
Dos meus avós, guardo em lugar especial a recordação da minha avó-madrinha Luísa Mariana (avó paterna), que tinha a suprema felicidade de, mesmo acamada, se rir a bandeiras despregadas com os filmes do Charlot e contagiar todos com as suas gargalhadas por causa dos "apatetados" (diga-se que tinha quase 90 anos, era analfabeta e estava completamente surda desde há muito...). E depois, havia a suprema bondade dela, que eu me habituei a aferir pelo seu grau de confiança nos outros. Quando não ouvia o que lhe diziam, ria e continuava uma conversa qualquer, que era sempre alegre. Bondosa, alegre, de olhos infantis e sempre ocupados, estava de bem com a vida e conhecia o dom do amor. Ficou sempre por perto de mim e ainda hoje me serve de referência em humildade, simplicidade e na alegria de viver.
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