Nasci a olhar para as montanhas e serranias beirãs. Do alto do castelo via a Gata, a Malcata, Monsanto habitada e tremeluzente à noite e várias outras elevações de que ainda hoje desconheço o nome. Habituei-me à surpresa dos regatos e ribeiras no sopé das montanhas e aquela vegetação rasteira e acre ao longo das encostas, luxuriante e enorme já perto das linhas de água. Desde cedo ( e talvez por isso), o meu desenho "automático" de distraída era uma cordilheira de montanhas a encimar um rio serpenteante de águas azuis e límpidas, na margem do qual cresciam árvores, à sombra das quais se fazia piqueniques... Com 12 anos, fiz um grande painel em ponto-cruz, que ainda conservo graças ao cuidado extremoso de minha mãe: a paisagem, oriental, é idêntica e sinto-me feliz por a ter a habitar a minha casa. Muito do que sou está nesse quadro também: memórias de felicidade transportadas do tempo da infância (à sombra de um castelo, a olhar as montanhas, a adivinhar a Bazágueda e as suas represas). De muitas das melhores viagens que fiz, guardo o encantamento feito de silêncio e respeito por essas paisagens montanhosas: Trás-os-Montes, Montenegro, Áustria... Vivo junto de outra: a Arrábida e ... gosto... muito. Sempre escondidos, ora tímidos, ora azougados, os regatos e riachos são filhos da montanha. E depois há a música própria da montanha, e as cores e os cheiros... A seguir, uma música ("La Montagne") que me fez companhia muitas vezes como aluna e professora, cantada pela belíssima voz de Jean Ferrat.http://www.youtube.com/watch?v=3PTbhH--rWc
(100 anos de M
anoel de Oliveira)Não sou grande cinéfila. Vejo um filme da mesma forma que vejo uma exposição e guardo sobretudo ambiências, atmosferas, memórias de beleza e do meu estado de espírito na altura. De Manoel de Oliveira, recupero sempre a calma, a sobriedade, a fruição lenta e estética de paisagens, "décors" e personagens. Acompanho o seu olhar lento e minucioso, capaz de desvendar beleza em tudo o que filma. Ao lado dele, guardo Fellini, Kurosawa, o realizador chinês de "Milho Vermelho", Paulo Rocha, ... E estou muito feliz por o saber a festejar os seus 100 anos (e quem diz que é velho, não o vê a trabalhar, a falar, a intervir... )... Um senhor LINDO (é dos mais bonitos adjectivos da língua portuguesa, não é?!...). Parabéns para ele.
http://dossiers.publico.pt/dossier.aspx?idCanal=2693
http://www.tsf.pt/paginainicial/AudioeVideo.aspx?content_id=1057153
http://sic.aeiou.pt/online/homepage
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