terça-feira, 30 de junho de 2009

Dia Mundial da Arquitectura


Regressávamos de Itália, de caravana, num Agosto já de há muitos anos, quando entrámos em Barcelona (que eu não conhecia e julgava ser mais uma cidade antiga, rendida a prédios vidrados e blocos de apartamentos acamados como em linhas de montagem...)... A estranheza do passeio fez-se silêncio: de vez em quando, a arquitectura parecia saída de um museu (sim, que só daí eu conhecia a "arte nova"...)e... foi das cidades mais surpreendentes e belas que conheci e tudo devido a Gaudì (de arquitectura redonda sempre em abraço) ...
Fica para ele, hoje, a homenagem, neste link do youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=tqXpBjHSo4k

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Dia de S. Pedro


O S. Pedro era meu vizinho e eu gostava de o visitar: tinha uma igreja pequenina e antiga, com paredes revestidas de azulejos árabes e um tecto azul pejado de estrelas douradas. Só lá cabia ele no altar principal e, miúda que era, sempre lhe guardei um certo respeito e até temor: pequenino e em talha dourada, com uma chave na mão, parecia-me um menino grande que gostava que eu brincasse por ali, na sua vizinhança... mas os olhos, ai os olhos... grandes e redondos, pretos e brilhantes como os do escriba egípcio (que vim a conhecer mais tarde), pareciam estar sempre à espreita da primeira escorregadela para o "pecado", para me admoestarem e lembrar que... Na minha família havia alguns parentes com aqueles olhos, que acrescentavam às atrás descritas características um subtil e fluente estilo de humor... Se o S. Pedro, meu vizinho de brincadeiras, estivesse a sorrir um pouco, teria com certeza aquele olhar maroto de quem vai dizendo verdades com travessuras na voz! Que eu gostava muito dele, gostava (e da Santa Maria, que agora morava ali, desde que desaparecera a sua igreja, em anos dos tempos que já lá vão, do ainda assim nomeado Largo de Santa Maria, mais acima deste Largo de S. Pedro)... que os meninos mais novos que eu lhe plantaram uma tília que continua lá, também é verdade e que tenho muita pena de já não ter a fotografia que lhe tirei há muitos e muitos anos e que gos tava tanto de colocar aqui, entristece-me um bocadinho! Afinal, ele foi sempre um bom amigo e protector das minhas brincadeiras infantis e várias vezes deve ter evitado que fizesse mais umas asneirolas (daquelas que a mãe não gostava), só porque me tinha olhado nos olhos e não estava a sorrir e era logo a minha mãe que eu ouvia...
Tenho pena de não me lembrar de nenhuma quadra daquelas que eu ouvia quando era miúda e que muito me intrigavam: como é que os santos da igreja católica, tão sérios e de milagres, podiam ser alvo de tanta brincadeira malandreca? Vira o disco e toca o mesmo: tanto o S. António, como o S. João, como o S. Pedro ouviam os mesmos elogios (uns "thrickster" pagãos era o que era, uns namoradeiros malandrecos, uns... só durante este mês de Junho, é um facto...)...

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Dia de S. João / Dia do Ardina


O melhor do S. João era o cheiro acre a rosmaninho, a "fogueira" grande e alta encimada por uma boneca toda vestida de cores garridas (a rimar com os arcos de bandeiras e balões de papel, que decoravam as ruas), o içar dessa "fogueira" (um tronco de pinheiro altíssimo, vestido e revestido de rosmaninho) e, lá pela meia-noite, o lançar fogo à "fogueira", ao som de cantos profanos que enchiam de alegria os ares, perfumados do cheiro forte e saudável das encostas dos montes, que davam garridice às gargantas e agilidade para o bailarico e para saltar as últimas labaredas dos lumes... E tudo a rir e a cantar:

