Os avós sabem do milagre da Vida... por isso, a avó Direjná quando grigrila (canta), faz brotar a água para os seus netos e eles são felizes até que e se...
Vale muito a pena ver esta belíssima animação sobre uma lenda boliviana... pelo amor aos avós (à terra, à Natureza, à Vida)...
Esta é uma história que é contada milenarmente pelo povo Ayoreo, da Bolívia. Dizem eles que no principio havia uma avó, que era um grilo chamado Direjná. Esta avózinha era a dona da água e por onde quer que ela passasse com seu canto de amor, a água brotava. Um dia, os netos pediram que ela fosse embora e ela partiu, triste. Mas, na medida em que ia sumindo, também a água ia embora. Neste vídeo, a história se atualiza e na sua viagem para lugar nenhum a avó é encontrada pelos empresários que a aprisionam e fazem com que ela faça a água cair apenas nos seus caminhões pipa. Então, eles vendem a água. O povo passa necessidade e sofre. A avózinha também sofre. Até que um dia, o povo entende que é preciso lutar. Então….
Vale a pena ver essa beleza de desenho animado, que representa a poderosa luta dos povos originários contra a mercantilização da natureza.
A produção foi feita na Dinamarca, por The Animation Workshop, Nicobis, Escorzo, e pela Comunidade de Animadores Bolivianos. O trabalho de desenho foi realizado por oito animadores bolivianos, dirigido por um francês, com música da embaixadora da Bolívia na França, e a ajuda de um mexicano e uma alemã. Todo juntos na defesa dos recursos naturais.
Elaine Tavares, in http://www.brasildefato.com.br/node/4499
terça-feira, 26 de julho de 2011
segunda-feira, 18 de julho de 2011
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Dia Mundial das Redes Sociais
(de Almada Negreiros, Lá vem a Nau Catrineta)
Aqui, como na vida. É igual.
BARCA BELA
Pescador da barca bela,
Onde vás pescar com ela,
Que é tão bela,
Ó pescador?
Não vês que a última estrela
No céu nublado se vela?
Colhe a vela,
Ó pescador!
Deita o lanço com cautela,
Que a sereia canta bela ...
Mas cautela,
Ó pescador!
Não se enrede a rede nela,
Que perdido é remo e vela
Só de vê-la,
Ó pescador.
Pescador da barca bela,
Inda é tempo, foge dela,
Foge dela,
Ó pescador!
Almeida Garrett, Folhas Caídas
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Dia de Santo António / Aniversário de Fernando Pessoa
ROMANCE
Estava Santo António
um sermão a decorar,
quando o Menino Jesus
no livro lhe foi poisar,
tão bonito e tão alegre
que era mesmo de pasmar.
-Menino, olhe que amanhã
tenho muito que pregar,
andam as almas perdidas;
anda o demónio a tentar,
para vencer o demónio
tenho muito que estudar.
-António, tanta leitura
vai os teus olhos cansar,
nunca levantas a cabeça,
nunca vais apanhar ar;
leva-me em cima do livro,
vamos os dois passear.
-Mas, meu Menino, amanhã
tenho muito que pregar,
se me não ouvirem homens,
oiçam-me os peixes do mar;
as almas perdem-se todas
e eu todas lhe quero dar.
-António, as almas perdidas,
sempre as havemos de achar;
o dia está tão bonito,
estão os cravos a cheirar;
se me não levas ao colo,
co'os teus papeis vou brincar!
Afonso Lopes Vieira
"A quadra é um vaso de flores que o Povo põe à janela da sua alma. Da órbita triste do vaso escuro a graça exilada das flores atreve o seu olhar de alegria. Quem faz quadras portuguesas comunga a alma do povo, humildemente de todos nós e errante dentro de si próprio. Ser intensamente patriótico é, primeiro, valorizar em nós o indivíduo que somos, e fazer o possível por que se valorizem os nossos compatriotas, para que assim a Nação que é a suma viva dos indivíduos que a compõem, e não o amontoado de pedras e areia que compõem o seu território, ou a coleção de palavras separadas ou ligadas de que forma o seu léxico ou a sua gramática — possa orgulhar-se de nós que, porque ela nos criou, somos seus filhos, e seus pais, porque a vamos criando", Fernando Pessoa
Então, para o menino Fernando que também é Pessoa, hoje mandamos umas quadras para ele pôr no seu manjerico:
O Santo António é tão crido
e querido por nós todos
que até nos dá o menino
p'ra andarmos com ele ao colo.
