Quando era miúda, um dos meus irmãos, o Filipe II, divertia-me a bom rir com a sua pratada de anedotas sempre prontas e certeiras... era um contador de anedotas em "full-time"! E eu, que sempre fui uma ouvinte distraída de anedotas, crédula e um pouco infantil, ouvia, ria, gargalhava e esquecia. Deve ser por isso que já não consigo lembrar-me dos meandros da que eu preferia (não é contador de anedotas" quem quer...) e que versava sobre o mediático carisma do "Zezinho dos plásticos": personagem que conhecia toda a gente e toda a gente conhecia no universo e que justificava a sua fama universal com um lapidar: "O que é preciso é publicidade"!...
O que tem isto a ver com a "restauração da independência", 370 anos depois, se já não há Filipes de Espanha como havia antigamente, daqueles que criaram "Armadas Invencíveis" com o sonho dos pinhais de D. Dinis ou das terras a oriente do Preste João ou...? Não há?!... Haverá?... Receio que a nossa falta de Independência se deva também aos Zezinhos dos Plásticos intestinos que, à sombra (sobranceira) dos paraísos artificiais por onde desenvolvem a sua mediática imagem e delírios de grandeza, nos enfileiram nas suas "naus a haver" dos mercados internacionais, mercados bolsistas, mercados off-shores, mercados de bulas, abstinências, jejuns, perdões fiscais, tudo ao molho e fé em Deus que é quem nos dirige a barca e a bolsa e o arrependimento e desculpem lá portugueses que tive de ceder a satã pactuar e calar pelos altos desígnios da Nação Portuguesa tão somente... No media-market da nação e na língua-franca de Sua Majestade vendem-se imagens de salvação, de papão, de feijão e muito outro palavrão terminado em -ão, como chouriço que acaba em cordel, como me ensinou a Maria João que também se emigrou para as terras do Preste João a ver se a sua alta classificação aí lhe garantia o pão... Ãouh!.. Ãouah!... que apetece ladrar às canelas do tempo: Ourrah!... Irra!... Porra!... ... 'tá bem... Arroz!...
República ou Monarquia? Sei lá!... Olhe, aquela que deixar o Zezinho dos Plásticos confinado às anedotas do Filipe, meu irmão...
(que não há paciência para esta falta de independência... arroz, arroz, arroz... prontos... ponto.)
(Retrato Económico da União Europeia. Desconheço o autor.)


2 comentários:
Ouvi falar de um nevão lá na nossa Beira agora nestes dias, mas isso que cobre a passarada cá debaixo não é neve pois não? Bem me parecia... se calhar escolhemos mal o poleiro!...
Oh! Luísa!!!
Que texto! Que imagens!!!
Bravo!
Bem haja.
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