sexta-feira, 22 de maio de 2009

Dia Internacional da Biodiversidade / Dia do Autor Português



É bom ver o lince sem ser no museu (ou não ver mais que a sua sombra fugidia, esgueirando-se na beleza da Malcata...), é bom ver as cegonhas de novo em Azeitão, é bom reencontrar os cheiros mais agrestes e as cores mais variegadas, porque regressam de novo os prados da infância e o há qu'anos não via "camisinhas do menino Jesus"... A biodiversidade é feliz, porque é vária.


E porque é dia do autor português, decidi registar um nome e um poema que, desde o liceu, me foi acompanhando nos estudos da literatura: a "Leonoreta" de João de Lobeira, antepassada da Lianor de Camões e da "Leonoreta vai na brasa de lambreta" de António Gedeão, por exemplo. E que dizer do ritmo? A água também corre assim... E já lá vão 800 anos que este autor português nos cantou a sua "Leonorzinha"! Querido autor português, sempre!...

Senhor genta
mi tormenta
voss'amor en guisa tal
que tormenta
que eu senta
outra non mé ben nen mal,
mais la vossa m'é mortal:

Leonoreta,
fin roseta,
bela sobre toda fror,
fin roseta,
non me meta
en tal coita voss'amor!

Das que vejo
non desejo
outra senhor se vós non,
e desejo,
tan sobejo,
mataria um leon,
senhor do meu coraçon:

Leonoreta,
fin roseta,
bela sobre toda fror,
fin roseta
non me meta
en tal coita voss'amor!

Mia ventura
en loucura
me meteo de vos amar;
é loucura,
que me dura,
que me non posso quitar,
ai fremosura sen par:

Leonoreta,
fin roseta,
bela sobre toda fror,
fin roseta,
non me meta
en tal coita voss'amor!

João de Lobeira (CNB 228)

genta - gentil, formosa
fin roseta - perfeita rosinha
quitar - apartar, deixar, libertar
coita - sofrimento

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