sexta-feira, 25 de março de 2011
Dia Internacional da Recordação das Vítimas de Escravatura e Tráfico de Escravos / Aniversário de Aretha Franklin
Perguntei ao vento
Onde foi encontrar
Mago sopro encanto
Nau da vela em cruz
Foi nas ondas do mar
Do mundo inteiro
Terras da perdição
Parco império mil almas
Por pau de canela e mazagão
Pata de negreiro
Tira e foge à morte
Que a sorte é de quem
A terra amou
E no peito guardou
Cheiro da mata eterna
Laranja luanda
Sempre em flor.
Vitorino Salomé
Happy birthday, Ms Aretha Franklin!...
quarta-feira, 23 de março de 2011
Dia da Meteorologia / Aniversários: Calouste Gulbenkian, Akira Kurosawa
Para o "Dia da Meteorologia", que tal uns provérbios?... Escolhi este para "arranjar clima"...
"Março marçagão, de manhã cara de cão, ao meio-dia de rainha e à noite de fuinha."
in http://www.lusolingua.com/proverbios_meses.html
Inolvidável filme de Akira Kurosawa: "Sonhos"...
Nós é que ficámos de parabéns... Desta vez fica um pouco do Museu da Fundação (saudades de Guardi e Lalique)...
in http://www.lusolingua.com/proverbios_meses.html
Inolvidável filme de Akira Kurosawa: "Sonhos"...
Nós é que ficámos de parabéns... Desta vez fica um pouco do Museu da Fundação (saudades de Guardi e Lalique)...
terça-feira, 22 de março de 2011
Dia Mundial da Água / Dia do Teatro Amador / Aniversário: Marcel Marceau
A história de uma pocinha de Água (animação)...
A história do filósofo Epicteto por uma companhia de teatro amador de Aveiro...
Marcel Marceau ou O Corpo que Fala...
(no início faz lembrar Michael Jackson?... É que este se inspirou em Marceau...)
http://www.youtube.com/watch?v=D8brJ1S3VXk
A história do filósofo Epicteto por uma companhia de teatro amador de Aveiro...
Marcel Marceau ou O Corpo que Fala...
(no início faz lembrar Michael Jackson?... É que este se inspirou em Marceau...)
http://www.youtube.com/watch?v=D8brJ1S3VXk
segunda-feira, 21 de março de 2011
Dia Mundial da Árvore/ Dia Mundial do Sono / Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial / Dia Mundial da Poesia / Aniversários: Bach, Rafael Bordallo Pinheiro
Conheço árvores de todas as cores que os meus olhos já viram
por dentro e por fora das cores e das árvores que realmente viram.
E conheço também árvores e nações com as mesmas cores
das árvores que já vi...
porque o sol é bom e gosta de pintar os dias dos homens e das nações
com o seu vário espreguiçar-se pelas horas, dias e estações que já sabemos.
E é por isso que as pessoas têm cores diferentes... e as árvores... e as nações...
e os bichos do Bordallo Pinheiro e as partituras de Bach
(que poderemos ver, a seguir, em vídeo)...
Como quem não quer a coisa, pedi ao Paul Klee se podería amanhecer o seu "Ar sério" com um pouco deste sol menino que nasce para todos... Ele deixou e olha no que resultou: um "Klee feliz" (aqui em cima). É que o sol gosta de "cativar" o barco que as pessoas são...
(Ah! E, já agora, de que cor é o Klee?...)
por dentro e por fora das cores e das árvores que realmente viram.
E conheço também árvores e nações com as mesmas cores
das árvores que já vi...
porque o sol é bom e gosta de pintar os dias dos homens e das nações
com o seu vário espreguiçar-se pelas horas, dias e estações que já sabemos.
E é por isso que as pessoas têm cores diferentes... e as árvores... e as nações...
e os bichos do Bordallo Pinheiro e as partituras de Bach
(que poderemos ver, a seguir, em vídeo)...
Como quem não quer a coisa, pedi ao Paul Klee se podería amanhecer o seu "Ar sério" com um pouco deste sol menino que nasce para todos... Ele deixou e olha no que resultou: um "Klee feliz" (aqui em cima). É que o sol gosta de "cativar" o barco que as pessoas são...
