terça-feira, 29 de junho de 2010

Dia de S. Pedro / Aniversário de Saint-Exupéry


O S. Pedro é pequenino
Mas tem chave poderosa...
Já foi por isso padrinho
De muita moça formosa...


(Pois, pois... Que o digam os contos tradicionais da Nação portuguesa...)


"A verdade não é de modo algum aquilo que se demonstra, mas aquilo que se simplifica."
Saint-Exupéry, Terra dos Homens

Gostei desta animação de O Principezinho (cerca de 25 minutos repartidos por 3 vídeos) e deixo-a aqui, antes que ela também se vá para um qualquer planeta, à procura - quem sabe? - da sua "rosa"...






sábado, 26 de junho de 2010

Dia Mundial contra o Uso e Tráfico de drogas / Dia Internacional de Apoio às vítimas da Tortura / Dia Nacional do Multimédia / Dia Mundial da Carta

Acho que o "cartoon" diz muito sobre o perigo das "drogas" que nos oferecem... Ontem, como hoje!


Gosto desta "Tempestade virtual"... Uma excelente tempestade sonora recriada em "estúdio", que apetece  ver acompanhada visualmente de outros efeitos multimédia... Está calor, colocam-se os "headphones" e refrescamo-nos um pouco com estes sons (uma trovoada de Verão para quem gosta  do cheirinho bom da terra molhada logo a seguir, subindo, subindo e nós... calminhos, só em olfacto)

                                           
... Uma "carta" de Jorge de Sena que também fala das vítimas de agressão... A reler!
 Carta a meus filhos sobre os Fuzilamentos de Goya

Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso.
É possível, porque tudo é possível, que ele seja
aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo,
onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém
de nada haver que não seja simples e natural.

Um mundo em que tudo seja permitido,
conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer,
o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.
E é possível que não seja isto, nem sequer isto
o que vos interesse para viver. Tudo é possível,
ainda quando lutemos, como devemos lutar,
por quanto nos pareça a liberdade e a justiça,
ou mais que qualquer delas uma fiel
dedicação à honra de estar vivo.

Um dia sabereis que mais que a humanidade
não tem conta o número dos que pensaram assim,
amaram o seu semelhante no que ele tinha de único,
de insólito, de livre, de diferente,
e foram sacrificados, torturados, espancados,
e entregues hipocritamente à secular justiça,
para que os liquidasse com suma piedade e sem efusão de sangue.

Por serem fiéis a um deus, a um pensamento,
a uma pátria, uma esperança, ou muito apenas
à fome irrespondível que lhes roía as entranhas,
foram estripados, esfolados, queimados, gaseados,
e os seus corpos amontoados tão anonimamente quanto haviam vivido,
ou suas cinzas dispersas para que delas não restasse memória.
Às vezes, por serem de uma raça, outras
por serem de uma classe, expiaram todos
os erros que não tinham cometido ou não tinham consciência
de haver cometido. Mas também aconteceu
e acontece que não foram mortos.

Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer
aniquilando mansamente, delicadamente
por ínvios caminhos quais se diz que são ínvios os de Deus.
Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror,
foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha
há mais de um século e que por violenta e injusta
ofendeu o coração de um pintor chamado Goya,
que tinha um coração muito grande, cheio de fúria
e de amor. Mas isto nada é, meus filhos.

Apenas um episódio, um episódio breve,
nesta cadeia de que sois um elo (ou não sereis)
de ferro e de suor e sangue e algum sémen
a caminho do mundo que vos sonho.
Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém
vale mais que uma vida ou a alegria de tê-la.
É isto o que mais importa – essa alegria.
Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto
não é senão essa alegria que vem
de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez
alguém está menos vivo ou sofre ou morre
para que um só de vós resista um pouco mais
à morte que é de todos e virá.
Que tudo isto sabereis serenamente,
sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição,
e sobretudo sem desapego ou indiferença,
ardentemente espero. Tanto sangue,
tanta dor, tanta angústia, um dia
– mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga –
não hão-de ser em vão. Confesso que,
muitas vezes, pensando no horror de tantos séculos
de opressão e crueldade, hesito por momentos
e uma amargura me submerge inconsolável.

Serão ou não em vão? Mas, mesmo que o não sejam,
quem ressuscita esses milhões, quem restitui
não só a vida, mas tudo o que lhes foi tirado?
Nenhum Juízo Final, meus filhos, pode dar-lhes
aquele instante que não viveram, aquele objecto
que não fruíram, aquele gesto
de amor, que fariam «amanhã».
E, por isso, o mesmo mundo que criemos
nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa
que não é só nossa, que nos é cedida
para a guardarmos respeitosamente
em memória do sangue que nos corre nas veias,
da nossa carne que foi outra, do amor que
outros não amaram porque lho roubaram.