S. João p'ra ver as moças
fez uma fonte de prata...
As moças não vão a ela,
S. João todo se mata...

(esta referência às fontes tinha ainda ritualização não pelo S. João, mas pelo Santo António: a população "corria as fontes", ou seja, percorria algumas das várias fontes da vila de Penamacor e, em cada uma, cantava e dançava quadras alusivas aos três santos populares que, como se pode deduzir da breve referência anterior à festa de S. João, mergulhavam as suas raízes na antiguidade pagã e parecem ser memória das "fogueiras de Beltane" celtas, por exemplo, que ritualizavam o solstício de verão de forma bastante semelhante...)
S. João surge nestas quadras como paradigma do homem folião, malandrão, engatatão (" S. João era bom homem / se não fosse tão velhaco..."), bem afastado do que sobre ele a Bíblia nos conta. A cristianização destas festas ancestrais não conseguiu apagar as memórias de cultos pagãos da natureza, rituais de fertilidade e ritos iniciáticos a que muitas delas estão associados.
Gosto do S. João e do Santo António e do S. Pedro... e das recordações felizes que, ao longo dos anos, têm semeado a minha vida "festiva"...
(A ver se ainda consigo recolher algumas das quadras da minha infância, porque de momento só consegui trazer à memória a que aqui transcrevi!... E vamos a mais uma sardinha assada e a um bom copo de vinho tinto!... Até p'ró ano!...)

domingo, 21 de junho de 2009

Dia Europeu da Música / Dia do Relógio de Sol


O meu roseicolli chama-se Papageno e está cá em casa desde Fevereiro. A verdade é que ele é um compositor e executante nato: passa os dias a ensaiar novas partituras, que inventa durante ou depois de uns soninhos redondos. Até o João Ratão e a Carochinha já se renderam aos seus concertos (e a mais altos voos em seu encalce), depois de ele os encantar com a sua garganta mágica ou de os seguir pat'-ante-pata até aos pratinhos da paparoca de gato. Hoje, que é dia europeu da música, deixo aqui uma homenagem à felicidade de Amadeus Mozart e à alegria enternecida e sem tempo do seu Papageno: afinal, quando olhei para o meu pássaro, logo o ouvi cantar para a sua Papagena e... herdou-lhe o nome!
(em som miudinho: acho que gostava mais ainda de também ter sido música!...)

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Dia Mundial do Combate à Seca e Desertificação


É bonito, não é, este cartaz?
Combatendo a seca e a desertificação, o cartaz continua vivo por aqui, sempre ao nosso lado, quando decidimos ver o para que olhamos.

(se calhar também somos assim bonitos, vistos lá de dentro do cartaz... É melhor perguntar aos peixes e às plantas, espelho meu, espelho meu, haverá um olhar mais lindo do que o teu?!... Obrigada...)

terça-feira, 16 de junho de 2009

Dia da Criança Africana


Porque são belas e beleza é saúde e saúde é vida e... viva a vida!
Poema escrito por uma criança africana
When I born, I Black,
When I grow up, I Black,
When I go in Sun, I Black,
When I scared, I Black,
When I sick, I Black,
And when I die, I still black...

And you White fella,
When you born, you Pink,
When you grow up, you White,
When you go in Sun, you Red,
When you cold, you Blue,
When you scared, you Yellow,
When you sick, you Green,
And when you die, you Gray...
And you calling me Colored??


Em português:

Quando eu cresço, eu fico preto,
Quando eu tomo sol, eu fico preto,
Quando estou assustado, eu fico preto,
Quando eu estou doente, eu fico preto,
Quando eu morro, eu ainda sou preto...

E você parceiro branco,
Quando você nasce, você é rosa,
Quando você cresce, você fica branco,
Quando você toma sol, você fica vermelho,
Quando você sente frio, você fica azul,
Quando você fica assustado, você fica amarelo,
Quando você está doente, você fica verde,
E quando você morre, você fica cinza...
E você me chama de colorido ??

Colored (Colorido) é o termo usado em inglês para fazer referência aos negros.
(in... peço desculpa, mas não consigo reencontrar o blogue brasileiro de onde tirei este poema! Quando o achar coloco!)