sábado, 21 de março de 2009

Dia da Poesia/Dia da Floresta/Dia da Árvore/Dia do Sono/Dia da Eliminação da Discriminação Racial/Aniversário de J. S. Bach e R. Bordalo Pinheiro

O dia 21 de Março sempre foi, para mim, o dia da Primavera: o da menina que corria os campos a colher flores, o das cabriolices sobre os barrocos despenhados sobre a Rua da Quelha , o das cegonhas na torre mais alta do Mosteiro de Santo António, o das andorinhas volteando loquazes rumo a qualquer mapa e lindas, lindas, lindas... Fico por isso muito contente por hoje se celebrarem tantas efemérides:

ele é arvores,


é florestas,


é soninho descansado,

ele é encontro de cores,
e ele é a poesia e é mais aquele dia daqueles que fazem anos:
a andorinha do Rafael ( Bordalo Pinheiro)

e a música do João Sebastião (Bach)

e...

... e como a poesia é a linguagem da surpresa, aqui ficam momentos de encontro do homem com a sua infância: em estado de poesia, portanto (" sentir? Sinta, quem lê!", F. Pessoa)

sexta-feira, 20 de março de 2009

Dia da Primavera

FLORES

Era preciso agradecer às flores
Terem guardado em si,
Límpida e pura,
Aquela promessa antiga
Duma manhã futura.
Sophia de Mello Breyner




(equinócio da Primavera2009; 12 h.)

quinta-feira, 19 de março de 2009

Dia do Pai

O meu pai tinha os olhos azuis e contava histórias. Às vezes, no seu joelho, eu era mesmo a "Arranca-pinheiros", com os meus dois irmãos mais novos (o "Arrasa-montanhas" e o "Zé da Burra"), a demandar no outro joelho os mesmos caminhos que eu desbravara e que só o mais novo conseguia decifrar. É claro que o "Zé da Burra" sorria sempre de satisfação: afinal, o menos promissor (menos idade, menos força, menos "esperteza saloia"...) acabava sempre por sair coroado de herói naquelas aventuras... E olha, lá me fui habituando a que, quando não é à primeira, nem à segunda, é a terceira, já que o objectivo da demanda é sempre o mesmo, até que alguém o cumpra... Felizmente, já fui "Zé da Burra" umas quantas vezes na vida e... gostei muito.

De que alturas falam os pais, quando nos contam histórias na infância? A que mundo de fantasia as vamos recuperar?... Sempre actuais, elas são-nos lastro de vida e o amor com que nos foram contadas vem sempre aureolado de uns olhos azuis de cristal sossegado e de um baloiço de pernas que conduz ao caminho da "princesa do pai"...


(no ano passado, deixou de ir ao jardim dar uma volta e depois deixou de dormir em casa e... não voltou... ... ... mas continua a ter olhos azuis, a contar histórias e a apontar-me o caminho do terceiro filho dos contos tradicionais... acho que ia gostar do Papageno que tem uma plumagem azul de África, da cor da imaginação que bailava nos seus olhos... Fica aqui para ele... Beijinhos.)

quarta-feira, 11 de março de 2009

Dia Europeu pelas Vítimas do Terrorismo

Não há guerra que não seja "guerra santa", quando ouvimos argumentos que a sustêm ("Que promessas de reinos e de minas / De ouro, que lhe farás tão facilmente? / Que famas lhe prometerás? Que histórias? / Que triunfos? Que palmas? Que vitórias?" Os Lusíadas, IV, 97).
E não há guerra que não seja a do terror ("Alguns vão dizendo e blasfemando / Do primeiro que a guerra fez no mundo; / Outros a sede dura vão culpando / Do peito cobiçoso e sitibundo, / Que, por tomar o alheio, o miserando / Povo aventura às penas do Profundo / Deixando tantas mães, tantas esposas, / Sem filhos, sem maridos, desditosas.", Os Lusíadas, IV, 44).

Turva de sangue, a bandeira da "guerra santa" só conhece a palavra "paixão": excesso de alma que rápido pode transmutar o amor em ódio e sossobrar no reverso da "paixão amorosa"( a "paixão que mata"). E da "Paixão de Cristo", todos os cristãos sabem...


Seguem alguns pensamentos sobre o tema, que há sempre algum à nossa espera para nos fazer companhia.


