Percorri atentamente os vídeos seleccionados, associando-me assim à homenagem a estes aniversariantes, que aproveito para alargar com os parabéns a outra aniversariante deste 21 de Fevereiro, a autora do blogue. Já agora, se me permites, um pequeno comentário a cada um dos vídeos: quanto ao primeiro, embora a "história da língua" não seja, nem pouco mais ou menos, a minha área, não concordo quando nele se diz - “...Embora a Península Ibérica fosse habitada desde muito antes da ocupação Romana, pouquíssimos traços das línguas faladas por estes povos persistem no português moderno…”; penso que esses traços estão presentes na grande maioria dos nomes das localidades e, sobretudo, dos lugares dos nossos campos, bastaria aprofundarem-se estudos a esse respeito; Quanto ao fado do Marceneiro, gostei por duas razões: primeiro porque gosto de fado, embora não seja dos que defendem que ele é originário de Lisboa, como quase toda a elite hoje apregoa, e segundo porque canta a Rainha Santa, uma das minhas figuras preferidas da História de Portugal e ligada a duas cidades nas quais eu vivi, Coimbra e Estremoz; Por último o vídeo do Andrès Segóvia fez-me recordar os inúmeros serões (madrugadas) que eu passei na sala de jantar e no caveaux do "Palácio da Loucura" a ouvir o Paulinho (Paulo Vaz de Carvalho) a tocar viola, sessões que incluiam sempre, obrigatoriamente, as "Astúrias".
Obrigado Luísa por me trazeres tão boas recordações.
Obrigada, João, pelos parabéns e pelo comentário... Concordo quanto às observações que fazes sobre a toponímia e acrescentaria também a antroponímia (o meu nome, por exemplo, vem do germânico - esses "bárbaros"! - onde significava "Guerreiro ilustre"... Mas, normalmente, estas 2 áreas são consideradas à parte na "História da Língua", creio que por serem tão "conservadoras", linguisticamente falando... Como podes imaginar, são 2 áreas que também me fascinam (um dia, vamos escrever sobre isso?)... Quanto ao fado, em mim é gosto mais recente (partilhava daqueles preconceitos todos) e , neste caso, gostei da associação com a Raínha Santa (de quem gosto também muito, tal como de Segovia)... Gostei muito que partilhasses estas tuas recordações e saberes. Bjnho.
Luísa, ainda relativamente à toponímia e à antroponímia estou de acordo contigo, embora considere que relativamente à 2ª ela nos possa servir mais como um indicador das origens dos nossos antepassados, do que dos nomes e da língua falada pelos primeiros habitantes da nossa região; ou seja, e a título de exemplo, nos nomes dos meninos de hoje podemos facilmente identificar as origens de brasileiros e de imigrantes dos países de leste, que ultimamente têm chegado a Portugal. Eu, nos meus dois nomes, tenho o primeiro de origem hebraica, João (agraciado por Deus), enquanto o segundo será de origem germânica, Adolfo ( adal + wolf = nobre + lobo) que significaria guerreiro corajoso. (Esta minha mistura hebraica e germânica ter-me-ia certamente sido fatal se tivesse tido a pouca sorte de ter vivido algures na Europa Central nos inícios da década de 40 do século passado quando por lá passou, curiosamente, um meu homónimo de triste memória). Já quanto à toponímia a coisa é, quanto a mim, mais conservadora e imutável, à parte, claro está, as adaptações sofridas aquando da necessidade de transcrever para as línguas escritas esses mesmos nomes. Embora a senhora presidente da Câmara da Sertã, aí há uns anos atrás, tenha achado que resolvia o problema do despovoamento do concelho com a “importação” de uma série de casais de brasileiros (dos quais provavelmente já lá não estará nenhum), não foi por isso que a localidade, as ruas e os lugares mudaram de nome, ou seja, os lugares têm o nome que os habitantes já aí residentes lhes dão e quando chegam outros aquilo que fazem é aprender esse mesmo nome e passarem a dizê-lo tão bem quanto o conseguirem, mesmo sem terem a mínima ideia do que possa significar (veja-se a título da exemplo as “vacanças” dos nossos emigrantes em França, que nunca perceberam que aquilo eram férias pela simples razão de que “férias” era uma realidade totalmente desconhecida para eles enquanto por cá andaram)
Bem vou ficar por aqui, que isto já é paleio a mais… beijinhos
"paleio gostoso, meu irmão"!... Olha, João, gostei muito e hei-de pensar também sobre o assunto, que já me deixaste muitas "pontas" para tecer umas teorias, melhor, umas interrogações... e obrigada por te dares ao trabalho de esclareceres, sim? Abraço amigo.
