domingo, 28 de fevereiro de 2010

Aniversário de Montaigne, Aniversário de Rui Reininho

«Desejaria que houvesse o cuidado de lhe escolher [à criança] um condutor [preceptor] que antes tivesse a cabeça bem feita do que muito cheia.»

«Um leitor inteligente descobre frequentemente nos escritos alheios perfeições outras que as que neles foram postas e percebidas pelo autor, e empresta-lhes sentidos e aspectos mais ricos. »

«O nosso maior prazer neste mundo são os pensamentos agradáveis.»

«Se eu fosse um fabricante de livros, faria um registo comentado das diversas mortes. Quem ensinasse os homens a morrer, ensiná-los-ia a viver .»

«Viver é o meu trabalho e a minha arte.»
 
«A honra que recebemos daqueles a quem tememos em nada nos honra .»


(Rui Reininho: controverso, mas carismático...; dos GNR, gosto mesmo é das "Dunas", mas não encontrei nenhum vídeo que me interpretasse esta composição...)











sábado, 27 de fevereiro de 2010

Aniversário de D. João de Castro, Paul Ricoeur, Dexter Gordon, Elizabeth Taylor

D. João de Castro
"Numa mão a espada e na outra a pena"
(Os Lusíadas, Luís de Camões)
"Tanta era a consciência da própria honra que empenhava os ossos do filho, depois as barbas, ao pagamento duma soma que pedia para o serviço do rei, e não para si. 0 povo de Goa respondeu a esta carta com quantia muito superior à que fora pedida, vendo que tinham um governador tão humilde para os rogar, e tão grande para os defender."
in  http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_de_Castro

"(... ) ciência, a qual alcança um conhecimento sem epílogo, um conhecimento aberto, em constante movimento de aproximação, não compatível com o espírito de sistema. Diz-nos por isso, no segundo texto, que o saber das ciências é «chegado à verdade», e não a verdade absoluta (...)"
in http://cvc.instituto-camoes.pt/filosofia/ren3.html

"A violência que fala é já uma violência que procura ter razão; é uma violência que se coloca na órbita da razão e que começa já a negar-se como violência."
Paul Ricoeur in "O Citador"
http://ricoeur.iaf.ac.at/

(Fabuloso, de humano, Dexter Gordon em "À Volta da Meia-noite" de Martin Scorsese: "...My life is music... My love is music...)



(Magnífica Elizabeth Taylor: belíssima, excelente actriz, irreverente, intensa, apaixonada, menina ... tinha tudo para ser um dos meus "ídolos" de adolescente. E era!... Aqui, é Cleópatra, subjugando Roma .. e aquela piscadela de olho, no final, a César ... imperdível)

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Aniversário de Victor Hugo, Fats Domino

(Oiça-se a música deste poema:)

Quels sont ces bruits sourds?

Écoutez vers l'onde
Cette voix profonde
Qui pleure toujours
Et qui toujours gronde,
Quoiqu'un son plus clair
Parfois l'interrompe... -
Le vent de la mer
Souffle dans sa trompe.

Comme il pleut ce soir!
N'est-ce pas, mon hôte?
Là-bas, à la côte,
Le ciel est bien noir,
La mer est bien haute!
On dirait l'hiver;
Parfois on s'y trompe... -
Le vent de la mer
Souffle dans sa trompe.

Oh! marins perdus!
Au loin, dans cette ombre,
Sur la nef qui sombre,
Que de bras tendus
Vers la terre sombre!
Pas d'ancre de fer
Que le flot ne rompe. -
Le vent de la mer
Souffle dans sa trompe.

Nochers imprudents!
Le vent dans la voile

Déchire la toile
Comme avec les dents!
Là-haut pas d'étoile!
L'un lutte avec l'air,
L'autre est à la pompe. -

Le vent de la mer
Souffle dans sa trompe.


C'est toi, c'est ton feu
Que le nocher rêve,
Quand le flot s'élève,
Chandelier que Dieu
Pose sur la grève,
Phare au rouge éclair
Que la brume estompe! -
Le vent de la mer
Souffle dans sa trompe.