Jorge de Sena, in "Metamorfoses"

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Dia das Nações Unidas para o Serviço Público / Dia do Atleta Olímpico / Dia das Migrações

"Ode à Paz
Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza,
Pelas aves que voam no olhar de uma criança,
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
Pela branda melodia do rumor dos regatos,


Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego dos pastos,
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
Pelos aromas maduros de suaves outonos,
Pela futura manhã dos grandes transparentes,
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz.
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
Abre as portas da História,
deixa passar a Vida! "

Natália Correia, in "Inéditos (1985/1990)"o citador
(Agrada-me pensar no "serviço público" como o resultado de um conjunto de valores que vemos corporizados, esporadicamente, no atleta olímpico: empenho, dedicação, persistência, paixão, amor, sonho... e paz.
(...)
Quando eu for grande, quero ter a "calma olímpica" do atleta da maratona... )

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Dia da Criança Africana

Eu acredito que é pela educação que se constrói a cidadania e, por isso, gostei de descobrir este projecto.   A ilustração é de Danuta wojciechowska para o livro O Beijo da Palavrinha de Mia Couto

"Em Lichinga até 2015
Educação: direito de cidadania
Educação em Lichinga é uma campanha de solidariedade que tem por objectivo enviar e manter anualmente, até 2015, 3 educadores e professores na cidade de Lichinga, uma das regiões mais pobres de Moçambique. Esta iniciativa visa contribuir para a concretização do apelo da Organização das Nações Unidas (ONU) - expresso nos “Objectivos do Desenvolvimento do Milénio” - no sentido de oferecer o ensino básico universal até 2015 a todas as crianças do mundo."
in http://www.seiva.co.pt/lic.html (Associação SEIVA)

http://www.seiva.co.pt/lichinga/testem_dan&hesp.pdf ( a ler)

domingo, 13 de junho de 2010

Dia de Santo António / Aniversário de Fernando Pessoa

Conta-se que Martinho,  o pai de Santo António, possuia uma fazenda perto de Lisboa, onde muito gostava de se deslocar. Numa das vezes leva consigo o filho e encarrega-o de afastar a passarada que lhe dava cabo das searas de trigo. Santo António corre dum lado para o outro e, já cansado, decide convidá-los a entrar para dentro da casa, onde os fecha, aproveitando então para rezar numa capela próxima. O pai regressa e depois de muito procurar o filho, encontra-o na capela. Santo António leva-o ao salão povoado de chilreios e voos de pássaros e, a uma ordem sua, todos esvoaçam e se libertam, ordeiramente.
É enternecedora toda a liguagem afectiva do romance popular em castelhano que a seguir segue em vídeo. Note-se a carinhosa enumeração dos pássaros que tanto encanta todas as crianças. (A melodia da canção e a voz de Joaquin Diaz são "muy preciosos para mim"..)
O painel de azulejos que nos serve de ilustração encontra-se no "Moínho do Cuco" na Serra da Arrábida e foi também ele vandalizado, como se nota... precisa-se de um novo milagre de Santo António para combater estes "pássaros" de Hitchcock"...



Fernando Pessoa faz hoje 122 anos... Parabéns, Fernando António!... Para já, mais 122!...Hip... Hip... Hourrah!...
"A escolha do nome [de Fernando Pessoa] homenageia Santo António: a família reclamava uma ligação genealógica com Fernando de Bulhões, nome de baptismo de Santo António, tradicionalmente festejado em Lisboa a 13 de Junho, dia em que Fernando Pessoa nasceu." in wikipedia

"A quadra é um vaso de flores que o Povo põe à janela da sua alma. Da órbita triste do vaso escuro a graça exilada das flores atreve o seu olhar de alegria. Quem faz quadras portuguesas comunga a alma do povo, humildemente de todos nós e errante dentro de si próprio. Ser intensamente patriótico é, primeiro, valorizar em nós o indivíduo que somos, e fazer o possível por que se valorizem os nossos compatriotas, para que assim a Nação que é a suma viva dos indivíduos que a compõem, e não o amontoado de pedras e areia que compõem o seu território, ou a coleção de palavras separadas ou ligadas de que forma o seu léxico ou a sua gramática — possa orgulhar-se de nós que, porque ela nos criou, somos seus filhos, e seus pais, porque a vamos criando"
Fernando Pessoa

"Santo António de Lisboa

Era um grande pregador
Mas é por ser Santo António
Que as moças lhe têm amor."
Fernando Pessoa, Quadras ao Gosto Popular


AINDA HAVEMOS DE VER FERNANDO PESSOA COMO TEMA DE MARCHAS POPULARES... E depois venham-me cá dizer que Santo António não faz milagres (não foi Ele também um erudito?!...)

E acabamos da melhor maneira, com a conclusão do restauro do CONVENTO DE SANTO ANTÓNIO em Penamacor. Belíssimo ( o Convento e o restauro também)!