Este meu melhor amigo,
que no fundo é um mansarrão,
quando me vê deserdada,
é forte que nem leão.
Deserdada fui eu já
quer de vida ou de alegria,
quer de sonhos ou magia...
Mas foi pela hora da sorte
que o meu gato aqui chegou:
com as botas de sete léguas
e o seu chapeirão listrado
foram tantos os seus mimos
que me pôs o céu estrelado...
E é este o meu dia-a-dia...
Quer esteja aqui bem por perto,
ou seja amigo distante,
sem o meu Gato das Botas,
outra menina seria,
bem diferente, mais minguante...
E depois dos amigos à minha maneira (todos eles uns verdadeiros "Gatos das Botas"), ficam a voz de Cecília Meireles, também ela sobre os seus (nossos) amigos e, no final, um vídeo sobre a amizade entre animais, também eles nossos amigos e "gatos das botas" uns dos outros...
Recado aos Amigos Distantes
Meus companheiros amados,
não vos espero nem chamo:
porque vou para outros lados.
Mas é certo que vos amo.
Nem sempre os que estão mais perto
fazem melhor companhia.
Mesmo com sol encoberto,
todos sabem quando é dia.
Pelo vosso campo imenso,
vou cortando meus atalhos.
Por vosso amor é que penso
e me dou tantos trabalhos.
Não condeneis, por enquanto,
minha rebelde maneira.
Para libertar-me tanto,
fico vossa prisioneira.
Por mais que longe pareça,
ides na minha lembrança,
ides na minha cabeça,
valeis a minha Esperança.
Cecília Meireles, Poemas (1951) in o citador
(itálico e negrito de responsabilidade nossa)

2 comentários:
Que lindo poema da querida Cecília!
Os destaques bem a propósito.
Sempre a aprender.
Obrigado, Senhora Professora.
Continuarei a portar-me bem. Não vou "gastar" do novo estatuto do aluno...
Nunca ando a par destes "dias internacionais", mas aproveito para enviar um beijo de amizade!...
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