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segunda-feira, 26 de abril de 2010

Dia Mundial da Propriedade Intelectual

De quem serão algumas imagens que trago aqui para o blogue?
... Torna-se difícil, com as "navegações" a que algumas são sujeitas. Apesar de as ir guardando com a referência de "autor desconhecido", fica-me sempre um ligeiro sentimento de culpa: afinal, algumas são mesmo a interpretação plástica do que precisava para as minhas palavras. Às vezes, esta espécie de texto colectivo e anónimo que acaba por percorrer a net faz-me lembrar os grandes textos  da Literatura Tradicional de Transmissão Oral da nossa civilização ou então o muito fluido (se não inexistente) conceito de autoria medieval...
(Olhem!... Obrigada, queridos autores e criativos! O vosso trabalho vai-me fazendo feliz e eu espero sempre que vocês o sejam também!...)

domingo, 26 de abril de 2009

Dia Mundial da Propriedade Intelectual

A poesia - cristal de palavras - vive em oferta permanente ao leitor. Hoje, e a propósito desta efeméride, prescindi das minhas dúvidas "filosóficas" sobre o assunto e recorri a quem muito sabe sobre a vida: ao poeta. Jorge de Sena fala de Camões (e de si também, claro), a propósito da autoria (propriedade) de textos e ideias e da justiça que a eternidade da palavra poética acaba por convocar historicamente.
"O seu a seu dono" em vida dos intelectuais, que está a história farta de ver partir prematuramente muitos dos seus melhores, com a eufemística desculpa de que "morrem cedo os que os deuses amam"...


"Camões dirige-se aos seus contemporâneos"

Podereis roubar-me tudo:
as ideias, as palavras, as imagens,
e também as metáforas, os temas, os motivos,
os símbolos, e a primazia
nas dores sofridas de uma língua nova,
no entendimento de outros, na coragem
de combater, julgar, de penetrarem
recessos de amor para que sois castrados.
E podereis depois não me citar,
suprimir-me, ignorar-me, aclamar até
outros ladrões mais felizes.
Não importa nada: que o castigo
será terrível. Não só quando
vossos netos não souberem já quem sois
terão de me saber melhor ainda
do que fingis que não sabeis,
como tudo, tudo o que laboriosamente pilhais,
reverterá para o meu nome. E mesmo será meu,
tido por meu, contado por meu,
até mesmo aquele pouco e miserável
que, só por vós, sem roubo, haveríeis feito.
Nada tereis, mas nada: nem os ossos,
que um vosso esqueleto há-de ser buscado,
para passar por meu. E para outros ladrões,
iguais a vós, de joelhos, porem flores no túmulo.

Jorge de Sena