(Ah! E, já agora, de que cor é o Klee?...)
domingo, 20 de março de 2011
Dia da Agricultura / Aniversários: Ovídio, Hölderlin, Gogol, Ibsen, Ilse Losa, Alice Vieira
A agricultura, como outras actividades de subsistência humana, também tem os seus mitos fundadores... Geralmente, é a uma entidade feminina que cabe essa dádiva de amor ao humano. Encontrei no youtube (oh abençoada videoteca virtual!...) um pequeno filme de animação que nos conta desse amor ao humano na tribo índia dos Krahô... Belíssimo mito, belíssimos desenhos, belíssima animação... e com uma D. Coruja, tão bela, sábia e didáctica nas suas lições sobre "agricultura biológica" (hoje, chamamos-lhe assim!...), que tornam o filmezinho quase mítico (para mim, claro!)... Ora, vamos lá ver então "O Mito de Catxêkwyj"...
sábado, 19 de março de 2011
quinta-feira, 17 de março de 2011
Dia Internacional da Marinha / Aniversário de Rudolf Nureyev
Por mares nunca dantes navegados... TALENT DE BIEN FAIRE
Está em italiano, mas percebe-se bem... Muito belo, Nureyev!...
Está em italiano, mas percebe-se bem... Muito belo, Nureyev!...
terça-feira, 15 de março de 2011
Dia Mundial dos Direitos do Consumidor
Marketing
Aqui a meu lado o bom cidadão
escolheu Sagres
que é tudo tudo cerveja
a pausa que refresca
a longa pausa de um longo cigarro King Size.
atenção ao marketing.
Eu não gosto de cerveja
mas tenho de gostar que os outros gostem de cerveja
sobretudo da Sagres
para não contrariar os fabricantes de cerveja.
atenção ao marketing.
ninguém contraria os fabricantes da Opel e da Super Silver
nem os fabricantes de alcatifas para panaceias
nem as panaceias nem os códigos e os édredons macios
nem as mensagens de natal dos estadistas
nem os negociantes de armas da Suíça
nem o homem da capa negra que virou costas ao Palmolive.
Está tudo perfeito e deito-me no conforto de um Lusospuma
a ver as procissões a passar mesmo sem anjos mesmo sem anjos
que são agora selvagens e voam numa Harley.
Deito-me e obedeço aos fabricantes do Clarim
que é uma alta onda ou uma onda alta
sem esquecer as fitas do John Wayne e a chama viva do Butagás
e se calhar sentir fome terei toda a frescura serrana
numa fatia de pão.
atenção ao marketing.
Vitonizo-me desodorizo-me atravesso as ruas nas passagens de peões
louvo quem me dizem para louvar e desconfio dos negros americanos
e dos blousons noirs que não usam Lux
e não compram um frigorífico a prestações
e com o meu escudo invisível
protejo-me dos vírus subversivos
sou um bom cidadão sou um bom cidadão
obedeço ao marketing à General Motors e ao Pentágono.
Dantes tinha problemas era o odor corporal
e eu não o sabia até me higienizar seis vezes ao dia com o sabonete das estrelas
e as paradas marciais e os 5-3 do Eusébio à Coreia
e o talco Cadum que ama demoradamente roucamente tepidamente
os corpos que merecem ser amados…
Obedeço ao marketing não contrario.
Ninguém contraria os fabricantes das ideias e os fabricantes do Fula
que é o da cor do sol
ninguém pisa os riscos brancos do tráfego
nem chama os bombeiros sem concorrer ao sorteio
concorro concorro e vejo nos sinaleiros o pai natal vestido de Scotchgard
ninguém sai do emprego antes de assinar o ponto a horas fixas
e gastar o dinheiro da semana sábado à tarde
no Dardo que é tudo a prestações e é mesmo em frente da Música no Coração.
Fazendo Portugal mais alegre com o folclore da TV e a tinta Robbialac
não contrario obedeço obedeço e meto os meninos na cama
quando me dizem vamos dormir.
atenção ao marketing.
Sagres é uma boa cerveja
e eu acabarei por gostar da Sagres
como gosto do Rexina.
Sagres é a pausa que refresca e tem vitaminas
todas as bebidas da televisão têm vitaminas
mesmo as do programa literário que é detergente
e eu uso-as e sou um cidadão perfeito
e até já consigo adormecer com hipnóticos
depois de tomar o Tofa descafeinado
e no Verão visto calções de banho de fibras sintéticas
para me banhar na Torralta
cidadão perfeito perfeitamente bronzeado com o Ambre Solaire.
Também vou arear as caçarolas e os nervos e os miolos
com um pó azul de que não me lembra o nome
não me lembra mas a culpa já não é minha
porque na mesma noite
massajado com Aqua Velva
fiz a barba com Gillette e Schick e Nacet
e fui não sei aonde com a mesma lâmina
e oito dias depois (eu era actor ou toureiro?)
a lâmina ainda me escanhoou mais uma barba
antes de eu descer no aeroporto
onde me esperava um agente de marketing.
Os produtores viram-se à descida do avião
primeiro julgaram que era o filho da Sophia Loren
ou o Onassis mas era eu
e gostaram da minha barba bem feita.