É certo que este Menino
já nos deu colo a nós todos...
mas esta é uma lei da vida
que nos dá grande consolo.
Hoje, o colo é do Fernando,
que só não foi de Bulhões,
enviamos-lhe estas quadras,
que nos saem dos corações.
Foi forte, belo e sadio,
pensou por ele e por nós
e com o seu desafio,
já fez de nós bons avós.
Como Pessoa o ouvimos,
com o seu silêncio sonhamos,
às vezes é um menino,
ao colo de quem amamos;
é Fernando, talvez Pessoa
ou de Bulhões seja ele...
Gostamos do Santo António
e celebramos-lhes o treze
(de Junho, claro!...)
Oh meu querido Fernando,
foste de bulha e bulhões,
por fora Fernando António,
sonhaste-nos os alçapões.
Tanta cabeça da gente
por dentro da tua, sonhada;
depois do perigo ingente,
saímos de alma elevada.
Acho que foi Santo António
que te foi pegando ao colo
e que tocando o harmónio,
nos foste embalando a todos...
Agradece-lhe por nós
as quadras com que nos brindas
e pede-lhe que nos dê voz
p'ra lhe dar as boas-vindas
no próximo 13 de junho
do ano que se aproxima...
Bem haja ele para nós
que é o que a Vida nos destina.
(E, então, até p'ró ano... Parabéns!...)
Estava Santo António
um sermão a decorar,
quando o Menino Jesus
no livro lhe foi poisar,
tão bonito e tão alegre
que era mesmo de pasmar.
-Menino, olhe que amanhã
tenho muito que pregar,
andam as almas perdidas;
anda o demónio a tentar,
para vencer o demónio
tenho muito que estudar.
-António, tanta leitura
vai os teus olhos cansar,
nunca levantas a cabeça,
nunca vais apanhar ar;
leva-me em cima do livro,
vamos os dois passear.
-Mas, meu Menino, amanhã
tenho muito que pregar,
se me não ouvirem homens,
oiçam-me os peixes do mar;
as almas perdem-se todas
e eu todas lhe quero dar.
-António, as almas perdidas,
sempre as havemos de achar;
o dia está tão bonito,
estão os cravos a cheirar;
se me não levas ao colo,
co'os teus papeis vou brincar!
Afonso Lopes Vieira
"A quadra é um vaso de flores que o Povo põe à janela da sua alma. Da órbita triste do vaso escuro a graça exilada das flores atreve o seu olhar de alegria. Quem faz quadras portuguesas comunga a alma do povo, humildemente de todos nós e errante dentro de si próprio. Ser intensamente patriótico é, primeiro, valorizar em nós o indivíduo que somos, e fazer o possível por que se valorizem os nossos compatriotas, para que assim a Nação que é a suma viva dos indivíduos que a compõem, e não o amontoado de pedras e areia que compõem o seu território, ou a coleção de palavras separadas ou ligadas de que forma o seu léxico ou a sua gramática — possa orgulhar-se de nós que, porque ela nos criou, somos seus filhos, e seus pais, porque a vamos criando", Fernando Pessoa
Então, para o menino Fernando que também é Pessoa, hoje mandamos umas quadras para ele pôr no seu manjerico:
O Santo António é tão crido
e querido por nós todos
que até nos dá o menino
p'ra andarmos com ele ao colo.
É certo que este Menino
já nos deu colo a nós todos...
mas esta é uma lei da vida
que nos dá grande consolo.
Hoje, o colo é do Fernando,
que só não foi de Bulhões,
enviamos-lhe estas quadras,
que nos saem dos corações.
Foi forte, belo e sadio,
pensou por ele e por nós
e com o seu desafio,
já fez de nós bons avós.
Como Pessoa o ouvimos,
com o seu silêncio sonhamos,
às vezes é um menino,
ao colo de quem amamos;
é Fernando, talvez Pessoa
ou de Bulhões seja ele...
Gostamos do Santo António
e celebramos-lhes o treze
(de Junho, claro!...)
Oh meu querido Fernando,
foste de bulha e bulhões,
por fora Fernando António,
sonhaste-nos os alçapões.
Tanta cabeça da gente
por dentro da tua, sonhada;
depois do perigo ingente,
saímos de alma elevada.
