Há quem diga que o Capuchinho Vermelho também é o Lobo Mau ou que este é a sua sexualidade ou... ou... Cá por mim, o Lobo Mau é mesmo o lobo mau e é exterior à menina: ameaças, perigos, medos, tudo aquilo afinal que não está domesticado e com que não convive todos os dias. Até ao dia em que o Lobo Mau deixe de ter fome dos bolinhos da Avó e a Menina possa descobrir com ele os tesouros da floresta que tanto encanta (a) ambos...
A minha escola tem sonho de música nas raízes. Quando Michel Giacometti faz anos é "Dia do Patrono". E hoje é o seu dia.
(Terá ele recolhido algum "Parabéns a Você" ou equivalente?!... Agora, cantávamo-lo a ele!... Como não sei, aqui fica um canto de "carvalheiras", que não sei o que são, mas que na minha infância, e pelo S. João, também cantava num refrão "Ai carvalheiras, carvalheiras, carvalheiras / E vivó rancho das solteiras"!... É tão alegre e bem-disposto - o meu refrão, claro -, que acho que ele ia gostar...)
... Estou com muitas saudades dos pinheiros que vão desaparecendo e sinto-me um Ideiafix com vontade de ladrar a quem mos anda a derrubar (nemátodo, nemátodo... mas vão lá aparecendo urbanizações, c'um raio!)... Nasci e cresci ao pé deles, conheço-lhes a respiração e a minha quando eles estão por perto (dizem que sou pinheiro, as gentes dos horóscopos celtas e eu gosto ay flores ay flores do verde pino, ay Deos e hu é?)... Como entretanto descobri mais um pássaro do bel'canto, com uma cauda de gala em forma de lira: o "oiseau lyre" ( é uma vergonha mas continuo a não saber o nome em português, sempre em recordações do belíssimo "oiseau-lyre" de Jacques Prévert), decidi deixá-lo aqui para regalo dos nossos ouvidos, já que nos sabe contar muito bem as belas histórias da diversidade biológica que o encantam e que ele reproduz com uma grande "performance" artística...
É condição do "herói" partir. Partir para se encontrar e encontrar as condições de vida que lhe permitem aceder a "ser" (humano). Partir por si e/ou pela Humanidade é o mesmo. Por cada homem feliz (o "herói") há uma parcela de Humanidade que... . É por isso que gosto de "olhar... a memória... de passarem aves", num feliz encontro de Jorge de Sena com as palavras de Sá de Miranda, para quem "caem co'a calma as aves"...
Aqui ficam, pois, Jorge de Sena e Manuel Freire, dois dos que continuam a traçar o rumo das "migrações" que vejo passar ano após ano, rumo a um mapa de encontros e de sonhos... ...DE PASSAREM AVES À memória de Sá de Miranda
Das aves passam as sombras, um momento, no chão, perto de mim. No tardo Verão que as trouxe e as demora, por que beirais não sei onde se abrigam piando como ao passar chilreiam.
Um momento só. Rápidas voam! E a vida em que regressam de outras terras não é tão rápida: fiquei olhando as sombras não, mas a memória delas, das sombras não, mas de passarem aves. Jorge de Sena, Pedra Filosofal
Ei-los que partem
Ei-los que partem novos e velhos buscando a sorte noutras paragens noutras aragens entre outros povos ei-los que partem velhos e novos
Ei-los que partem de olhos molhados coração triste e a saca às costas esperança em riste sonhos dourados ei-los que partem de olhos molhados
Virão um dia ricos ou não contando histórias de lá de longe onde o suor se fez em pão virão um dia ou não Manuel Freire