terça-feira, 17 de novembro de 2009

Dia Nacional do não fumador

Comecei a fumar na idade do porque não, vulgo, adolescência. Não comemoro este dia, visto que continuo a fumar, embora espere bem que um dia possa comemorá-lo com uma história simpática de um fumador qualquer (tipo aquela bibliotecária que fumou até aos 80 e tal anos e faleceu com cento e tal, em França, penso...). Na verdade, gostaria de não ter começado e dou comigo a refilar desde esses tempos pelo facto de a "sociedade" (as empresas do tabaco, presumo e o poder político que as sustém) me ter criado e incentivado esse hábito social de irreverência, de glamour, de prazer ("king size, quilómetros de prazer...", com uma espécie de Lucky Luke solitário e aventureiro na rota das planícies americanas...)... Aborrece-me esta "obediência" prazenteira em que fluímos ao ritmo da publicidade criativa e inteligente, capaz de dialogar com as nossas necessidades mais básicas e dar resposta de momento (qual melhoral, não faz bem, nem faz mal) às nossas "dores de crescimento".
Se houve tanto cuidado nas estratégias para criar o hábito de fumar, por que razão não se coloca a mesma criatividade e subtileza nas estratégias para deixar de o fazer?... Aos sonhos iniciais responde o mesmo "poder" com os nossos fantasmas e maiores receios: infertilidade, doença letal, morte, multa, impostos, proibição, discriminação...
Todos sabemos que há que tomar cuidado com as "modas" e as novas necessidades (e oportunidades) de consumo que a sociedade nos propõe. Por este andar e modo de fazer política, ainda veremos a penalização dos "adictos" do turismo dos paraísos artificiais, porque degradam as condições de vida do planeta, contribuem para a exploração social e humana dos autóctones, endividam-se para poder passear, etc., etc., etc...
Ser forte, às vezes, é dizer que não e aprendemos isso de forma veemente na nossa adolescência. A verdade, porém, é que ao dizermos que não a uma franja do social que nos vê como um "patinho feio", corremos o risco de repetir a história na sociedade de "cisnes" que nos mostraram. E o "canto do cisne" não é de todo agradável...
Resumindo e concluindo: comecei a fumar, mas nunca deixei de ouvir a minha voz interior que me aconselhava a não o fazer, por uma questão de saúde. Já lá vão muitos anos, fui-me consolando com uma opinião da psicologia e neurologia que , em traços largos, demonstrava que o tabaco funcionava como um "ansiolítico" e... sabem que mais? Deixem-nos em paz e quando nos aumentarem o tabaco, não se esqueçam de dar melhores condições de vida às populações autóctones das ilhas paradisíacas... para ver se não temos ainda que nos chatear com as "fragilidades do sistema" e mais mil e uma reportagens bem indigestas a seguir a um "telejornal" recheado de "adictos" da velocidade, do dinheiro ou da beleza de bisturi.
Que se lixe! Hoje, ainda não consegui celebrar... Deve haver outra efeméride qualquer para eu poder fazer um brinde... Hip... hip.. hurra!...

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