“Você sabe como, nas exposições, sempre reparo muito mais nas pessoas que passam do que nas pinturas. Também é assim no Salon D’Automne, com exceção do espaço reservado para Cézanne. Ali, toda a realidade está a seu lado: neste azul denso e estofado que ele possui, no seu vermelho, no seu verde sem sombras e no preto avermelhado de suas garrafas de vinho. De que precariedade vêm todos os objetos…”
Rainer Marie Rilke, Cartas sobre Cézanne in http://cartasaumjovempoeta.wordpress.com/tag/rilke/
Rotina
Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.
Eugénio de Andrade
Hoje roubei todas as rosas dos jardins
e cheguei ao pé de ti de mãos vazias.
Eugénio de Andrade
1 comentário:
Muito bom ter acesso ao que escreve e posta.Eu fico sempre mais rica...Obrigada!
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