, sa voz manselinha fremoso cantando...)

Pescador da barca bela,

Onde vais pescar com ela.
Que é tão bela,
Oh pescador?


Não vês que a última estrela
No céu nublado se vela?
Colhe a vela,
Oh pescador!

Deita o lanço com cautela,
Que a sereia canta bela...
Mas cautela,
Oh pescador!


Não se enrede a rede nela,
Que perdido é remo e vela,
Só de vê-la,
Oh pescador.


Pescador da barca bela,
Inda é tempo, foge dela
Foge dela
Oh pescador!

Folhas Caídas