Enquanto as palavras nos faltarem, mais vale ouvir as de Vieira (século XVII), que também ele comemou esta efeméride, no terreno, e durante toda a sua vida (e bem caro pagou por isso, no seu tempo, claro, que hoje o ouvimos, clari-vidente).
"Ah, fazendas do Maranhão, que se esses mantos e essas capas se torceram, haviam de lançar sangue!"
Sermão das Tentações, S. Luís do Maranhão
"Em qualquer parte do mundo se pode verificar o que Isaías diz dos príncipes de Jerusalém: os teus príncipes são companheiros dos ladrões. E porquê? São companheiros dos ladrões, porque os dissimulam; são companheiros dos ladrões, porque lhes dão os postos e os poderes; são companheiros dos ladrões, porque talvez os defendam; e são, finalmente, seus companheiros, porque os acompanham e hão-de acompanhar ao inferno, onde os mesmos ladrões os levam consigo".
Sermão do Bom Ladrão (Lisboa, Igreja da Misericórdia, sexta-feira santa de 1655)
Se conhecemos os referentes espacio-temporais que enformam os sermões (defesa dos Índios do Maranhão, sociedades Portuguesa e Brasileira no século XVII...), a verdade é que as palavras do nosso "Imperador da Língua Portuguesa" nos são eternas pelo que acarretam de intemporalidade do literário (na forma) e de defesa dos valores humanos (no conteúdo)... Aliás, o excerto do segundo sermão citado disso nos dá conta ("Em qualquer parte do mundo")...
Apetece ou não apetece contar histórias de hoje (e sempre), começando por "Há muito, muito tempo, num reino distante..."?!... Era dessas que eu gostava de contar, ai isso era... Quando eu for grande... vou escrever para os pequenos... e depois...: viveram felizes para sempre...
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