Eu tinha 13 anos e vi nessa tarde de 20 de Julho de 1969 (terá sido?) , na televisão a preto e branco, um homem encapsulado num escafandro pisar "aos saltinhos" o solo da Lua e falar em inglês qualquer coisa "mastigada" que depois foi traduzida e toda a gente conhece. E vi a alegria dos técnicos da NASA, entre palmas e rostos felizes, comemorarem o que senti bem ser a realização de um sonho. E fiquei feliz com eles...
Ao longo dos anos, fui percebendo melhor esta "odisseia no espaço": lera Júlio Verne, vi os desenhos de "foguetões" de Leonardo da Vinci, aprendi de cor a "Pedra Filosofal" do nosso professor Rómulo de Carvalho e poeta António Gedeão e cantei-lhe os versos com um sonho de Humanidade, pela voz de Manuel Freire. Dei-o nas aulas aos alunos em contraponto com o "Velho do Restelo" de Camões, discutimos e sonhámos... falámos da vida pujante da Língua e da sua sempre renovada modernidade e "alunar" foi neologismo que sempre me serviu de referência, porque sonhou em todas as direcções a minha adolescência: "Eles não sabem nem sonham / que o sonho comanda a vida / e que sempre que um homem sonha / o mundo pula e avança..."
E, cuidado, que também ouvi anos mais tarde, a mãe da cabeleireira indignar-se educadamente comigo por eu acreditar que o homem fora à lua e que o homem descia darwinianamente do macaco... Era um ultraje ao seu Deus... Hoje sorrio ainda e, pensando nela, constato que acabei por ficar com os cientistas que, perante a falência das teorias e a incapacidade de se arranjar uma explicação para o "Universo", se encontram com a palavra "Deus", que pode ser também quem nos comanda a "vida" (ou a "alma", o que em divino se sonha e sonha).
Júlio Verne chegou à minha vida, pouco depois de "esgotar" os Contos de Fadas: conservava a fantasia da infância, mas iniciava-me no gosto da ciência. Lembro-me bem de Philleas Fogg e de achar que todas as suas histórias eram a verdade mesmo de um mundo que eu ia conhecer quando fosse grande... Foi um grande companheiro e um bom amigo... quase tanto como o Sr. Abel, o senhor que desde os meus 6 anos me escolhia os livros na Biblioteca Itinerante da Gulbenkian, onde todos os meses ia religiosamente entregar os lidos e recolher mais uma "molhada", depois de lhe dar conta - sim, que o Sr Abel não brincava em serviço - de quais gostara mais e porquê e... que era uma vergonha uma menina de 10 anos ainda querer levar à sorrelfa uns Contos de Fadas e enfiou-me com as Mil e Uma Noites para ler, só com umas minúsculas, pobres e negras ilustrações a que eu não achei graça nenhuma ao ponto de temer pela minha vida de leitora quando adulta, se só por (só) ter 10 anos já tinha de me iniciar naquele breu de cores do mundo de quando for grande, que grande chatice e lá vai mais uma molhada e 2 ou 3 de Fadas bem escondidos tudo ao molho e fé em Deus e lá passavam...
(E não é que, bem mais tarde, acabei por ler as Mil e Uma Noites, bem à luz do dia e sem nenhuma imagem, porque a edição era de bolso e bem mais barata, que a magra bolsa tinha outras prioridades...e gostei que me fartei e gosto hoje, sempre de maneira diferente, que as 1001 noites da vida nos trazem para a luz 1001 formas de alvorecer os dias...)
Enfim, histórias da infância e já nem tanto, com um Júlio Verne de permeio a levar-me à Lua, ao centro da Terra, à volta do Mundo em 80 dias e... ao Rick Wakemann, no fulgor da adolescência, de quem continuo fã incondicional (também deixo aqui o sonho do músico na sua magistral "Journey to the Center of the Earth"...)
(E não é que, bem mais tarde, acabei por ler as Mil e Uma Noites, bem à luz do dia e sem nenhuma imagem, porque a edição era de bolso e bem mais barata, que a magra bolsa tinha outras prioridades...e gostei que me fartei e gosto hoje, sempre de maneira diferente, que as 1001 noites da vida nos trazem para a luz 1001 formas de alvorecer os dias...)
Enfim, histórias da infância e já nem tanto, com um Júlio Verne de permeio a levar-me à Lua, ao centro da Terra, à volta do Mundo em 80 dias e... ao Rick Wakemann, no fulgor da adolescência, de quem continuo fã incondicional (também deixo aqui o sonho do músico na sua magistral "Journey to the Center of the Earth"...)
Joyeux Anniversaire, Mr. Verne!... Gros bisous de mon enfance...

2 comentários:
Como eram inocentes esses tempos de infância e como era fácil acreditarmos em tudo, fosse realidade ou fantasia..
Hoje às vezes parece-me que já não há Júlio (que nos go)Verne!...
bjnhs
J. Adolfo
Tanto me fez sonhar e viajar. Obrigado, JV. Bem haja, Luisinha, por este belo texto.
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