(Da barba bem feita
ou do casaco Dralon que não se amarrotara
durante a viagem da Polinésia para Lisboa?)
Confesso que já não me lembra mas a culpa não é minha
pois na mesma noite
fui o homem de não sei quê que marca o rumo
por vestir regras ou camisas ou calças que não se enrugam
e fartei-me de assistir a discursos e a inaugurações
e fartei-me de comer chocolates Regina e pescada congelada
e de lavar a roupa com Ajax e com o Rino
e de me banhar com Omo ou seja uma onda de brancura
e fiz-me mecânico de automóveis
só para que o cavaleiro da armadura branca
me tocasse com a sua lança mágica
e me pusesse branco branco branco
três vezes branco como as páginas do Reader's
de cérebro irrepreensivelmente lexivizado
pelos locutores da televisão pela oratória dos políticos
e passado a ferro com um ferro eléctrico automático
pelos locutores da televisão pela oratória dos políticos
e passado a ferro com um ferro eléctrico automático
que talvez fosse — ou não? — uma enceradora Philips.
Tudo coisas admiráveis e desesperadamente necessárias
que eu devo ao marketing
e me são cozinhadas num abrir e fechar de olhos
nas panelas de pressão
de todo o bom cidadão.
E no intervalo bebi café puro o do gostinho especial
Sical Sical que é um luxo verdadeiro
por pouco dinheiro.
Vitonizado esterilizado comprando e concorrendo
esqueci-me de amar do amor das árvores e do rio
esqueci-me de mim tão entretido estava a admirar a Lisnave
esqueci-me do rio e dos barcos
e da saudade de pedra do Fernando Pessoa
e esqueci-me de sonhar que era marinheiro.
Concorra concorra foi por isso que não reparei
que uma rapariga cortou as veias
talvez fosse com uma Diplomatic
que tem o fio e o silvo de uma espada a degolar avestruzes.
No programa só havia bombeiros
nem uma rapariga a cortar as veias (não não era a Caprília)
nem o rio nem o amor nem a raiva da Venezuela.
Se mágoa sentia era a de ter esquecido
dar murros no espião da Missão Impossível
(atenção ao marketing)
e já não saí de casa para ver o rio
só pelo gosto de me aquecer com uma Ignis.
E na mesma noite noite boa noite branca
fumei Estoril Valetes Kayakes e bebi Compal
depois da Salus e da Schweppes
fumei quilómetros e quilómetros de prazer
quilómetros e mais quilómetros — há um Ford no meu futuro —
mais facturas mais fomes mais prazer
e agora já não sei qual dos cigarros com filtro
me soube melhor.
Foram todos foram todos de certeza
pois se me dizem que preciso do Omo
do Ajax do Estoril do Dralon
do esquentador e das alcatifas sem nódoas
não me preocupo não te preocupes
o Meraklon não preocupa ninguém
mando para o diabo o amor e o rio e a rapariga que cortou as veias
não me preocupo não me preocupo
digo pois pois ao Jota Pimenta e ao Escort
e hei-de virar-me do avesso para os possuir.
Os corpos que merecem ser amados merecem o talco Cadum.
Numa onda de brancura obedeço ao marketing. Sou um bom cidadão.
E na mesma noite
vi umas bombas que caíam muito ao longe
numa lonjura mais longe que a Lua
onde as pessoas podiam estar quietas a fumas Marialvas
e a lavarem-se com Rino que lava lava lava
lava três vezes mais lava ou mata que se farta
e me ajuda a ser bom cidadão.
atenção ao marketing.
Vi uns homens a inaugurarem estátuas
e vi fardas e paradas e conferências
e crianças a sorrir
para os homens sorridentes que inaguravam estátuas
e vi homens que falavam e pensavam por mim
a escolherem por mim o bom e o mau
de modo a que eu não possa ser tentado
a confundir o mau com o bom ou vice-versa ou vice-versa.
Deitado no conforto de um Lusospuma
vi os porcalhões dos hippies nas ruas de Estocolmo
bem longe nas ruas de Estocolmo
mesmo a pedirem uns safanões
dos homens que acariciam crianças
e têm todas as verdades na mão
só para que eu seja um bom cidadão.
É isto: marco o rumo. As minhas cuecas marcam o rumo.
Preciso e gosto de uma data de coisas
e só agora o sei.
Menos da Sagres. Mas acabarei por gostar.
Ninguém contraria o marketing por muito tempo.
Ninguém contraria os fabricantes de bem fazer
o bom cidadão.
E tudo graças ao marketing.
