sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Aniversário de Almeida Garrett

Eu acho que gosto do Garrett todo, até daquele daqueles dias do mês... assim dos de "Folhas Caídas" e "Flores sem Fruto", em que a gente sofre ay Deus e hu é e sofre e sofre Pede o desejo, Dama, que vos veja e sofre e não te amo, quero-te, o amor vem de alma... e eu na alma tenho a calma, a calma do jazigo... Ai, não te amo não...
É fácil viajar com ele e é quase sempre muito agradável... vamos fazendo as Viagens na Minha Terra, relembramos o Romanceiro tradicional, os dramas da Nação sem rei e do Homem sem identidade: Quem és tu, romeiro, quem és tu? - ... Ninguém e vemo-nos todos Ninguém no auge do sofrimento sem rei nem lei nem paz nem guerra... e é Portugal a entristecer (quer dizer, nós com ele).
Não, não vou consultar nenhum dos poemas que o Garrett me ofereceu nesta Viagem à roda dos seus anos, não vou rever os textos, porque ele merece ter dia de anos e que a gente viaje por ele em paz e só me é permitido confirmar a BARCA BELA, que aqui vou deixar... e como eu também sou pescador e tenho uma barca bela sempre pronta e aparelhada para ir pela barra fora, é melhor me precaver. Vou ouvir os conselhos do João Baptista, escrevendo-os ritmadamente, como se  barca bela a navegar (-me)...
(Ah!... e quando eu não quiser ouvir os conselhos dele, baloiço-me ao ritmo da sua barca bela e durmo, sa voz manselinha fremoso cantando...)

Pescador da barca bela,

Onde vais pescar com ela.
Que é tão bela,
Oh pescador?


Não vês que a última estrela
No céu nublado se vela?
Colhe a vela,
Oh pescador!

Deita o lanço com cautela,
Que a sereia canta bela...
Mas cautela,
Oh pescador!


Não se enrede a rede nela,
Que perdido é remo e vela,
Só de vê-la,
Oh pescador.


Pescador da barca bela,
Inda é tempo, foge dela
Foge dela
Oh pescador!

Folhas Caídas

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