sábado, 9 de outubro de 2010

Dia Mundial da União Postal Universal (/da Carta)

Seguem 2 cartas de amor...
Que levem, a quem as ler, tão boas notícias como a mim me trouxeram...

NAMORO

Mandei-lhe uma carta em papel perfumado

e com letra bonita eu disse ela tinha
um sorrir luminoso tão quente e gaiato
como o sol de Novembro brincando de artista
nas acácias floridas espalhando diamantes
na fímbria do mar
e dando calor ao sumo das mangas
Sua pele macia era sumaúma
Sua pele macia, da cor do jambo,
cheirando a rosas sua pele macia
guardava as doçuras do corpo rijo
tão rijo e tão doce como o maboque
Seus seios, laranjas laranjas do Loje
seus dentes marfim
Mandei-lhe essa carta
e ela disse que não.
Mandei-lhe um cartão
que o amigo Maninho tipografou:
Por ti sofre o meu coração
Num canto SIM,
noutro canto NÃO
E ela o canto do NÃO dobrou

Mandei-lhe um recado pela Zefa do Sete
pedindo, rogando de joelhos no chão
pela Senhora do Cabo, pela Santa Ifigenia,
me desse a ventura do seu namoro
E ela disse que não.
Levei à Avo Chica, quimbanda de fama
à areia da marca que o seu pé deixou
para que fizesse um feitiço forte e seguro
que nela nascesse um amor como o meu
E o feitiço falhou.

Esperei-a de tarde, à porta da fabrica,
ofertei-lhe um colar e um anel e um broche,
paguei-lhe doces na calçada da Missão,
ficamos num banco do largo da Estátua,
afaguei-lhe as mãos
falei-lhe de amor
e ela disse que não.
Andei barbudo, sujo e descalço,
como um mona-ngamba.
Procuraram por mim
-Não viu(ai não viu? ) não viu Benjamim?

E perdido me deram no morro da Samba.
Para me distrair
levaram-me ao baile do Sô Januario
mas ela lá estava num canto a rir
contando o meu caso
às moças mais lindas do Bairro Operário.
Tocaram uma rumba dancei com ela
e num passo maluco voámos na sala
qual uma estrela riscando o céu!
E a malta gritou: Aí Benjamim !
Olhei-a nos olhos sorriu para mim
pedi-lhe um beijo e ela disse que sim.
Viriato Cruz (de Angola)
 

 
 "Carta de Direitos das Gerações Futuras" de Jacques Costeau, base do projeto de uma política oceânica global que o cientista encaminhou à Assembléia Geral das Nações Unidas. Os cinco artigos resumiram as preocupações e advertências e normas que devem ser respeitadas, com a cooperação de todas as nações do mundo, para preservar as condições naturais e de sobrevivência do ecossistema planetário com toda sua fauna e flora.


"Conscientes das determinações proclamadas pelos povos do mundo nas Nações Unidas, no sentido de reafirmar a fé na dignidade e no valor da pessoa humana, e para promover o progresso social e melhorar padrões de vida e maior liberdade;

Reconhecendo, entre estas, o propósito das Nações Unidas em ativar a cooperação internacional para resolver problemas mundiais e ser um centro para harmonizar a ação das nações na busca deste fim;

Reconhecendo que, para primeira vez na história, os direitos das futuras gerações exercitarem opções com respeito à continuidade da vida e ao enriquecimento de seu meio ambiente físico e mental são seriamente consdierados;

Acreditando que a preservação e promoção desses direitos têm ressonância na consciência de todas as pessoas e de todas as nações;

Convencidos que cada geração tem os direitos herdados para determinar seu próprio destino, e a correspondente responsabilidade de concordar com similares direitos para as futuras gerações, como uma extensão do direito à vida.
Solenemente proclamamos a necessidade de garantir o reconhecimento universal destes direitos e destas responsabilidades, e, com este fim,
DECLARAMOS QUE:

Artigo 1º - As futuras gerações têm direito a uma terra incontaminada e sem danos, e a uma participação na base da história humana, da cultura e das normas sociais que fazem de cada geração e de cada indivíduo, um membro da família humana.

Artigo 2º - Cada geração, no uso e na herança da Terra, é depositária da confiança das futuras gerações, e tem o dever de prevenir danos irreversíveis e irreparáveis para a vida na Terra e para a liberdade e dignidade humanas.


Artigo 3º - É, entretanto, da maior responsabilidade de cada geração, manter-se constantemente vigilante e prudente em relação aos distúrbios e modificações tecnológicas que afetem adversamente a vida na Terra, o equilíbrio das natureza e a evolução da humanidade, no sentido de proteger os direitos das futuras gerações.

Artigo 4º - Todas as medidas apropriadas, inclusive educação, pesquisa e legislação, devem ser tomadas para garantir estes direitos e assegurar que eles não serão sacrificados por expedientes e conveniências do momento.

Artigo 5º - Governos, organizações não governamentais e indivíduos são solicitados, assim, a promover imaginativamente estes princípios, como se estivessem realmente na presença destas futuras gerações, cujos direitos buscamos estabelecer e perpetuar".

1 comentário:

prohensa disse...

Luísa, segui o teu conselho, li e ouvi, e gostei! Até porque o Fausto e o Jacques Cousteau que têm um lugar especial nas minhas memórias...
Mas deixa que te diga; não me parece que isto vá lá com cartas... que o diga o Benjamim, ao qual nem cartas, nem a Zefa do Sete, nem a Avó Chica valeram!... Não fora a rumba, e o seu passo maluco, e nunca teria voado!...
Bjnhs