Acho que foi Santo António
que te foi pegando ao colo
e que tocando o harmónio,
nos foste embalando a todos...
Agradece-lhe por nós
as quadras com que nos brindas
e pede-lhe que nos dê voz
p'ra lhe dar as boas-vindas
no próximo 13 de junho
do ano que se aproxima...
Bem haja ele para nós
que é o que a Vida nos destina.
(E, então, até p'ró ano... Parabéns!...)
domingo, 22 de maio de 2011
Dia Internacional da Biodiversidade / Dia do Autor Português
Há tantos cães, gatos e pássaros como chapéus...: MUITOS!...
Andam à nossa volta, partilham o nosso espaço... e cuidam de nós...
Hoje, que é "Dia do Autor Português", trouxe um apontamento de cor da paleta de dois autores portugueses mais conotados com a infância e juventude... Ora vejam lá se esta paleta de cores tem idade!?... Gostaram? Eu, muito... Até nasceu um arco-íris aqui no meu bloguinho, só de os ler!...
Andam à nossa volta, partilham o nosso espaço... e cuidam de nós...
Hoje, que é "Dia do Autor Português", trouxe um apontamento de cor da paleta de dois autores portugueses mais conotados com a infância e juventude... Ora vejam lá se esta paleta de cores tem idade!?... Gostaram? Eu, muito... Até nasceu um arco-íris aqui no meu bloguinho, só de os ler!...
Onde nasce o arco-íris?
Quem inventou as cores?
Como esquecer o azul?
Ao que sabe o laranja?
Ao que soa o violeta?
Quem vai contar ao verde
a cor que o verde tem?
O que sobra do vermelho?
Gota a gota, donde veio o anil?
Para onde fogem as cores
quando a noite vem?
E todas juntas
que sabem elas do branco?
(...)
in Mª Alberta Memeres e António Torrado (1983), O Livro das 7 Cores
sexta-feira, 13 de maio de 2011
sexta-feira, 22 de abril de 2011
Dia Mundial da Terra
PASTORAL
Não há, não,
duas folhas iguais em toda a criação.
Ou nervura a menos, ou célula a mais,
não há de certeza, duas folhas iguais.
Limbo, todas têm,
que é próprio das folhas;
pecíolo algumas;
baínha nem todas.
Umas são fendidas,
crenadas, lobadas,
inteiras, partidas,
singelas, dobradas.
Outras acerosas,
redondas, agudas,
macias, viscosas,
fibrosas, carnudas.
Nas formas presentes,
nos actos distantes,
mesmo semelhantes
são sempre diferentes.
Umas vão e caem no charco cinzento,
e lançam apelo nas ondas que fazem;
outras vão e jazem
sem mais movimento.
Mas outras não jazem,
nem caem, nem gritam,
apenas volitam
nas dobras do vento.
É dessas que eu sou.
António Gedeão
N. B.: a ilustração foi retirada de art's, belíssimo site com trabalhos sobre folhas secas, entre outras "obras de arte"... e tudo começou com uma história de amor entre um rapaz chinês que encontrou a folha exacta para declarar o seu amor à mulher amada... O amor é a melhor escolha... verdade!!!...
Não há, não,
duas folhas iguais em toda a criação.
Ou nervura a menos, ou célula a mais,
não há de certeza, duas folhas iguais.
Limbo, todas têm,
que é próprio das folhas;
pecíolo algumas;
baínha nem todas.
Umas são fendidas,
crenadas, lobadas,
inteiras, partidas,
singelas, dobradas.
Outras acerosas,
redondas, agudas,
macias, viscosas,
fibrosas, carnudas.
Nas formas presentes,
nos actos distantes,
mesmo semelhantes
são sempre diferentes.
Umas vão e caem no charco cinzento,
e lançam apelo nas ondas que fazem;
outras vão e jazem
sem mais movimento.
Mas outras não jazem,
nem caem, nem gritam,
apenas volitam
nas dobras do vento.
É dessas que eu sou.
António Gedeão
N. B.: a ilustração foi retirada de art's, belíssimo site com trabalhos sobre folhas secas, entre outras "obras de arte"... e tudo começou com uma história de amor entre um rapaz chinês que encontrou a folha exacta para declarar o seu amor à mulher amada... O amor é a melhor escolha... verdade!!!...
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