"A melhor arma política é a arma do terror. A crueldade gera respeito. Podem odiar-nos, se quiserem. Não queremos que nos amem. Queremos que nos temam."
- Heinrich Himmler; Discurso para oficiais da SS em Kharkov


"Creio no riso e nas lágrimas como antídotos contra o ódio e o terror."
- Charles Chaplin


"O melhor meio de os Estados Unidos combaterem o terrorismo é deixarem de ser um dos principais terroristas do mundo."
- Noam Chomsky


"Olho por olho, e o mundo acabará cego".
- Mahatma Gandhi


"Grande guerreiro? Guerra não faz 'grande' ninguém".
- Yoda, Mestre Jedi, personagem da séria Star Wars criada por George Lucas


"Nunca houve uma guerra boa nem uma paz ruim."
- There never was a good war or a bad peace.
- Benjamin Franklin; Carta a Josiah Quincy (11 de setembro de 1783)


"O homem deve amar a paz como meio para outras guerras!"
- Ihr sollt den Frieden lieben als Mittel zu neuen Kriegen.
- Also sprach Zarathustra: Ein Buch für alle und keinen mit Peter Gasts Einführung und einem Nachwort - Página 49, de Friedrich Wilhelm Nietzsche - Publicado por A. Kröner, 1930 - 426 páginas


"Os autores não conseguem escrever tão rápido como os governos fazem guerras. Escrever requer trabalho de pensar."
- Bertolt Brecht


"Em tempo de guerra, a primeira vítima é a verdade."
- When War is declared Truth is the first casualty
- Made in U.S.A.‎ - Página 169, de Boake Carter - Publicado por Dodge Publishing Company, 1938 - 234 páginas
- In time of war the first casualty is truth


"Há quem passe pelo bosque e só veja lenha para a fogueira"
- Leon Tolstói

É a guerra aquele monstro, que se sustenta das fazendas, do sangue, das vidas, e quanto mais come e consome, tanto menos se farta."
- Antônio Vieira


"Quanto mais armas militares um país produzir, mais inseguro ele se tornará: se você tem armas, torna-se alvo para ataque."
- Albert Einstein

domingo, 8 de março de 2009

Dia da Mulher / aniversário de João de Deus

Há dias reencontrei este poema de Pessoa e decidi trazê-lo para o meu "Dia da Mulher". Bem longe do que esperaria aqui escrever sobre o assunto, acabei por me render à beleza dos versos. E - que me perdoe o poeta - mas, sendo tão citado, decidi só lhe registar dos versos os que mais me deram "a surpresa de ser". A rimar em beleza, a ilustração é de Leonardo da Vinci, imagem que me acompanha desde há muitos anos a esta parte, como um "Hino à Mulher".


Dá a surpresa de ser.
(...)
Apetece como um barco.
Tem qualquer coisa de gomo.
Meu Deus, quando é que eu embarco?
Ó fome, quando é que eu como?
Fernando Pessoa, Cancioneiro

sábado, 7 de março de 2009

Ribeiro Sanches faz 310 anos...


António Nunes Ribeiro Sanches, estrangeirado ecléctico e com grandes serviços à Nação (que, até ao fim, o impediu de regressar a Portugal, por ser de origem judaica), faz hoje 310 anos. Sobre ele ficam estes links, deixando para outra altura o texto que gostava de escrever. Afinal, devo-lhe o "orgulho" de ser penamacorense, assisti à inauguração do seu busto no largo da Câmara e iniciei a minha vida profissional na escola que aí ostenta o seu nome.


Ainda assim e porque nos tempos que correm as áreas do Ensino e Educação no nosso país continuam agitadas e muito "conflituosas", decidi aqui deixar um pouco da minha preocupação, através de breves excertos da obra de Ribeiro Sanches e da de Luís de Camões:

“… Além disso o povo não faz boas nem más acções e raríssimas vezes se move por sistema nem por reflexão: será cortês ou grosseiro, sisudo ou ralhador, pacífico ou insultador, conforme for tratado pelo seu cura, pelo seu juiz, pelo escudeiro ou lavrador honrado. O povo imita as acções dos seus maiores. A gente das vilas imita o trato das cidades à roda; as cidades o trato da capital; e a capital o da corte. Deste modo, que a mocidade plebeia tenha ou não mestre, os costumes, que tiver serão sempre a imitação dos que virem nos seus maiores, e não do ensino que tiveram nas escolas …”.
in Cartas sobre a Educação da Mocidade

E é por estas razões que me "atrapalham" os atropelos constantes à língua portuguesa, oriundos dos que Ribeiro Sanches apelida de "maiores". Nestas alturas vem-me à memória Os Lusíadas e prefiro que seja Camões a desancar epicamente esses "maiores" quando não o sabem ser :

"Enfim, não houve forte Capitão
Que não fosse também douto e ciente,
Da Lácia, Grega ou Bárbara nação,
Senão da Portuguesa tão-somente.
Sem vergonha o não digo, que a razão
De algum não ser por versos excelente
É não se ver prezado o verso e a rima,
Porque quem não sabe arte, não na estima."
in Os Lusíadas, V, 97


(Bom, bom... Este tom não é o da toada de "umdiapormuitosebonsanos" ... A verdade é que hoje é o dia de "Parabéns a Você" do menino António Nunes Ribeiro Sanches e além de uma salva de palmas, deixo-lhe uma fotografia bem mais bonita do que aquela com que convivi nos idos de Penamacor..)