Victor Hugo

(Saudades felizes de um excelente concerto, nos idos de 80, no Coliseu de Lisboa... Uma ternura em palco, este Senhor! E... quem não dança com esta música?!...)

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Aniversário de Auguste Renoir, Cesário Verde, Alfredo Marceneiro, Enrique Caruso, António Damásio

Aqui, o vermelho das papoilas de Cesário poisou na cabeça das "duas irmãs", de Renoir.

De Tarde
Naquele pic-nic de burguesas
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.

Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão de ló molhado em malvasia.

Mas, todo púrpuro, a sair da renda
Dos teus dois seios com duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas.

Cesário Verde
 
"O sole mio"...
 

 
http://www.youtube.com/watch?v=VmzUKdQG4w8  (para quem gosta do "castiço" Marceneiro...)
 
A ver, ouvir, ler... António Damásio. É muito bom acompanhar-lhe a calma, segurança e a simplicidade (possível) com que expõe as suas  interrogações, perplexidades e conclusões.

 http://www.psiquiatriageral.com.br/cerebro/entrevista_antonio_damasio.htm

http://ww1.rtp.pt/blogs/programas/grande_entrevista/?k=Grande-Entrevista-com-Antonio-Damasio.rtp&post=1337

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Aniversário de David Mourão-Ferreira / Aniversário de Pablo Milanés



YOLANDA, Pablo Milanés
Esto no puede ser no mas que una cancion

quisiera fuera una declaracion de amor
romantica sin reparar en formas tales
que ponga freno a lo que siento ahora a raudales
te amo
te amo
eternamente te amo
si me faltaras no voy a morirme
si he de morir quiero que sea contigo
mi soledad se siente acompañada
por eso a veces se que necesito
tu mano
tu mano
eternamente tu mano

cuando te vi sabia que era cierto
este temor de hallarme descubierto
tu me desnudas con siete razones
me abres el pecho siempre que me colmas
de amores
de amores
eternamente de amores

si alguna vez me siento derrotado
renuncio a ver el sol cada mañana
rezando el credo que me has enseñado
miro tu cara y digo en la ventana

yolanda
yolanda
eternamente yolanda
yolanda
eternamente yolanda
eternamente yolanda

Pablo Milanés



Paraíso

Deixa ficar comigo a madrugada,
para que a luz do Sol me não constranja.
Numa taça de sombra estilhaçada,
deita sumo de lua e de laranja.
Arranja uma pianola, um disco, um posto,
onde eu ouça o estertor de uma gaivota…
Crepite, em derredor, o mar de Agosto…
E o outro cheiro, o teu, à minha volta!
Depois, podes partir. Só te aconselho
que acendas, para tudo ser perfeito,
à cabeceira a luz do teu joelho,
entre os lençóis o lume do teu peito…
Podes partir. De nada mais preciso
para a minha ilusão do Paraíso.

David Mourão-Ferreira

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Dia do Surdo-mudo / Aniversário de Häendel

Belíssimo "Imagine" de John Lennon, interpretado por um coro de surdos-mudos (imagine!...)...



Imperdível Farinelli, com música de Häendel...



... e uma, sempre esplendorosa,  Allelluya...

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Dia Europeu da Vítima / Aniversário de Baden-Powell, Buñuel; Niki Lauda




Educar é confiar e responsabilizar. Baden-Powell e Michel Giacometti, em alturas diversas da minha vida, deram-me a lição de vida que só agora consegui traduzir, assim, em linguagem. Baden-Powell regeu-me os sonhos da infância e Giacometti confirmou-os na idade adulta. A noção de "Serviço Cívico" já estava em Baden-Powell e, criança de olhos abertos para a fantasia (como todas), guardei para sempre a imagem  fantasiada de um Explorador africano com um chapéu na cabeça e  uma rede de caçar borboletas, na mão. Nos meus sonhos, acho que ele andava mesmo e só à procura da Beleza, que tanto estava, fisicamente, nas borboletas como, animicamente, nos jovens que lhe borboleteavam à volta, à procura de um caminho traçado a pólen de flores, um caminho de  Jovens para a  Vida toda...