Estava a pensar o que de que escrever sobre a efeméride do dia e acabei por estacionar no "cais de pedra" de Fernando Pessoa. Fui procurar a "Ode Marítima" na Internet (não saí deste "cais de pedra" que é a minha cadeira, naveguei um pouco qual "paquete" t-t-t-t---ttttt---t--t--...) e regressei breves minutos depois já com a selecção de versos que aqui iria deixar. E eu acho esta navegação um assombro, com esta calma rapidez com que aportamos a tanto porto... e em todo o porto há um cais que de saudade em saudade nos vai balanceando o futuro do que queremos sonhar. E deste "cais de pedra donde se não parte" (e que é ainda a minha cadeira de trabalho), rápido navegarei para mais uma imagem (uma foto, ilustração, o que for se verá) ...
"Ah, todo o cais é uma saudade de pedra!
(...)
Tanta nacionalidade sobre o mundo! tanta profissão! tanta gente!
Tanto destino diverso que se pode dar à vida,
À vida, afinal, no fundo sempre, sempre a mesma!
Tantas caras curiosas! Todas as caras são curiosas
E nada traz tanta religiosidade como olhar muito para gente.
A fraternidade afinal não é uma ideia revolucionária.
É uma coisa que a gente aprende pela vida fora, onde tem que tolerar tudo,
E passa a achar graça ao que tem que tolerar,
E acaba quase a chorar de ternura sobre o que tolerou!
(...)"
in Álvaro de Campos, Ode Marítima

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