quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Dia Internacional contra a Corrupção

Creio que foi Einstein quem afirmou que "um corrupto é um homem que deixou de trabalhar". Agrada-me esta definição pela simplicidade e também pelo valor humano que aqui é oferecido ao "trabalho": não só valor social, mas individual; não só serviço social, mas serviço a si mesmo; não só em termos materiais, mas também espirituais; não só no plano físico, mas também psicológico ou anímico; o trabalho como valor do humano e da (e em prol da)humanidade. Neste sentido se dirá também que antes de ser corrupto ou se deixar corromper (já que "tão ladrão é o que rouba a fruta como o que fica ao portão"), o homem se atraiçoou a si próprio, começando a construir uma torre de desafios, já sobejamente condenada pela sabedoria do tempo. Babel é-lhes um templo sempre adiado de futuro: porque não tem linguagem que a possa erguer à medida dos sonhos da Humanidade.
Com a sabedoria dos "Clássicos" fica-se bem, por estes temas: corrupção pode ser e é também tirania, violência, injustiça, cobiça, traição, mentira, dinheiro, morte (mas mais vale ouvir Sophia de Mello Breyner e Luís de Camões a falar sobre este tema e ler os 2 cartoons que aqui vos deixo e ganharam prémios no ano passado...)
«Ganharás o pão com o suor do teu rosto»
Assim nos foi imposto
E não:
«Com o suor dos outros ganharás o pão»

Sophia, As pessoas sensíveis

Nunca choraremos bastante quando vemos
O gesto criador ser impedido
Nunca choraremos bastante quando vemos
Que quem ousa lutar é destruido
Por troças, por insídias, por venenos
E por outras maneiras que sabemos
Tão sábias tão subtis e tão peritas
Que nem podem sequer ser bem descritas

Sophia, Pranto pelo dia de hoje


96
(...)
Veja agora o juízo curioso
Quanto no rico, assi como no pobre,
Pode o vil interesse e sede imiga
do dinheiro, que a tudo nos obriga.

98
Este rende munidas fortalezas;
Faz tredores e falsos os amigos;
Este a mais nobres faz fazer vilezas,
E entrega Capitães aos inimigos
;
Este corrompe virginais purezas,
Sem temer de honra ou fama alguns perigos
;
Este deprava às vezes as ciências,
Os juízos cegando e as consciências
.

99
Este interpreta mais que sutilmente
Os textos; este faz e desfaz leis
;
Este causa os perjúrios entre a gente
E mil vezes tiranos torna os Reis
.
Até os que só a Deus omnipotente
Se dedicam, mil vezes ouvireis
Que corrompe este encantador, e ilude;
Mas não sem cor, contudo, de virtude
!
Camões, Os Lusíadas, canto VIII

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Dia da Imaculada Conceição, Padroeira de Portugal

Faz hoje 47 (ou 48) anos que recitei o meu primeiro poema no "dia da mãe", que o era dantes, nesta data. Difícil, o soneto de Antero de Quental que me coube em sorte, tinha eu 5 anos, mas que me fez pensar que "quando eu for grande, vou perceber tudo, que isto é um poema para a minha mãe" e parece que também para Nossa senhora, que é a mãe do Menino Jesus (com este sim, eu tinha uma grande empatia: era rechonchudinho e sorridente no presépio, traquinas e alegre como criança... um reguila feliz, afinal, e muito, muito bom... era ele que me servia também de modelo e era ele que falava por mim à Mãe, se possível, que eu às vezes não era flor que se cheirasse...). A vida foi correndo e por entre os segundos do feriado religioso de hoje, dia da Padroeira de Portugal, relembrei uma comovente e sereníssima imagem de Nossa Senhora da Conceição, no Convento de S. Gonçalo em Angra de Heroísmo e o meu primeiro soneto "à Mãe", dito em público: aqui ficam ambas as recordações (a foto e o a versão fac-similada pela Biblioteca nacional do soneto de Antero). À VIRGEM SANTÍSSIMA

(Cheia de Graça, Mãe de Misericórdia)

Num sonho todo feito de incerteza,
De noturna e indizível ansiedade
É que eu vi teu olhar de piedade
E (mais que piedade) de tristeza...

