terça-feira, 19 de maio de 2009

Dia do Advogado

Sem grandes preocupações etimológicas, facilmente se percebe que a palavra "advogado" é formada pela preposição "ad-" (aproximação) com o particípio passado do verbo latino "vocare" (chamar): chamado para se "aproximar" de alguém (ajudar, interceder...). É interessante verificar que a doutrina e mesmo a liturgia cristã empregam frequentemente a palavra advogado (-a) para se referir aos santos, à Virgem, a Cristo. Eu, que tive educação católica, lembro-me bem de se referirem os Santos como "advogado de...", ou seja, patrono. Pois bem, e neste sentido, o "advogado" dos advogados é S. Ivo e é dele a ilustração deste texto.

Noutro aspecto, confesso que às vezes me irrito supinamente com a "verborreia" dos advogados e o comprazimento teatral com que gostam de esgrimir argumentos e perorar sozinhos: dá a ideia de que em vez de fazer serviço (procurar a Verdade), só pretendem "épater le bourgeois" ou ganhar "nome na praça" ou - e é isso que me parece - ter razão. Assim sendo, o seu discurso não se dirige "ad alterum", mas "ad se"... e antes que "apanhe mais nas orelhas", por aqui me fico, relembrando contudo a velha brincadeira com que se mimoseavam os alunos de Letras, na universidade: "letras são tretas"... às vezes são: na boca dos "tretas"...


E, agora, que me perdoem os Ad-vogados (que os há e devem ser muitos) e mais ainda todos os que fizeram história e a quem com certeza muito devo... sim, devo!... Que me perdoem Gandhi, Antero de Quental, Ruy Belo... e que S. Ivo me proteja também, para ver se nunca mais escrevo do segundo parágrafo!...

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