4 comentários:
Percorri atentamente os vídeos seleccionados, associando-me assim à homenagem a estes aniversariantes, que aproveito para alargar com os parabéns a outra aniversariante deste 21 de Fevereiro, a autora do blogue.
Já agora, se me permites, um pequeno comentário a cada um dos vídeos: quanto ao primeiro, embora a "história da língua" não seja, nem pouco mais ou menos, a minha área, não concordo quando nele se diz - “...Embora a Península Ibérica fosse habitada desde muito antes da ocupação Romana, pouquíssimos traços das línguas faladas por estes povos persistem no português moderno…”; penso que esses traços estão presentes na grande maioria dos nomes das localidades e, sobretudo, dos lugares dos nossos campos, bastaria aprofundarem-se estudos a esse respeito;
Quanto ao fado do Marceneiro, gostei por duas razões: primeiro porque gosto de fado, embora não seja dos que defendem que ele é originário de Lisboa, como quase toda a elite hoje apregoa, e segundo porque canta a Rainha Santa, uma das minhas figuras preferidas da História de Portugal e ligada a duas cidades nas quais eu vivi, Coimbra e Estremoz;
Por último o vídeo do Andrès Segóvia fez-me recordar os inúmeros serões (madrugadas) que eu passei na sala de jantar e no caveaux do "Palácio da Loucura" a ouvir o Paulinho (Paulo Vaz de Carvalho) a tocar viola, sessões que incluiam sempre, obrigatoriamente, as "Astúrias".
Obrigado Luísa por me trazeres tão boas recordações.
Beijinhos
Obrigada, João, pelos parabéns e pelo comentário...
Concordo quanto às observações que fazes sobre a toponímia e acrescentaria também a antroponímia (o meu nome, por exemplo, vem do germânico - esses "bárbaros"! - onde significava "Guerreiro ilustre"... Mas, normalmente, estas 2 áreas são consideradas à parte na "História da Língua", creio que por serem tão "conservadoras", linguisticamente falando... Como podes imaginar, são 2 áreas que também me fascinam (um dia, vamos escrever sobre isso?)...
Quanto ao fado, em mim é gosto mais recente (partilhava daqueles preconceitos todos) e , neste caso, gostei da associação com a Raínha Santa (de quem gosto também muito, tal como de Segovia)...
Gostei muito que partilhasses estas tuas recordações e saberes. Bjnho.
Luísa, ainda relativamente à toponímia e à antroponímia estou de acordo contigo, embora considere que relativamente à 2ª ela nos possa servir mais como um indicador das origens dos nossos antepassados, do que dos nomes e da língua falada pelos primeiros habitantes da nossa região; ou seja, e a título de exemplo, nos nomes dos meninos de hoje podemos facilmente identificar as origens de brasileiros e de imigrantes dos países de leste, que ultimamente têm chegado a Portugal.
Eu, nos meus dois nomes, tenho o primeiro de origem hebraica, João (agraciado por Deus), enquanto o segundo será de origem germânica, Adolfo ( adal + wolf = nobre + lobo) que significaria guerreiro corajoso. (Esta minha mistura hebraica e germânica ter-me-ia certamente sido fatal se tivesse tido a pouca sorte de ter vivido algures na Europa Central nos inícios da década de 40 do século passado quando por lá passou, curiosamente, um meu homónimo de triste memória).
Já quanto à toponímia a coisa é, quanto a mim, mais conservadora e imutável, à parte, claro está, as adaptações sofridas aquando da necessidade de transcrever para as línguas escritas esses mesmos nomes.
Embora a senhora presidente da Câmara da Sertã, aí há uns anos atrás, tenha achado que resolvia o problema do despovoamento do concelho com a “importação” de uma série de casais de brasileiros (dos quais provavelmente já lá não estará nenhum), não foi por isso que a localidade, as ruas e os lugares mudaram de nome, ou seja, os lugares têm o nome que os habitantes já aí residentes lhes dão e quando chegam outros aquilo que fazem é aprender esse mesmo nome e passarem a dizê-lo tão bem quanto o conseguirem, mesmo sem terem a mínima ideia do que possa significar (veja-se a título da exemplo as “vacanças” dos nossos emigrantes em França, que nunca perceberam que aquilo eram férias pela simples razão de que “férias” era uma realidade totalmente desconhecida para eles enquanto por cá andaram)
Bem vou ficar por aqui, que isto já é paleio a mais…
beijinhos
"paleio gostoso, meu irmão"!... Olha, João, gostei muito e hei-de pensar também sobre o assunto, que já me deixaste muitas "pontas" para tecer umas teorias, melhor, umas interrogações... e obrigada por te dares ao trabalho de esclareceres, sim? Abraço amigo.
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