Não era o vulgar brilho da beleza,
Nem o ardor banal da mocidade...
Era outra luz, era outra suavidade,
Que até nem sei se as há na natureza...

Um místico sofrer... uma ventura
Feita só do perdão, só ternura
E da paz da nossa hora derradeira...

Ó visão, visão triste e piedosa!
Fita-me assim calada, assim chorosa...
E deixa-me sonhar a vida inteira!
Antero de Quental, Sonetos

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Dia Internacional da Aviação Civil / Dia de Timor-Leste

É dia de Dédalo e Ícaro, de Leonardo da Vinci, de Bartolomeu de Gusmão e tantos outros... É dia de Sonhar. Sempre. Como nos ensinou Sebastião da Gama:
"Pelo sonho é que vamos
comovidos e mudos.
(...)
(...)
Chegamos? Não chegamos?
Partimos. Vamos. Somos."

Uma ternura muito especial por Timor (e saudades dos Trovante, desde que os vi na festa do jornal Sete: o espanto da cultura portuguesa e da criatividade musical)... Ficou-me para a vida que nós também sabemos de dentro em quem e no que acreditar, contra os ventos e marés das informações "oficiais". Vem isto a propósito de que nunca acreditei que Xanana tivesse "entregue" Timor à Indonésia, apesar das suas declarações nesse sentido, que passavam na televisão... Era quase uma luta diária comigo e com o que ouvia e lia quotidianamente: estratégia para chamar a atenção sobre Timor, achava eu e, no dia em que cedi e achei que ele se tinha mesmo traído a ele próprio e à alma da nação que defendia, surgiu a verdade: ele abrira de facto mais um caminho para Timor. Agradeço-lhe a lição de vida que me deu e que não cabe ainda nas palavras. Como primeiro testemunho, fica a excelente canção Timor dos Trovante.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Dia Internacional das Pessoas com Deficiência

Às vezes, para entender, o que é necessário é pormo-nos mesmo na "pele" dos outros (parece fácil? Os "lugares-comuns" só são fáceis para quem os não vive, ou seja, não sente e/ou não pensa...). Vem isto a propósito do vídeo que aqui deixo: simples e, por isso, eficaz.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Dia Internacional para a Abolição da Escravatura

Uma das mais belas e comoventes canções da nossa História Pátria (pelo menos, para mim) é a "Queda do Império" de Vitorino Salomé. Registo também a letra (igualmente da sua autoria), porque gosto dela e me parece apropriada à efeméride de hoje: como se a "pata de negreiro" impedisse "As armas e os barões assinalados" de se cumprirem em Império.


QUEDA DO IMPÉRIO

Perguntei ao vento
Onde foi encontrar
Mago sopro encanto
Nau da vela em cruz
Foi nas ondas do mar
Do mundo inteiro
Terras da perdição
Parco império mil almas
Por pau de canela e mazagão

Pata de negreiro
Tira e foge à morte
Que a sorte é de quem
A terra amou
E no peito guardou
Cheiro da mata eterna
Laranja luanda
Sempre em flor.


Vitorino Salomé, (letra e música)

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Dia da restauração da Independência / Dia da Filatelia / Dia Mundial contra a Sida

Gosto de Hinos e bandas. Procurei e encontrei no youtube o "Hino da Restauração". Indiferente às polémicas que por aí pululam (monarquia, república, reino virtual...), decidi incorporá-lo aqui. Talvez porque, quando era miúda, no 1º de Dezembro, era sempre acordada às 8 da manhã por uma banda militar que percorria as ruas do burgo medieval... Tocava hinos festivos e eu gostava de acordar no quentinho da minha cama de criança com aquela música a desfilar alegrias e festejos pela manhã (seria esta uma das músicas que tocavam? Não me admiraria...)... Continua a ser feriado e eu continuo a gostar deste dia...