Fernando Namora
segunda-feira, 14 de março de 2011
Aniversário de Einstein
1 (Ein) + Pedra (Stein) preciosa
com música dentro...
"Einstein tinha pela música um amor profundo, que raiava o espiritual. Hans Byland recorda ter tocado sonatas de Mozart com o jovem Einstein, então com 17 anos: «Quando ele começou a tocar violino, a sala pareceu amplificar-se. Eu estava a ouvir o verdadeiro Mozart pela primeira vez em toda a beleza grega da limpidez das suas linhas, ora graciosas ora magnificamente poderosas. Aquilo é divinal, dizia ele, temos de tocar outra vez. Que alma na forma como tocava! Eu não o reconhecia.» Os compositores preferidos de Einstein eram Bach, Mozart e Schubert, (...)." in http://anapaulasenabelo.blogspot.com/2007/06/einstein-e-msica.html
terça-feira, 8 de março de 2011
Dia Internacional da Mulher
Três mulheres
Três gestos de fazer florir
a poesia.
Sapho
(s. VII a. c., Grécia)
(s. VII a. c., Grécia)
"O Belo e o Bom"
Quem é belo
é belo aos olhos
- e basta.
Mas quem é bom
é subitamente belo.
Safo, Líricas em Fragmentos, Vega, 1991.
Marie de France
(s. XII, França)
(s. XII, França)
" Lai de Chèvrefeuille "
O Lai da madressilva
Ambos eram dois,
tal qual a madressilva
que se enlaça à avelaneira:
quando estão enleadas e presas
e todo o caule de uma envolvido pela outra,
unidas podem por longo tempo viver;
mas se há quem as queira apartar,
a avelaneira morre em pouco tempo,
e a madressilva também.
"Bela amiga, assim somos nós:
nem vós sem mim, nem eu sem vós "
nem vós sem mim, nem eu sem vós "
( "Bele amie si est de nus
ne vus sanz mei, ne jeo sanz vus"
(versos 68-78)
tradução de Orlando Nunes de Amorim, in http://olhar.ufscar.br/index.php/olhar/article/view/33/28
Sophia de Mello Breyner Andresen
(s. XX, Portugal)
Mulheres à beira-mar
Confundindo os seus cabelos com os cabelos do vento,
têm o corpo feliz de ser tão seu e tão denso em plena liberdade.
Lançam os braços pela praia fora
e a brancura dos pulsos penetra nas espumas.
Passam aves de asas agudas e a curva dos seus olhos
prolonga o interminável rastro no céu branco.
Com a boca colada ao horizonte aspiram longamente
a virgindade de um mundo que nasceu.
O extremo dos seus dedos toca o cimo de delícia
e vertigem onde o ar acaba e começa.
E aos seus ombros cola-se uma alga, feliz de ser tão verde.
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Marie de France,
Sapho,
Sophia de Mello Breyner A
segunda-feira, 7 de março de 2011
domingo, 6 de março de 2011
sábado, 5 de março de 2011
sexta-feira, 4 de março de 2011
Aniversários: Infante D. Henrique, Antonio Vivaldi, Eugénio de Castro, Georges Dumézil, Jan Garbarek
Um homem em estado de sonho:
http://www.youtube.com/watch?v=b8VOC0Uvosc (parte 2)
http://www.youtube.com/watch?v=6TepD0U9XNE (parte 3)
http://www.youtube.com/watch?v=sGoBMm6Ams0 (parte 4)
http://www.youtube.com/watch?v=eIfoJR0dZvQ (parte 5)
Um músico para as 4 estações do ano...
Um poeta da música das palavras...
Um sábio investigador... um sábio... Georges Dumézil
http://www.youtube.com/watch?v=s22TDsiBv3Q (1/6)...
e mais um músico, compositor... de jazz
http://www.youtube.com/watch?v=b8VOC0Uvosc (parte 2)
http://www.youtube.com/watch?v=6TepD0U9XNE (parte 3)
http://www.youtube.com/watch?v=sGoBMm6Ams0 (parte 4)
http://www.youtube.com/watch?v=eIfoJR0dZvQ (parte 5)
Um músico para as 4 estações do ano...
Um poeta da música das palavras...
Um sábio investigador... um sábio... Georges Dumézil
http://www.youtube.com/watch?v=s22TDsiBv3Q (1/6)...
e mais um músico, compositor... de jazz
terça-feira, 1 de março de 2011
Aniversários: Sandro Boticelli, Chopin, Rui de Carvalho, S. João de Brito, Eurico da Fonseca
Um actor..
Um investigador científico...
Um Santo...
~
Um pintor...
Um músico...
Um investigador científico...
Um Santo...
~
Um pintor...
Um músico...
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